sexta-feira, 26 de julho de 2013

Geriatria Pediátrica

Geriatria pediátrica
 
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio-Geriatra
@no_formol
 
Existe em alguns países mais desenvolvidos, entre eles o Japão, uma especialidade que dá título a este artigo que busca prevenir o envelhecimento, ou reduzir suas ações deletérias imediatamente após o nascimento da criança!
Vamos tentar fazer um exercício de futurologia, ou um resgate a uma matéria muito antiga chamada puericultura, que os pediatras mais antigos, devem se recordar.
Gestar sem stress, com alimentação equilibrada e sem aditivos, sem bebidas, ou tabaco, drogas nem pensar, com pré-natal sistemático e exames genéticos específicos de acompanhamento.
Nascer preferencialmente de parto normal, e natural com a presença, e a participação do pai no parto, e no pós parto, em ambiente limpo, calmo, controlado em luminosidade e temperatura.
Fazer o teste do pezinho, de audição, e visão.
Proceder a toda imunização possível e existente e realizar segmento médico mensal até os 24 meses e depois de acordo com a orientação de seu pediatra.
Proceder até os 14 anos pelo menos uma avaliação ponderal por ortopedista e da dinâmica de crescimento por endocrinologista!
Alimentar-se até os seis meses, exclusivamente do leite materno, utilizar sempre água de boa qualidade e procedência.
Mamadeiras de vidro, pois as de material plástico liberam o bisfenol-A, quando expostas a altas temperaturas, como nos fornos de micro-ondas, quando a criança, já anda e carrega a mamadeira, deve-se, evitar as de vidro, pelo risco de acidentes. Evitar superaquecer embalagens e utensílios plásticos, com alimentos.   
Utilizar em sua alimentação preferencialmente produtos orgânicos, sem aditivos químicos, sem corantes que possam desenvolver alergias futuras, evitar o sal o açúcar que levam o paladar ao extremo e ao limite e a saúde embora. Ser comedida na utilização de massas e carbohidratos em sua alimentação diária. Evitar frituras e os famigerados snaks, com gorduras trans. Praticar a diversidade e multiplicidade alimentar, evitando a monotonia que lava a perpetuação de bons e maus hábitos!
Não usar refrigerantes ou sucos artificiais, dar preferência ao suco de frutas orgânicas, e feitos na hora do consumo, se possível com sua participação para que associe a forma ao gosto.
Utilizar-se de roupas, produzidas com fios  naturais, e de produção orgânica, produzidas com menor dano ambiental, fraldas de preferência, de pano, pois as descartáveis demoram, mais ou menos 450 anos para se decompor.  
Ter rotinas factíveis estabelecidas, sem pressões que possam desenvolver stress. Evitar passar medos, inseguranças para as crianças, nunca discutir na frente delas, ninguém será capaz de dizer que interpretação ela deu para tal fato, e o que isso gerou. 
Hora regular de dormir e acordar. Prezar pela higiene, física, e oral com estimulo a escovação dos dentes, da língua, e a ida regular e preventiva ao odontólogo.
Premiar o movimento não a competição, estimular desde cedo a atividade física como prática natural, incluindo o hábito de se levantar para beber água, comer, ir à porta receber as pessoas, formas de movimento em desuso que trazem um bom aporte de queima de calorias e não o de receber tudo, todo o tempo nas mãos!
Tocar um instrumento e cantar e ouvir, boas musicas, sejam lá de que gênero se prefira. 
Ser estimulada, a leitura, instrutiva, laboral, e recreativa diária, aprender varias línguas, para ser cosmopolita e ter um desenvolvido senso de morador do planeta Terra.
Ter a noção que nossas ações são como bumerangues, por mais longes que as lancemos, elas retornam a nós com muita força! 
Ter um bicho de estimação e ser responsável, por ele para saber da interdependência entre os seres, por mais diversos que nos pareçam!
Ser informado constantemente quando tiver discernimento para tal, da toxidade sobre o organismo de substancias tóxicas como, a álcool, tabaco, e demais drogas ilícitas, para que possa fazer a opção pelo cultivo da saúde.
Ser estimulada a desenvolver amizades e a interagir com elas! Conviver e ser tolerante com os diferentes! Praticar a educação por estilo e a gentileza por opção formadora de caráter pétreo!
Ter como objetivo de acúmulo a felicidade, mesmo que em detrimento do material!
Utilizar o conhecimento tradicional sem a tacanhez ignorante da teimosia, admitindo o novo e incorporando o moderno!
Ser objeto incondicional de afeto, amor, e respeito, e desenvolver diariamente a fé!
Se isso tudo faz viver mais não sabemos, mas penso que deve melhorar muito a matéria prima humana!     
JMS

