sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Independência ou ......!
Freqüentemente somos abordados por familiares, ou pelos próprios pacientes a questão, até quando? Quando parar de trabalhar?  De dirigir? De assumir responsabilidades? Autonomia ou dependência? Como decidir sobre esta hora, na vida do paciente idoso? De que forma tomar uma decisão que vai determinar profundas alterações no estilo e na qualidade de vida do idoso irreversivelmente.
Simples é dizer papai não deve ou não pode mais trabalhar! Duro é fazer o idoso entender que sua colaboração, outrora decisiva e muito importante, agora já não é de tanta valia, sendo possivelmente dispensável. Então como proceder?
A resposta passa sempre por adjetivos como, bom senso, observação, e equilíbrio.
Não se deve deixar um geronte portador de um distúrbio de equilíbrio, por exemplo, sair a caminhar pelas ruas, desacompanhado, e ou sem apoio para prevenção de quedas.
Não se deve permitir que indivíduos portadores de osteoporose exerçam atividades de impacto que possam acarretar fraturas, nem que o ambiente em que circula tenha obstáculos que possam promover traumas evitáveis.
Não se pode atribuir responsabilidades, a idosos com distúrbios cognitivos, pois não serão resgatados pelos desgastados sistemas neurais de recuperação de dados, gerando crises administrativas, prejuízos financeiros, e o pior constrangimentos previsíveis.
Principalmente e mais freqüentemente, não se pode ser cúmplice no ato de o geronte persistir exercendo a mais perigosa atividade que uma pessoa com redução de reflexos, restrição de movimentos, pode exercer: a de conduzir um automóvel. Depois de uma certa idade não se pode mais dirigir sem colocar em risco sua saúde e segurança, assim como a de outrem! Agora vá você dizer isto a eles! Um dos mais difíceis dos sete trabalhos de Hércules! Sempre concordam que se aplica ao colega ao vizinho, ao amigo, a ele não, ainda está ótimo!
Conhecemos este momento na gerontologia como descondicionamento que é uma síndrome de efeitos fisiológicos e anatômicos que evoluem para a inatividade, passando por todos os processos intermediários. 
Comprometimento músculo esquelético, tecidual, endometabólico, cardiovascular respiratório, geniturinário, gastrointestinal e neurológico, são comuns no quadro de retroação no condicionamento.
Utilizamos a avaliação funcional global do geronte como método preditivo para determinar o nível de comprometimento do paciente com este quadro.
Devemos utilizar os serviços dos mais diversos profissionais, como assistentes sociais, psicólogos comportamentais, enfermeiros, nutricionistas, recreadores, fisioterapeutas, técnicos em ergonomia neuropsicólogos, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogos, entre outros para efetuar uma adequada avaliação de sua interseção domiciliar e comunitária.
Denominamos estado funcional do idoso o somatório positivo ou negativo dos seguintes fatores: ambiente físico, nível sócio econômico, equilíbrio ao andar, psicológico, comportamental, físico, cognitivo e da qualidade de vida, isto visto, listado, determinamos a importância na rotina do paciente e quais atitudes proativas que possamos tomar para intervir positivamente em sua vida!
Reduzir riscos é fundamental, aceitá-los passivamente sem tentar modificá-los é ser cúmplice ou co autor em qualquer sinistro que porventura venha a ocorrer.
Então até quando dirigir? A idade traz alterações sensório perceptivas, como redução da acuidade visual e auditivas, ofuscamento mais fácil, redução do campo visual, redução cognitiva, dificultando o aprendizado e juízo crítico reduzindo o tempo de reação, por perda gradual da mobilidade. As doenças crônicas também são fatores afins a redução do nível de consciência, diabetes e hipertensão, demências e Parkinson são exemplos. O consumo de medicamentos como analgésicos, relaxantes musculares, antidepressivos, antialérgicos, antihipertensivos, antiepiléticos, dopaminérgicos, e hipoglicemiantes também podem afetar significativamente a capacidade do geronte conduzir um veiculo automotivo seja, carro, moto ou outros. Negociação, política, concessões, e muito bom senso! 
JMS

sexta-feira, 18 de outubro de 2013




Distúrbios de continência e incontinência urinária na terceira idade.
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol

