sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

SÍNDROME DE FRAGILIDADE

Dr João Mariano Sepúlveda
Cardio - Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br


SÍNDROME DE FRAGILIDADE
SARCOPENIA
A geriatria se depara com a nominação e a pesquisa da antiga síndrome de senectude, em gerontes acima dos 65 anos que cursa com a perda involuntária de peso, cansaço desproporcional ao esforço desprendido, redução da velocidade de marcha, redução do nível de vigor físico, com perda de força muscular, e diminuição da atividade mental!
Ao conjunto de ao menos três sinais elencados dá-se o nome do título deste artigo!  Pode-se chamá-la também de SARCOPENIA!
Resumindo, define-se como uma diminuição da reserva funcional, com severos prejuízos na capacidade adaptativa, dificultando o organismo a manter seu equilíbrio em situações de estresse, resultante do declínio cumulativo de múltiplos sistemas, que causam aumento da vulnerabilidade para eventos adversos!
Ainda não é consenso mas quando esse quadro surge sem características de outras patologias, tem-se agrupado nesta classificação!
Torna-se muito mais comum após os 75 anos de idade!
Incide em aproximadamente  17 % desta população!
Principalmente nos tabagistas, obesos ou com baixo peso, e nos depressivos, sobretudo em pacientes de baixo nível socioeconômico!
Algumas patologias parecem levar a uma maior incidência de fragilidade, a saber, infarto, AVC- acidente vascular cerebral, DPOC- doença pulmonar obstrutiva crônica, diabetes, hipertensão, e artrose!
Quadro da alta complexidade que parece ocorrer da interação de distúrbios de inervação, redução hormonal, aumento de mediadores inflamatórios, citocinas inflamatórias, marcadores da coagulação, e alterações alimentares da ingesta protéico-calorica.
Pode cursar com a existência de osteoporose, insuficiências hormonais diversas,  síndrome metabólica, e levam a uma significativa perda de massa muscular, e a um sintoma básico e angustiante para o geronte que é uma fraqueza inexplicável, que o deixa “encabulado”, como afirmam os mais antigos. Confunde-se em fase inicial como uma preguiça exagerada!
Preocupa a incidência de quedas, que se exacerbam nos grupos que sofrem da síndrome de fragilidade, levando a uma precoce perda de autonomia, o que é terrível para o geronte lúcido!
Existem em andamento dois importantes estudos sobre esta síndrome, um no Johns Hopkins Hospital, nos Estados Unidos, e um de âmbito nacional no Brasil, abrangendo as cidades de Campinas, Ribeirão Preto, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, cada um focado em um dos aspectos da doença! O que é altamente estimulante para quem gosta e precisa da pesquisa médica, como a geriatria!
A grande discussão sobre esse quadro é se seria piorado por interações medicamentosas, ou se seria um doença mitocondrial tardia levando a um tipo senil da síndrome de fadiga crônica?!? Ou ainda uma falência hormonal global?
O idoso tem perda de paladar, se alimenta menos, reduzindo seu gasto energético, perde massa muscular, perdendo peso, reduzindo sua força, cansando fácil, reduz a velocidade de marcha, diminui atividade física, gasta menos energia, portanto se alimenta menos fechando o ciclo vicioso da fragilização!
A observação detalhada do idoso pode levar a uma antecipação de diagnóstico, reconhecendo o pré-frágil, aqueles que apresentam os primeiros sinais de comprometimento da síndrome. 
Como em todos os casos médicos a antecipação do diagnóstico, pode ser vital na obtenção do sucesso terapêutico, por ser progressiva e insidiosa e de lenta evolução algumas vezes pode passar para fazes mais avançadas sem que se perceba!
O tratamento cursa com uma dieta supervisionada, com maior aporte protéico em todos os idosos,  alem de uma programação de atividade física apropriada, a reposição da testosterona em homens, parece eficaz e a do hormônio do crescimento quando possível deve ser avaliada!
Fisioterapia e terapia ocupacional sistemáticas parecem ser de enorme valor no sentido da reabilitação precoce, suporte psicológico, social e familiar, no desenvolvimento da doença e avaliação global do idoso de forma sistemática na prevenção!     