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Fibromialgia

Fibromialgia
Síndrome da fadiga crônica e doenças mitocondriais
 Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
 
Considerada uma síndrome reumatológica, é talvez uma das doenças, mais multiprofissionais que existem, debilitante, restritiva, confusa, pois passeia por um cem número de sintomas, físicos, psicológicos e emocionais, numa sinfonia quase sem fim de queixas.
Entidade clínica caracterizada por dores musculares migratórias, difusas, persistentes, crônicas, evolutivas é talvez a doença que mais leva o paciente ao médico, e porque não dizer aos médicos, pois por sua característica, dificilmente o problema se resolverá às primeiras abordagens. Calcula-se que este paciente seja avaliado por 3 a 4 médicos até se estabelecer o diagnóstico.
Mais comum em mulheres na proporção de 10/1, diminui na terceira idade, porém, ainda assim é muito encontrada na prática diária da geriatria. Doença de diagnóstico eminentemente clínico e presuntivo valoriza sobretudo, a capacidade de observação, leitura e somatório de sintomas tão vastos e desencontrados.
Doença mitocondrial, que precede ou acompanha a fadiga crônica que é o cansaço permanente e desproporcional aos esforços depreendidos, para a realização de tarefas normais e diárias, referem os pacientes, que viver cansa! Ocorre provavelmente por um defeito na produção de energia pelo “motor” da célula, a mitocôndria. Pode ser secundária a distúrbios no metabolismo da glicose, déficit imunológico, hormonal ou nutricional, infecções, trauma físico, depressão.   Caracteriza-se por rigidez e dor em pontos musculares, 18  ao todo, porém para caracterizar a doença não é necessário todos doerem ao mesmo tempo, dor crônica, alterações persistentes no sono, a fadiga, já citada, ansiedade, depressão, mudanças de hábitos intestinais, edemas e frio de extremidades, mãos e pés, boca seca, “bolo na garganta” com dificuldades de engolir, palpitações, e tremores, fraqueza.
Pode afetar a qualidade de vida, a ponto de influir no trabalho, estudo, relacionamentos pessoais, sejam conjugais ou familiares. O paciente já chega exaurido, desgastado, descrente , pois na maioria das vezes submeteu-se a várias terapias com sucesso discutível. O medo de estar sofrendo de algo muito grave e consuptivo, como câncer ou inflamação, deve ser substituído por orientação no sentido  tranqüilizador e otimista. A partir do diagnóstico e com o envolvimento do paciente em seu  tratamento as chances de melhora, aumentam significativamente.   
Exames devem ser realizados, não para confirmar o diagnóstico, já que não existe, para tal, mas para eliminar outras patologias que podem cursar com sintomas similares.
O estresse, o estilo de vida, sua inserção social e no trabalho devem ser pesquisados, o aconselhamento e o estímulo ao aprendizado da melhor forma de lidar com possíveis gatilhos da síndrome álgica.
A atividade física é paradoxal, pois, piora no início ou quando muito intensa,  e posteriormente melhora a dor, quando acompanhada de compressas quentes ou frias, massagens, hidroterapia, fisioterapia com ultra-som, e principalmente a acupuntura, que tem eficácia notada nesta patologia.
O suporte psicológico ou até mesmo psiquiátrico, ajudam de forma acentuada o tratamento, técnicas de relaxamento e alongamento, terapias cognitivo comportamental ou hipnose podem ser benéficas quando houver predominância de estresse, ansiedade ou depressão.
O tratamento é peça de ficção, pois, cada paciente responde de uma maneira, mas via de regra o uso de antiinflamatórios, corticóides são ineficazes, os tranqüilizantes benzodiazepínicos devem ser evitados. Deve ser considerado o uso de antidepressivos, pricipalmente a amtriptilina, dotiepina, maprolitina, assim como a ciclobenzapina,  sempre com doses baixas e progressivas. A utilização de suplementos multivitamínicos e antioxidantes, ajudam principalmente na sintomatologia de fadiga crônica, pois possibilitam reduzir o cansaço. Considerar  o uso nas vitaminas da ubiquinona, a co enzima Q10, que age diretamente, no foco da doença, a síntese de ATP, bem como o ácido málico, substância existente em grandes quantidades na casca da maçã. O triptófano aminoácido presente no leite tem leves efeitos.
As doenças de esgotamento mitocondrial parecem estar ligadas, ao consumo, fixação, ou utilização de uma substância pelo organismo, a serotonina,  produzida em maior quantidade no intestino e utilizada em sua maior parte no cérebro, a bioquímica desta substância parece estar associada ao ciclo vicioso de fadiga crônica, fibromialgia, síndrome de pânico, estado depressivo crônico, patologias, que se sucedem na evolução destas entidades clínicas.
No paciente idoso estas dores mascaram e confundem sobre o real diagnóstico estabelecido. Sejam quais forem suas dores o “truque” é sempre acessar um bom profissional, relatar minuciosamente os sintomas, sabendo que dificilmente temos diversas doenças pelos diversos sintomas, e sim uma ou no máximo duas doenças com um sem número de sintomas. No histórico médico anotamos, “paciente sem queixas”, quando ele nada sente, na fibromialgia anotamos “paciente cem queixas”.
 JMS