O sistema de excreção de líquidos pode afetar a saúde dos mais velhos de duas formas:
A retenção urinária é muito comum em quem desenvolve cálculos renais, em quem tem um processo obstrutivo como tumores genitais, de colon, reto ou de bexiga, em homens com aumento do tamanho da próstata.
Em mulheres pode ser causada por uma patologia quase sempre psiquiátrica, que é o vaginismo. Contração exagerada do ducto vaginal que pode levar a um agravamento no quadro de retenções. Alguns casos são secundários a infecções, traumas, pós radiação e quimioterapia.
Casos psicológicos, como só conseguir relaxar em determinados sanitários estão inclusos, nos de cunho psiquiátrico. Neste caso uma síndrome de pânico direcionada ao ambiente, ou a higiene dos sanitários, pelo temor de adquirir infecções em locais desconhecidos.
Porém a mais comum causa é obstrutiva e em homens com tumor de próstata levando a antiga prática da dilatação de uretra.
A incontinência urinária é muito mais usual na prática médica.
Caracteriza-se, no geronte, por perda involuntária  de urina, suficiente para causar problemas sociais e higiênicos.
As incontinências se dividem em duas categorias distintas, as agudas reversíveis, e a persistente ou crônica, que pode as vezes ser precedida pelas agudas.
As agudas reversíveis são geralmente conseqüência de doenças, como delírio, restrição a mobilidade como fraturas, acidente vascular cerebral, Parkinson, entre outras. Infecções, e drogas como álcool, antihipertensivos, analgésicos, narcóticos.
A persistente severa, divide-se em de estresse, é mais comum em mulheres, com perda de elasticidade da musculatura do assoalho pélvico. Ocorre uma perda involuntária, quando há aumento da pressão intra-abdominal, se dá durante um espirro, exercício, ou tosse.
A de impulso, que vem junto a uma vontade incontrolável de urinar. Não dá tempo, é o que relatam os portadores. Esta ligada a doenças neurológicas, tipo acidente vascular cerebral, demências, lesão de medula espinhal e Parkinson. Comum em pacientes acima de 75 anos, esta ligada a hiperreatividade da musculatura  de fechamento da bexiga, músculo destrusor.
A de grande fluxo, ocorre por distenção exagerada da bexiga, é causada por obstruções anatômicas como aumento da próstata, medicações, diabetes e esclerose múltipla. O portador queixa-se de vazamento de pequenas quantidades de urina.
A funcional, esta ligada a fatores externos ao trato urinário, psicológicos, ambientais que dificultam o acesso aos sanitários, demências e processos músculo-esqueléticos severos.
O envelhecimento dos tecidos e a perda hormonal levam a uma flacidez nos tecidos que tornam os idosos presa fácil para esta patologia, porém não é normal que o idoso tenha incontinência.
O diagnóstico deve levar em conta a história da doença, duração, características,  ingesta hídrica, tosse, diabetes, cardiopatias, neuropatias,câncer, medicamentos, álcool, cafeína, tratamentos já realizados etc.
O exame físico, passa por avaliação do abdômem, genital, pélvico e retal, além de uma sistemática avaliação neurológica.
Os exames laboratoriais, como pesquisa do sedimento urinário, para ver sangue, pus, bactérias, açúcar e proteínas. No sangue a pesquisa de eletrólitos, uréia, acido úrico, creatinina, glicose e cálcio, para determinar a função renal de base.
Teste urodinâmico simples.
O tratamento consiste em intervenções comportamentais, farmacológicas e cirúrgicas. Sempre iniciando-se pelos métodos menos invasivos e menos perigosos.
As técnicas comportamentais, reúnem o re-treinamento da bexiga, onde se alongam os períodos entre as micções, é útil nas de estresse e de impulso.
O treinamento do hábito, ida programada ao sanitário, com padrão miccional próximo ao natural. Maiores resultados na funcional.
A micção induzida, tenta fazer o paciente reconhecer, seu estado e solicitar a ida ao banheiro, comum nos demenciados.
Os exercícios de Kegel ou dos músculos pélvicos estímulos a contração a musculatura do assoalho pélvico, tipo, fisioterapia.
Utilizam-se roupas e almofadas absorventes, grampos penianos  arriscados, pessários, catéter externos,  intermitentes ou permanentes.
Os medicamentos variam de acordo com o tipo de incontinência: Impulso,:propantelina, oxibutinina, imipramina, bloqueadores dos canais de cálcio, e o  flaxonato.
Estresse, a fenilpropanola mina e o estrogênio.
Hiperreativa ou instável, a recente dariferacina.
Excesso de líquidos, o betanecol, e o prazosim .
Finalmente se nenhuma destas soluções  funcionarem, dependendo do tipo, faz-se a cirurgia corretiva, por afetar a dignidade do envelhecimento, todas as medidas, bem avaliadas,  devem ser tentadas para minorar tão intimidadora e limitadora patologia.
JMS     

sexta-feira, 11 de outubro de 2013


Insulina o neuropeptídeo crítico
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol

