Dr. João Mariano Sepúlveda
Cardio - Geriatra - Ortomolecular
@no_formol
Insta: drmariano_sepulveda
Face:Mariano Sepúlveda
www.medicareclinica.com.br
GENÉRICOS
Recorrente a discussão sobre fármacos
referencias e genéricos, custo benefício, compatibilidade, equivalência,
qualidade, preço, eficácia...!
Pessoalmente não os prescrevo, mas quando
alguém me pergunta sobre usar ou não,
explico que avaliaria o fabricante, as metodologias de fabricação, a origem dos sais utilizados.
Pratico medicina há mais de 30 anos,
sou contemporâneo, da CEME, Central de Medicamentos, que distribuía
medicamentos a serviços públicos de saúde, para possibilitar o tratamento da
população, sulfato ferroso, mebendazol, metronidazol, penicilinas etc, eram
disponibilizadas ao paciente logo após o ato medico, de forma gratuita.
Complexo B, vitamina C, dipirona,
prescritos até que funcionavam, o problema era quando enfrentávamos uma
infecção mais grave, se não fizéssemos ajustes de até 100% na dose era raro o
paciente que melhorava, já com o de referência, nas doses preconizadas era mais
rápida a melhora.
Criou-se uma certa prevenção aos
medicamentos genéricos desde essa época, eram poucos e ruins, mas muitas vezes
eram o que tínhamos para tentar tratar.
Depois disso houve o surto de patentes
e uma migração a terapias de altíssimo e desproporcional custo de obtenção, que
gerou uma elitização das terapias criando um abismo ao acesso de classes
sociais de menor capacidade financeira.
Tornou-se objeto de desejo usar os
últimos lançamentos da indústria farmacêutica, muitas vezes precisando ou
não!!!
Nesse meio tempo no Brasil formaliza-se
a universalização dos direitos a saúde, e aos tratamentos gratuitos. País
capitalista com constituição socialista. Só poderia dar no que deu.
Direito estabelecido todos os brasileiros
tem direito a gratuidade ao atendimento e ao tratamento de sua saúde. Com
patente essa conta não fecha. Qual a solução?
Voltemos a CEME?
Privatizamos?
Quem poderá nos atender?
Necessitamos da produção em massa de
genéricos para atendermos ao que manda a constituição.
A indústria farmacêutica vê o nicho
investe e aposta na produção em escala para reduzir custos quando confrontado
aos produtos de referência. Custos em até e no máximo 20% abaixo, favorecem ao
maior consumo, porém é pouco necessitamos de um preço mais baixo....
A indústria de turismo quer que você
viaje, a automobilística que você compre carro, a de alimentação que se coma
muito, assim também a farmacêutica pretende que se consumam, seja referência de
valor agregado maior, seja genérico em quantidades maiores, ganha-se da mesma
forma.
A politicagem populista e descabida
que dá direitos os quais não pretende e nem tem como cumprir é que geram
distorções e anomalias nesta relação. Promulgam-se leis, que geram despesas,
para que outros paguem.
O sistema de privatizar setores produtivos
é fantástico, o estado pode ser pequeno e fiscalizador.
Deixe a quem sabe, produzir os
carros, o governo apenas normatiza os itens de segurança e os tipos que podemos
ter em nosso meio, os tipos de combustível etc, o estado fiscaliza e adéqua, dá
incentivos e recolhe impostos.
Igual no setor farmacêutico, laboratórios produzem sob a estrita norma
erigida pelos órgãos públicos fiscalizadores. Controles de qualidade bio-equivalência
etc. Regular e periodicamente aferidos pelas agências reguladoras, fácil,
simples e de qualidade quando se cumprem as regras, ocorre que aqui também se
dá jeitinho e aqui também há muita corrupção e o que deveria fiscalizar entrega
sua obrigação ao fabricante, pasmem, quem dita as normas é quem fabrica porque
já possuem o laboratório que fabrica, assim ele também determina o padrão de
qualidade.
Acredito até que em algum momento
isso possa ter funcionado mas sempre fadado ao fracasso.
O projeto de genéricos poderia até
ser bom se o governo agisse como governo e não como parceiro, se as agencias
fiscalizarem e não fossem submissas ao poder econômico que as move, e aos
conflitos de interesses que não são previstos.
Medicamentos com equivalências
diferentes do esperado é falha capital no sistema de controle.
Diferenças exorbitantes de custo
entre similares só em condições escusas.
Realmente no mundo todo os genéricos,
facilitam ajudam e reduzem custos. Por aqui ainda é pratica duvidosa enquanto
não estivermos seguros, melhor evitar.
JMS
