sexta-feira, 14 de novembro de 2014

NEUROPLASTICIDADE

Dr João Mariano Sepúlveda

Cardio Geriatra

@no_formol

www.medicareclinica.com.br



Plasticidade neural  é a  capacidade de adaptação de um cérebro, mediante ao trabalho e nível de utilização que damos a ele e em função das nossas exigências.
Ocorre pela proliferação neural em áreas especificas estimuladas em qualquer idade e mesmo e principalmente após lesões e/ou traumas físicos e/ou psíquicos.
Dois vértices devem ser considerados, no individuo saudável, o desenvolvimento, que compreende a concepção, embriogenese, período intra e extra uterino, quando ocorre a plasticidade de formação do sistema nervoso central, diretamente condicionada a genética, onde qualquer dano é muito grave!
A aprendizagem, que pode e deve ocorrer em qualquer período da vida, e vai moldando massas de conexões neurais de acordo com as demandas. Certas atividades como por exemplo a musica, pintura ou qualquer área ligada as artes, ou esportes, desencadearão estímulos em determinadas áreas do cérebro, a se desenvolver em maior escala para facilitar e automatizar tais tarefas.
Motoristas terão seu senso de direção mais aguçado e as áreas afins passarão por processo adaptativo  intenso tornando cada  vez mais fácil a estes indivíduos sua localização espacial. Astronautas e operadores de maquinas de precisão são privilegiados neste aspecto.
Idosos terão melhores performances cognitivas, quanto mais buscarem e praticarem exercícios cognitivos, pois cérebros velhos saudáveis, são experts em desenvolver e se valer da neuroplasticidade.
Evolutivamente são os que mais tem de se adaptar e reformular conexões, já que sofrem pelo envelhecimento uma perda neural progressiva e inexorável pelo desgaste da idade.
Inflamação, infecção, doenças metabólicas crônicas como a diabetes, hipertensão, alcoolismo, tabagismo, entre outras, são avariadores que promovem perdas neuronais, que não podem ser trocados, mas que podem ter seus circuitos ou trajetos substituídos, por vias alternativas!
Traduzindo, caso a linha de ônibus que leva do centro ao setor norte de sua cidade esteja interrompida ou congestionada a empresa, consegue por ruas paralelas e com micro ônibus ou vans fazer os usuários chegarem aos mesmos locais ou próximos a eles. Mantendo ou restabelecendo contatos. Apenas quando o processo de perda se torna muito maciço, o sistema reparador perde para o envelhecimento.
Quadro de lesões, traumas, acidentes vasculares cerebrais, tumores, entre outros,  agem como um antecipadores deste processo, mas tambem ativam a plasticidade da seguintes formas:
Recuperação da eficácia sináptica, drogas neuroprotetoras que reduzam edemas e melhorem oxigenação e nutrição celular local( glicose)!
Potencialização sináptica,  uso de atalhos não lesionados como vias principais de transmissão.
Supersensibilidade de denervação, é um processo de aumento de sensibilidade do elemento celular da área pós trauma, que não recebe mais estímulos da área pré trauma, por exemplo, caiu uma ponte que ligava dois trechos de uma estrada, o lado distal deixa cair seus barrancos no rio como que para aproximar os dois lados e restabelecer o trafico!
Recrutamento de sinapses silentes, são  conexões de reserva, que uma vez necessárias entram em funcionamento, isso ocorre até mesmo em situações fisiológicas.
Brotamentos, formação de novos axônios, oriundos de neurônios lesados ou não! Podem ser de dois tipos:
Regenerativo, no lado proximal do neurônio lesado. Via de reparo!
Colateral, formação vicinais e paralelas em axônios não lesionados. Via de adição!   
O cérebro é constituído de dois hemisférios, unidos por fibras nervosas. Cada lado tem sua função porem um tem ciência e consciência da função contralateral, quando um dos lados se lesiona o outro vai gradativamente assumindo aquelas funções que foram perdidas pelo  hemisfério atingido.
Existe uma classe de proteínas regenerativas denominadas, fatores tróficos, que podem auxiliar o processo de reparação, o fator de crescimento do nervo e a neurotrofina, alem terapia de células tronco,  podem ser consideradas como adjuvantes nas terapias para Alzheimer, Parkinson, e Esclerose Lateral Amiotrófica entre outras.