 

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Conversa Fiada

Conversa Fiada
 
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
 
-- Diz ai Tônio Carlos tá fazendo parado nesta mesa? Com  essa cara de disgosto, recebeu a pensão maiada tra’vez?
-- Nada, tô pensando em minha fia, que faz tempo não vejo!...
-- A casada?
-- Não a sorteira foi trabaiá, na Capitar, tá estudando pra ser dotora!
-- Profissão difícil,  pega todo tipo de doente, criança, muié, mas o pior são os velhos que nem nóis! Trabalho pesado e cabimento...
-- Cabimento? Oia se qualquer um tirar cabimento ou inxerimento com minha fia vai se vê cumigo! Há vai...
-- Besteira! Véio que nem a gente, só rosna, num late mais, e num morde, é de jeito nenhum, tro’dia mermo na feira, fui olhá pr’uma dona, formosura de muié,   desequilibrei, lá fui pru chão...! Meus joelhos dói até agora!
-- Pois é cumpadi Maia, melhor deixá isso quieto, modo de evita tragédia! Na nossa idade a gente fica invisivi, muié bunita, só oia pra véio, mode de pedi ajuda ou informação!
-- Isso lá e verdadi, faz um tempinho, me inxiri com a Mariquinha lá do posto de saúde....
-- Aquela maceta de muié, mintira Maia...
-- Pió que não, cheguei emocionado, comecei uma prosa cum ela, dizendo qui tinha uma coisa intima e pessoar pra falá cum ela, que era segredo, fui me emocionando e comecei a respirá fundo, que eu ia mi abri cum ela... e tal.
Foi quando ela regalô os óio, gritô pra dentro do posto: Já entendi, meu querido, tira uma ficha pro urologista e bota seu Maia, no oxigênio que ele tá mal!
-- Parece a estória do cumpadi Félix, tava namorando, cum medo, pois o medico tinha dito que ele pudia tomá a azulzinha, mas que num pudia misturá com remédio pru coração...
-- Ele tomô?
-- Não só tomo, como passô mal e entrou no hospital gritando, calma dotô, que tomei a azulzinha, calma que tomei ...
Maió vexami! Mió evita....
-- Morreu?
--  De vergonha!
-- Pior  foi a velha Maria, caduca, deu maió prejuízo pros filhos, vinha sofrendo de lucinações, vendo visage, e ouvindo voz,  por conta da caduquice...
-- Coitada!
-- Pois jogô fora o apareio de iscuitá, porque tava assombrado...
 -- Meus filhos, veja você, já num querem que eu encilhe e use a carroça lá da roça, querem mandá direto neu,  sei não viu...?
-- Também, Tonio Carlos, outro dia mermo, num era ocê que tava todo intrevado no hospitá, modo de uma queda do cavalo?
-- Acidente, o alazão sustô, num pude faze nada, nem dava tempo, mas acontecia com qualqué um!! Na minha  juventude coisa igual num havia segurava era no laço!
Bons tempos!
-- Bom é, mas fartava o juízo, o equilíbrio, que a idade traz, o esforço pro lado certo!
-- Besteira a juventude tudo pode!
-- Será que pode mermo? Passa a vida a querer ser grande, como os pai, pra poder fumá, bebe, dirigi, cume e namorá...!
--Fica velho e num pode mais, bebê, fumá, cume e namorá, e se brincá fica privado até mermo de obrá....  
-- O que se aprende sedimenta na idade, embora um pouco se esqueça.
-- Minha escola era fantástica, tinha os professor mais importante daquele tempo, exigia  muito...!
-- Joeio no mio, parmatora, cara pra parede, escrever na lousa até quase cair o dedo, no caderno então era de matar, folhas e folhas iguais! Eita tempo bom! Será?
-- Mermo com as dificuldade, era um tempo mais romântico, quando queria falar, mandava carta ou telefonava, as viagens eram de ônibus ou de trem, ía olhando o caminho, preciando a paisage!
-- Nem se compara, cumpadi, em tempo real sei o que vai no mundo, por email, Feicebuque, Skip, Tuite, Istigan  e quando viajo o avião cada vez mais rápido, me leva e traz numa fração dos tempos do alazão!
-- De alazão num digo, mas o trem, e os passeios de carro, parando e dormindo  nas cidades inté chegá o distino, era bom, viu?
-- Num vô discuti preferença, mas o difícil é só aprendê a meche com os troço moderno, dispôs té mermo assanhamento tem nos computado, uma janela pra tudo...
-- Papo bom mas cê já tá sem assunto, puxando nostalgia, tem de vivê pra frente...   
-- Bom mesmo era quando eu era criança, minha mãe me acalentava protegia, me mantinha quente e alimentado!
-- Quase igual tá agora, sem cabelos,  sem dentes, come papa, toma vacina, mija  nas fralda, e fala um monte de coisas sem sintido...   
JMS

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Finitude da ficção a realidade




Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br

Na prática médica, principalmente geriátrica temos sempre a certeza que superaremos todos 
os confrontos com o fim, porém perderemos o derradeiro, é disso que me ocupo hoje.  Em 
uma enfermaria, enquanto um médico de meia idade se empenha a tratar uma paciente de 
idade avançada, olha para o lado e vê chegar uma costumeira e conhecida visita, que diz:
-        Olá como esta Dr? Novamente por aqui?
-        Novamente! Pior a Senhora, já não veio ontem? Que pressa, que fome, porque tanto?
-        Pois é, vim ontem, hoje, virei amanhã. Já é hora também desta de quem cuida!
-        Quem sabe mais um tempo para ela? Diz o médico.
-        Virão outras mazelas, já tem muita idade, sofreu quedas, acidentes, cirurgias, em uma 
delas esteve bem perto de vir comigo!
-        Chegaram a tempo e a salvaram! Tiraram de tuas mãos!
-        Adiaram, minha hora sempre chega! Diz a Sra.
-        Tenha pressa não, esse caso aqui é muito mais simples do que o de ontem.
-        Aquele infarto de ontem foi instantâneo.
-        Inesperado o paciente era muito jovem. Não tinha 50 anos ainda! Fala o Dr.
-        Arriscado, fumante, stressado, sedentário,sorria para mim todos os dias!
-        Devias dar uma nova chance aos mais novos. Pegar mais leve.
-        Estatística! Por sinal ultimamente vocês tem atrasado muito o meu lado, a evolução pra 
uns é a morte ... ops! Pra outros. Diz a Temida.
-        Realmente hoje já conseguimos, com o progresso da ciência adiar bem mais a sua chegada, 
quem dera um dia evitar de vez. E pode ir agora. Essa aqui, apesar dos 89 anos sempre se 
cuidou. Diz o Dr olhando para sua paciente. -A sua doença esta quase boa, ela sai logo!
-        Pode ser, é o que você diz, vou ficar em volta. Clientes seus, podem ser meus não é? O 
inesperado pode fazer uma surpresa!
-        A família vai sofrer, achar que foi descaso, negligência, descuido. Diz o Dr.
-        Vocês sempre procuram uma desculpa para negar a minha hora, é comum . Minha vez sempre 
chega! Por sinal, Aguarda aí que vou ali no berçário receber um e já volto.
-        No berçário? Assusta-se o Dr.
-        Para manter a estastística!
Enquanto a secular senhora sai da enfermaria, o médico se esmera nos cuidados para fechar 
todas as possibilidades ao voltar.
-        Voltou logo!
-        O serviço aqui é bom rápido, incubadora, soro, aquecimento. Mas a pobre alma veio. 
Estou sempre atenta ligada e chego junto. Tentaram ressucitação, mas não deu!
