Envelhecimento e Inflamação
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cardio Geriatra
@no_formol
A recente
comprovação de que é possível interferir na formação, evolução, progressão e regressão da placa
aterosclerótica, eminentemente por deposição de gorduras sobre um processo
inflamatório local, com redução da luz arterial, e conseqüente obstrução ou
oclusão de vasos, tem possibilitado uma sucessão de novos conhecimentos ou
quando pouco, novos questionamentos.
O chamado
transporte reverso no qual substâncias ministradas para controle da doença endotelial, parede dos vasos
sanguíneos, que inclui a dislipidemia, hipertensão, diabetes obesidade ou todas
juntas, agem exaurindo a presença das gorduras, colesterol, nas reações bioquímicas
onde são necessárias no organismo humano, fazendo com que roube das placas e as
“queimem” no metabolismo regular, revertendo depósitos arteriais já formados.
Comprovado com
utilização do ultra-som transluminal, dentro do vaso sanguíneo, tem sido motivo
de franco otimismo de quem acompanha pacientes portadores de patologias
envolvidas.
A associação do
processo inflamatório celular as doenças, deixa de ser uma suspeita e vai
tornando-se uma forte tendência, nos mais diversos setores médicos.
A interseção
entre o sistema imunológico, inflamação e produção e facilitação de patologias
parece estar bem estabelecido no idoso, como toda reação lesiva mais exacerbada.
No obeso e em pacientes convalescente de infecção ou câncer, também!
Revisão publicada
na revista Nature, mostra que
mediadores inflamatórios, gerados pelas células do sistema imunológico além de
coordenarem a resposta inflamatória local e sistêmica do organismo, podem atuar
também no cérebro levando a depressão em indivíduos vulneráveis.
Esses mediadores
são conhecidos como citocinas pró-inflamatórias e incluem a interleucina-1 alfa
e beta e a 6, alem do fator de necrose tumoral.
Logo a inflamação
é um evento biológico importante, que pode aumentar o risco a doenças diversas
inclusive a depressão, muito mais que os tradicionais e já consagrados fatores
psicossociais.
Conclui o artigo
citado, que a presença da depressão em pacientes com doença coronária é três
vezes maior em relação a população geral.
A geriatria e
especialidades afins devem estar muito atentos, e informados para conduzir
casos de doenças primárias com desdobramentos secundários à distância, muitas
vezes aparentemente desconectados do caso clínico e de resolução mais difícil. Pacientes
transplantados, suicidas, terminais, devem por eleição, ter abordagem com
noções de técnica de grupo.
O envelhecimento
natural, a exposição a radiação temperaturas extremas, ou pressão em mergulhadores,
ou a altitude em alpinistas, as doenças crônicas cardiocirculatórias, o
estresse crônico, alergias, diabetes, câncer, osteoporose, déficits hormonais,
da tireóide e da hipófise, em estados clínicos ou subclínicos, levam a produção
de substâncias tóxicas que agem a distância piorando as próprias, e gerando novas
patologias, perpetuando o processo inflamatório e a doença.
A utilização de
novos marcadores tem possibilitado observar a presen ça destas atividades em
pacientes acompanhados.
Acredita-se que a
molécula inflamatória NF-kB, cronicamente ativada, seja o elo entre a resposta
inflamatória e as doenças crônicas.
Células chamadas
de natural killer são células de defesas que interferem no processo
inflamatório das doenças, e estão inibidas nas doenças citadas. As
interleucinas 6 são percebidas através de seu metabólito, a proteína C reativa
(pcr) medida comumente na prática clínica.
O fator de
necrose tumoral (FTN), comum nas células adiposas motivo maior da preocupação
com a perda de peso. A homocisteína, o malonildialdeido, as apolipoproteínas,
as lipoproteínas, o anti-ldl oxidado, fazem parte de um recente arsenal de
marcadores através do qual uma gama cada vez maior de especialidades médicas se
valem para determinar agressões orgânicas.
A diversidade de
sistemas atingidos levam a certeza, que o envolvimento profissional, deve ser
multidisciplinar. Conceitos novos levam a superação de pré-conceitos antigos!
Não é mais vigente o olhar sobre sintomas isolados e pontuais, a avaliação
sindrômica é fundamental.
O consórcio das
mais diversas especialidades, convergem a expectativa do processo resolutivo de todas as doenças de dependência da
vascularização normal, descortinando horizontes menos sombrios nos
prognósticos.
JMS