JMS

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Quedas desafio da geriatria

Dr João Mariano Sepúlveda
Cardio - Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br




Queda é o deslocamento não intencional do corpo para um nível inferior a posição inicial com incapacidade de correção em tempo hábil, determinado por circunstâncias multifatoriais comprometendo a estabilidade.
Um dos problemas mais difíceis, na prática da gerontologia é a prevenção de acidentes com quedas e conseqüentemente traumas e um sem número de transtornos que estas causam. Elas acometem em média, 30 a 40% dos idosos em geral e até 60% dos albergados.
O principal dano pós quedas são as fraturas, dentre estas a mais comum indubitavelmente são as fraturas de quadril, e colo do fêmur, pois 90% destas são em conseqüência de quedas! Apenas 10% em decorrência de outros motivos.
A mortalidade destes pacientes, varia de 12 a 22%, as seqüelas, e a presença de déficits funcionais, são  extremamente freqüentes, outros tipos de fraturas representam apenas de 2 a 3% do total. Aproximadamente 12000 gerontes perecem vitimados por esta entidade, e mais ou menos 20% dos casos fatais ocorrem nos lares dos anciãos.
Portanto mediante este prólogo, é dever do medico assistente investigar, com que freqüência, vem ocorrendo as quedas, duas ou mais nos últimos seis meses, deve ligar o alarme, para pesquisa das causas. Lembrar também que um idoso que cai, ou caiu é um potencial dependente, devido ao medo gerado e a insegurança inerente.
Investigar a tendência do paciente a minimizar as quedas, atribuindo a um simples tropeço, o que na verdade pode ter outra conotação! 
Fatores que propiciam as quedas, os ambientais, ou extrínsecos, estão relacionados aos locais onde o idoso vive ou freqüenta. Pisos escorregadios, escadas, tapetes, fios de eletricidade ou telefônicos, moveis em excesso, com arestas, e pontas vivas, obstáculos, moveis muito baixos, ou muito altos, instáveis, roupas largas, com pontas soltas, calças  as quais se pode pisar em sua bainha, sapatos com saltos ou derrapantes, escorregadios,  são todas causas muito comuns de quedas!

Os fatores intrínsecos, são de grande diversidade, os demográficos, onde os indivíduos de maior idade estão mais sujeitos, do sexo feminino, e da raça branca.
O uso de auxílio para deambular, como andadores, ou bengalas. Pacientes portadores de patologias crônicas, como Parkinson, acidentes vasculares, obstrução carotídea, claudicação intermitente, em vasculopatias,   doenças neuromusculaes, artrite, diabetes,  principalmente quando ocorrem as hipoglicemias,, cardiopatias, crônicas, ou agudas, arritmias, e síndrome vaso vagal, hipertensão, hipotensão ortostática, que é aquela que ocorre quando o individuo altera subitamente sua posição.  Distúrbios de visão, velocidade para caminhar, alteração de força em extremidades, e da percepção sensorial. Convulsões, doença do ouvido médio, hipotireiodismo, podem ocasionar sintomas que levam a quedas.
A utilização de múltiplos medicamentos, muito comum nos idosos, e/ou uso prolongado de hipnóticos, sedativos, ansiolíticos, antidepressivos triciclícos, medicamento anti parkinsoniano, anti psicóticos, drogas cardiológicas como diuréticos e anti hipertensivos levam até mesmo pacientes mais jovens a terem risco de quedas! Todas são causas, porem os mais comuns são as labirintopatias, vertigem,  hipotensões, baixa da pressão,   hipoglicemias, baixa dos níveis de glicose, e a utilização de drogas, que em pacientes com osteoporose, ou perda de calcificação que sofram quedas, facilitam as fraturas, levando a imobilidade, com desautonomia secundaria a imobilização, restrição, aumento do riscos de infecção, e altos índices de óbitos neste grupo especifico.
A difícil recuperação torna mandatário a prevenção de quedas, com “limpeza” dos espaços dos idosos, com remoção de “entulhos” , observação precoce de tendências, com alterações nos potenciais de riscos, através de teste funcionais, do dia a dia, como mandar pegar um objeto em local alto, ou subir um lance de escadas, mudanças de posição e medidas tensionais em varias posições, deitado, sentado e em pé!
Exercício de reabilitação, atividades físicas com exercícios resistidos, musculação, pilates, RPG, e praticas orientais, como ioga e o tai chi chuam, massoterapia,  e estímulo a retomada da normalidade da rotina de vida devem ser praxe.
Para evita-la, ergonomia,  equipamentos e adaptação da residência o uso de barras de apoio e cadeiras nos banheiros, o controle de altura dos moveis, os muito baixos provocam um esforço exagerado para se erguer , os mais altos a dificuldade de acesso! Prateleiras muito altas ou muito baixas são desencadeadores!
Respeitar a patologia pelo seu potencial devastador, temer sua presença jamais! Parafraseando o compositor, quando der, “ levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”!  
JMS