Independência ou ......!
Freqüentemente
somos abordados por familiares, ou pelos próprios pacientes a questão, até
quando? Quando parar de trabalhar? De
dirigir? De assumir responsabilidades? Autonomia ou dependência? Como decidir
sobre esta hora, na vida do paciente idoso? De que forma tomar uma decisão que
vai determinar profundas alterações no estilo e na qualidade de vida do idoso
irreversivelmente.
Simples é dizer
papai não deve ou não pode mais trabalhar! Duro é fazer o idoso entender que
sua colaboração, outrora decisiva e muito importante, agora já não é de tanta
valia, sendo possivelmente dispensável. Então como proceder?
A resposta passa
sempre por adjetivos como, bom senso, observação, e equilíbrio.
Não se deve
deixar um geronte portador de um distúrbio de equilíbrio, por exemplo, sair a
caminhar pelas ruas, desacompanhado, e ou sem apoio para prevenção de quedas.
Não se deve
permitir que indivíduos portadores de osteoporose exerçam atividades de impacto
que possam acarretar fraturas, nem que o ambiente em que circula tenha
obstáculos que possam promover traumas evitáveis.
Não se pode
atribuir responsabilidades, a idosos com distúrbios cognitivos, pois não serão
resgatados pelos desgastados sistemas neurais de recuperação de dados, gerando
crises administrativas, prejuízos financeiros, e o pior constrangimentos
previsíveis.
Principalmente e
mais freqüentemente, não se pode ser cúmplice no ato de o geronte persistir
exercendo a mais perigosa atividade que uma pessoa com redução de reflexos,
restrição de movimentos, pode exercer: a de conduzir um automóvel. Depois de
uma certa idade não se pode mais dirigir sem colocar em risco sua saúde e
segurança, assim como a de outrem! Agora vá você dizer isto a eles! Um dos mais
difíceis dos sete trabalhos de Hércules! Sempre concordam que se aplica ao
colega ao vizinho, ao amigo, a ele não, ainda está ótimo!
Conhecemos este
momento na gerontologia como descondicionamento que é uma síndrome de efeitos
fisiológicos e anatômicos que evoluem para a inatividade, passando por todos os
processos intermediários.
Comprometimento
músculo esquelético, tecidual, endometabólico, cardiovascular respiratório,
geniturinário, gastrointestinal e neurológico, são comuns no quadro de
retroação no condicionamento.
Utilizamos a
avaliação funcional global do geronte como método preditivo para determinar o
nível de comprometimento do paciente com este quadro.
Devemos utilizar
os serviços dos mais diversos profissionais, como assistentes sociais,
psicólogos comportamentais, enfermeiros, nutricionistas, recreadores, fisioterapeutas,
técnicos em ergonomia neuropsicólogos, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogos,
entre outros para efetuar uma adequada avaliação de sua interseção domiciliar e
comunitária.
Denominamos
estado funcional do idoso o somatório positivo ou negativo dos seguintes
fatores: ambiente físico, nível sócio econômico, equilíbrio ao andar, psicológico,
comportamental, físico, cognitivo e da qualidade de vida, isto visto, listado,
determinamos a importância na rotina do paciente e quais atitudes proativas que
possamos tomar para intervir positivamente em sua vida!
Reduzir riscos é
fundamental, aceitá-los passivamente sem tentar modificá-los é ser cúmplice ou
co autor em qualquer sinistro que porventura venha a ocorrer.
Então até quando
dirigir? A idade traz alterações sensório perceptivas, como redução da acuidade
visual e auditivas, ofuscamento mais fácil, redução do campo visual, redução
cognitiva, dificultando o aprendizado e juízo crítico reduzindo o tempo de
reação, por perda gradual da mobilidade. As doenças crônicas também são fatores
afins a redução do nível de consciência, diabetes e hipertensão, demências e
Parkinson são exemplos. O consumo de medicamentos como analgésicos, relaxantes
musculares, antidepressivos, antialérgicos, antihipertensivos, antiepiléticos,
dopaminérgicos, e hipoglicemiantes também podem afetar significativamente a
capacidade do geronte conduzir um veiculo automotivo seja, carro, moto ou
outros. Negociação, política, concessões, e muito bom senso!
JMS