-        Vou pirar!?! Me responde uma coisa, como é do outro lado? Para onde vamos? Deus? 
Espírito? Reencarnação, céu, inferno? Acaba tudo mesmo? Sofre-se?Tem-se recompensas ? Vai 
abre o jogo conta como é!? Só para mim vai! Fala o Dr. ansioso.
-        A crise existencial não vem quando se perde a fé, vem quando se deixa de ter dúvidas.
-        Como assim?
-        A certeza que existe algo após a morte pode fazer querer antecipá-la, como fazem os 
mulçulmanos, os samurais. Já a certeza que não existe, traz a desmotivação, o cansaço, e 
o questionamento do porque seguir!?
-        Então? Fala confuso o Dr.
-        Pior porque vem o imobilismo e o terrível medo de vir comigo e partir, deixando tudo. 
Portanto não te posso responder e tirar a sua dúvida, pois, tiraria também de uma só vez 
sua  inabalável esperança!  Disse a Mal vista.
-        O que fazer? O que esperar? Angustia-se mais o Dr.
-        Te respondo com uma pergunta. Porque o alpinista sobe a montanha?
-        Esporte, treino, exercício? Sei lá! Arrisca o Dr.
-        Não Dr., sobe porque a montanha esta lá! Viva porque a vida esta aí.Vale sempre ser 
vivida, e quanto melhor ela for, mais simples será a minha hora. Não perca a dúvida!!
-        Pode ser!
-        Agora é sua vez de me responder, porque insiste tanto em evitar que me aposse de teus 
pacientes, se sou inevitável, inadiável, inexorável.
-        Não sei ao certo, acho que pela dignidade, não se diz que é uma viagem?
-        E é, uma passagem, alguns passarão outros passarinhos! Diz a Velha.
-        Então, ninguém viaja sujo, sofrido, com dor  e sim limpo, sorrindo com dignidade! Como 
diz a Sra. com a esperança de não ir naquela hora.
-        Mas Dr., para quem já viveu que diferença faz o modo que vai deixar de existir?
-        Exercer a fé, velha sra, recuperar, mesmo que no fim. Pensar sempre se eu morrer, e não 
quando eu morrer. Manter a fé, remove o medo. Fazê-lo existir, citando o educador Paulo 
Freire que aliás, a Sra. já levou...
-        De fato, há algum tempo.
-        Concluindo “existir ultra passa viver, porque é mais que estar no mundo, é estar nele e 
com ele”.
-        Complicou demais! Melhor eu na minha e o sr. na sua.
-        Coff. Coff. Tosse o médico.
-        Ih essa tosse sei não!
-        Olha pra lá, é cedo pra mim!
-        Quem sabe? Cuida dos outros, se cuida pouco??
-        Vamos embora dona!?
-        Vamos!
-        A Senhora primeiro! Longe da minha enfermaria!
-        Bom Domingo para o sr. doutor!
-        Para a Sra. e para todos.

JMS