sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Prurido no geronte



Dr. João Mariano Sepúlveda
Cardio Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br



A pele protege e regula a temperatura do corpo, impermeabiliza impedindo a perda exagerada de líquidos, e a penetração de substancias tóxicas, radiações solares, e de microrganismos!
Sede das reações imunológicas ligadas a defesa do organismo.
O envelhecimento corrompe todas suas funções!
Perde água, reduz-se as glândulas sebáceas e sudoríparas, interferindo na termo regulação.
Reduzem-se os vasos sanguíneos, reduzido a sua função imunológica, favorecendo as infecções!
A exposição seqüencial e intensa a irradiação solar, principalmente entre as 11hs e 14hs, favorece o envelhecimento e a modificação celular podendo ajudar na formação de cânceres e queimaduras!
Necessária na fixação da vitamina D, a exposição a luz solar deve ser moderada e em horários de menor produção de radiação ultra violeta!
A utilização do protetor solar com fatores de proteção altos evitam a previnem a evolução de patologias dermo cutâneas, já que os raios ultra- violeta b, presente na luz solar queimam, acumulam-se e podem ser fortes fatores inclusive para evolução de cânceres de pele!
Quando um sintoma toma forma e se transforma no motivo principal da consulta médica, e pode ser causado por um sem números de motivos, o profissional que recebe o paciente, sabe que terá uma árdua missão, entre estes destaca-se o prurido, ou coceira, comichão, como é vulgarmente chamado!
Embora pareça simples, o prurido no idoso é fator de desconforto e sofrimento do paciente e de muita dificuldade terapêutica para o clinico!
O motivo mais comum e freqüente, é o prurido senil, derivado da atrofia cutânea pelo comprometimento das proteínas colágenas, colacina e elacina, que leva a irritação das terminações nervosas sensitivas por ação bioquímica de desequilíbrio entre histamina e serotonina.
Pode ser de causa neurogênica, ou neuropsicológica, como depressões, psicoses, neuroses, e muitas vezes são incontroláveis, e levam as escoriações neuróticas, que escarificam a pele e podem perpetuar, ou complicar, com infecções locais bacterianas.
Sempre secundário, pode ser sinal de doenças sistêmicas, como câncer visceral, moléstia de Hodgkin, anemias, leucemias, diabetes, hipotireoidismo, gota, hepatites, colecistite, cirrose, uremia, entre outras.
As causas dermatológicas passam por processos alérgicos, reações a medicamentos, principalmente a aspirina e os barbitúricos,  psoríase, dermatites, eczemas, infecções e escaras.
O processo cicatricial, de reparação, também leva a um intenso prurido!
A causa mais comum porem do prurido são de origem parasitaria, principalmente a sarna (provocada pelo carrapato) e a pediculose ( provocada pelo piolho).
O inicio pode ser súbito ou progressivo e vai depender da causa primária do sintoma a caracterização do tipo de prurido ajudará a construir o diagnóstico causal!
O tratamento dependerá da causa, se for por exemplo Diabetes, compensa-se a patologia a aguarde-se a remissão do sintoma, usando-se medidas paliativas locais, como hidratantes e cremes suaves, que reduzam a intensidade do prurido e o desconforto!
O uso de corticosteroides deve ser reservado a áreas reduzidas e por causas específicas, os anti histaminicos orais provocam sonolência, os de uso locais podem aumentar o quadro alérgico quando mal indicados. Em idosos estes só devem ser utilizados quando se tem um diagnóstico de certeza e por tempo limitado, por conta de seus efeitos adversos!
O prurido ator coadjuvante de tantas patologias, quando se torna o astro principal incomoda agudamente seu portador, melhor não deixá-lo tomar forma!     
JMS

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

POLI DROGA


Dr. João Mariano Sepúlveda
Cardio Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br