Será tudo culpa dela?
Quanto mais se investe em pesquisa, mais se consegue ligar os distúrbios relativos ao aumento da insulina a diversas patologias não convencionais. O que se questiona hoje é que terá ela todo este poder e envolvimento patológico? Na obesidade, diabetes mellitus, em convulsões, hipoglicemias, no ovário policístico, entre outras já haviam-se demonstrado categoricamente seu envolvimento. A intolerância a glicose, com ou sem resistência insulínica são sabidamente vilões relativos a estas doenças!
Porém recentemente tem-se pesquisado a relação íntima, entre o processo fisiopatológicos da diabetes e da resistência insulínica, e déficits neurocognitivos, com influência no aprendizado e da memória,   no transtorno do humor, e depressivo maior, a bipolaridade poderia vir a ser considerada uma síndrome metabólica tipo II. A Demência de Alzheimer também tem sido considerada a luz dos distúrbios da regulação da glicose! Há quem afirme que a demência senil seja uma diabetes tipo III e que a insulina seria o agente pró inflamatório que contribuiria para o acúmulo de proteínas beta amilóides e tau proteínas.
No mecanismo das patologias psiquiátricas o esgotamento  dos níveis de glicose cerebral na hiperinsulinemia, talvez seja fator de desequilíbrio na excreção dos neurotransmissores, como dopamina, serotonina, cortisol e catecolaminas entre outros. A fibromialgia também também pode estar envolvida neste mecanismo!
A neuropsiquiatria através da utilização de Pet-scan com emissão de prótons, mapeia a excreção de neurotransmissores nos hemisférios nas mais diversas situações comportamentais, emocionais, e patológicas, mostrando a zonas de hiper ou hipoglicemia.
Além dos estudos em neurociência, a percepção da função da flora intestinal no desenvolvimento da obesidade, da diabetes, e de algumas alergias alimentares, tem destaques nos mais recentes congresso de diabetes, valorizando a antevisão de dr Helion Póvoa, endocrinologista, referencia em Medicina Ortomolecular, que publicou há alguns anos  a obra “O cérebro desconhecido”. A microbiota intestinal alem de importância digestiva, absortiva, tem envolvimento direto com o quadro imunológico, comprovado em trabalho com cobaias de laboratório alimentados com fibras insolúveis, presentes em cereais e verduras que produzem ácidos graxos de cadeia curta, que interagem com imuno moduladores, interferindo na resistência inflamatória dos pacientes. Esse trabalho foi desenvolvido em parceria por uma equipe australiana e outra brasileira.
Referente ainda a microbiota intestinal, o mesmo mecanismo explica o desenvolvimento da diabetes e a evolução da obesidade, dependendo do nível e da intensidade metabólica da flora intestinal, pode-se ter pessoas com maior grau de absortibilidade, que retém mais nutrientes, e logo tem tendência a obesidade, por conseguinte diabetes, diferente daqueles com absorção reduzida, retém menos nutrientes e logicamente são mais magros, e tem menor possibilidade de desenvolver a diabetes.
A novidade deste estudo de um grupo inglês, é que pode-se fazer um transplante de microbiota, da flora do individuo magro ou normal, para o obeso, alterando sua absortibilidade, levando o paciente ao emagrecimento. Ainda  experimental, todos esses novos conceitos carecem de mais estudos para se firmarem como realmente exeqüíveis na pratica medica!   
A validação de estudos e o nível de pesquisa associativa tem tentado demonstrar essa estreita relação, é aguardar, anotar e conferir!
A importância  e relevância do glucagon, hormônio contra regulador da insulina e que favorece a absorção de glicose,  também tem sido resgatada nos estudos sobre a Resistência Insulínica e a Diabetes Melitus, assim como na fisiopatogenia da obesidade. Novos trabalhos e medicamentos atuam em promover seu equilíbrio ao invés de agir apenas na liberação de insulina.
JMS