Onde um e um são onze!
Muito se discute sobre pacientes sub medicados e principalmente super medicados. Justa a preocupação de quem de drogas, não necessitam para viver ou para melhorar a qualidade de vida!
Diferente para aquele paciente já fragilizado e sobrecarregado de “achaques”, o paciente geriátrico.
A submedicação não é tão destacada ou criticada por familiares e acompanhantes, pois é mais confortável menos trabalhosa e dispendiosa.
Cria a falsa impressão de segurança e de saúde plena ao paciente, ou seja, tudo aquilo que ele e seus familiares querem ouvir e entender no desfecho de uma consulta que esta tudo mais ou menos bem.
Neste caso termina sempre com um diminutivo da doença, isso é só uma artrozesinha, ou uma hipertensãozinha, ou diabetezinha que vai melhorar com um remedinho.
Belas intenções porém, pode vir a mascarar um quadro, e levar a perder a chance de valorizar a patologia,  aproveitar a motivação para a colaboração com medidas de atenuação das doenças, via de regra, trabalhosas e impopulares.
Diabetes, não é grande nem pequena, pode ser no máximo leve, moderada ou severa, mas é sempre Diabetes, portanto uma submedicação pode faze-la passar de leve a severa muito mais rapidamente, do que aquela devidamente abordada e adequadamente tratada, o mesmo para hipertensão, taxas altas etc.
Se por um lado a subvalorização das doenças são nefastas, a supervalorização, exacerbam as dificuldades para serem fontes de facilidades.
O geronte polimanuseado, que freqüenta diversos médicos em busca de controlar seus males, carregam , mesmo que com a maior das boas intenções, em si um potencial de  uma bomba, com explosões programadas, a medida que as interações medicamentosas vão se efetivando.
Paciente com artrose, osteoporose, glaucoma, hipertenso, diabético com leve labirintite, e uma gastrite que não é difícil de achar entre pessoas mais velhas, utiliza-se de pelo menos 5 a 6 tipos de drogas de uso contínuo, e mais 2 ou 3 eventuais. Casos mais graves podem chegar ao absurdo, porem necessário número de 12 a 15 medicamentos/ dia.
Interações medicamentosas nestes pacientes são infinitas, levando a combinações e recombinações de substâncias dentro dos organismos, formando um sem número de novas, as vezes desejadas, mas na maioria das vezes indesejadas substâncias e seus respectivos resíduos. Com seus efeitos colaterais e adversos.
Quadros terapêuticos quando se agregam três ou mais medicamentos, ficam incontroláveis sob o ponto de vista interativo, tomando proporções geométricas no sentido de possíveis malefícios ao usuário.
Algumas vezes faz-se o que chamamos de “enxugamento”, com a retirada de todas as drogas usadas no tratamento com sua reintrodução progressiva, um a um, em período regular,  semanal ou  mensal, e observando os sintomas desenvolvidos, além de alergias, e potencializações que ocorrem rotineiramente.
Chegamos então a um delicado paradoxo, o que fazer? Conservador, agressivo, usar mais ou menos? Como responder quando um paciente chega achando que esta sub ou supermedicado?
Primeiro um perfeito histórico deve ser colhido e fornecido a seu médico. Muita conversa e pesquisa sobre o que esta sendo utilizado, não deixando nada de lado, dos eventuais, como os para disfunção erétil, aos contínuos como, os anti-hipertensivos, os naturais, fitoterápicos, e vitaminas.
Segundo, estabelecer o diagnóstico preciso, as reais necessidades, do que esta em uso e do que vai ser prescrito, procurar reduzir ao máximo o consumo de drogas, sem ser “xiita”, reduzindo de forma preconceituosa o que não deve ser removido.
Terceiro, utilizar informações familiares de intolerâncias e alergias à drogas anteriomente utilizadas, para não incidir em erros já cometidos.
Informação e  conhecimento sobre a doença,   tratamento ministrado, o que esperar sentir, quanto tempo aguardar os efeitos benéficos, e quais os efeitos colaterais e adversos que podem ocorrer e quanto tempo demoram a passar?
Caso não melhorem os sintomas tentar um ajuste e até proceder a suspensão e permuta da droga proposta sempre em comum acordo com seu terapeuta, dando a ele o direito de exercer seu ofício e manter o controle de sua doença e sintomas.
São seis os padrões de interações medicamentosas, relacionados a inibidores e substratos, ou reverso de ação, ligados ao citocromo P450 ou glicoproteínas P, entre outros que determinam as interações entre substâncias, drogas ou alimentos, eis algumas delas:
Cafeína – álcool.
Álcool - tranquilizantes.
Álcool -  antibióticos.
Antibióticos – antidepressivos.
Antidepressivos - antipsicóticos.
Antipsicóticos -  anti-hipertensivos.
Anti-hipertensivos- corticoides.
Corticóides- hormônios.
Hormônios- cafeína.
Fechando o ciclo e multiplicando as interações.
Evite trocar de medicamentos por conta própria, e de médico a todo instante, pois pode ser prejudicial a você mesmo! Com bom senso a solução para o paradoxo, tanto por parte do médico, priorizando sempre o mais urgente e necessário ao paciente idoso, lembrando que é imperioso deter as crises álgicas,  e este tentando seguir as orientações, e informar exatamente como esta e as intercorrências de seu tratamento.
Adaptação e otimização!!
JMS