JMS

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Enfoque Preventivo

Dr João Mariano Sepúlveda
Cardio  - Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br




Enfoque Preventivo
Quem é o responsável pelas atitudes preventivas em saúde?
Estamos frente a uma tarefa tão hercúlea, quanto inglória no que se refere a prevenção em saúde!
Parece não ser mais suficiente tentarmos alterar o estilo de vida apenas de adultos, necessitamos intervir maciçamente nas consciências dos pais, mostrando a eles o mal que fazem aos seus descendentes, os responsabilizando, pela omissão e negligencia, quanto aos termos de prevenção em saúde infantil.
Cobrar, impor, fere a liberdade, não é de nossa conta, o individuo tem o direito de seguir e viver do jeito que bem quiser....!? Intervenção demais na vida do cidadão!?
Pensava desta forma, porem, vejamos se não é de nossa conta.
Um individuo que fuma, por 30 a 40 anos seguidos, sabe de antemão os riscos cardiológicos, metabólicos e oncológicos ao qual estará sujeito, decorridos determinado espaço de tempo,  porque constam em cada maço de cigarros as consequências! O faz em nome de sua liberdade, muito justo, porem terá um custo social, de saúde publica etc.
Estatisticamente usará mais os serviços de saúde, seja por qualquer intercorrência, que o tabaco ajude  a formar ou agravar, tipo enfisema, cânceres diversos, cardiopatias, pneumopatias, neuropatias, doenças limitantes. Seja o serviço social, pois limitado, terá dificuldades de se locomover, e necessitará de cuidadores que em tese deverão ser custeados pelo SUS....
O problema de liberdade individual, torna-se um caso de interesse coletivo e de alto custo, baseado em uma livre e evitável escolha, a de fumar.
Portanto não deveria ser nenhum absurdo, que um tabagista, tivesse sua contribuição previdenciária recalculada ou perdesse o direito a auxilio as patologias referentes a seu ato de liberdade, assim como fazem as seguradoras quando visualizam riscos aumentados a seus segurados. 
Raciocínio similar para o usuário de drogas, praticantes sexuais promíscuos, e os  que coloquem em xeque a sua saúde e a de outros.
Matéria análoga, tentar alterar alimentação consolidada em adultos e idosos, é tarefa penosa.
Instituir em crianças de tenra idade alimentações salutares, deveria ser missão de responsáveis.
Lares de pais obesos, geram com maior frequência, crianças e jovens obesos, que pode acarretar doenças como hipertensão e diabetes, entre outras,  a opção pelo alimento que se leva para casa é feita pelos pais.
Uma mãe, orientada em segmentos pré natais,  que dá a seus filhos em idades tenras, sem nenhuma capacidade de discernimento,  rotineiramente, alimentos nocivos, embutidos, biscoitos recheados, ricos em sal e conservantes,  por sua incapacidade de educar e ser tutora,  deveria,  passar por cursos e seções de reeducação até estar plenamente apta a orientar a base alimentar de seus filhos. Reincidindo, sofrer punição pecuniária, para cobrir os custos futuros de decisões de cunho individual, que se tornarão de interesse coletivo como demonstramos.
Entendo que famílias de menor poder aquisitivo, tenham de se valer de produtos de menor valor agregado, como massas, farinhas, biscoitos, etc, mas que não devam ser alijadas da prevenção!
O poder publico pode e deve influir usando os impostos como fator indutor.
A renuncia fiscal, e subsídios, para alimentos sabidamente salutares, como frutas, verduras, legumes, cereais, derivados lácteos, naturais, sem açucares e conservantes, pescados etc,  Sobretaxando os alimentos nocivos,  embutidos, com conservantes, biscoitos recheados, refrigerantes, salgadinhos etc, o que de pronto, estimula e inibe, dando um norte ao consumo mais adequando, aos menos afortunados. Investimento com retorno garantido em custos de saúde publica.
A recuperação e estimulação de atividades físicas nas escolas, para prevenir o sedentarismo infantil.
Campanhas maciças e impactantes de informação e educação em saúde, investimentos e principalmente responsabilização, um pai que deveria saber que é proibido um menor de idade ingerir bebidas alcoólicas e mesmo assim o permite, deveria ter a guarda questionada, punição pecuniária, e ser obrigado a frequentar durante um período as seções dos Alcoólicos Anônimos!
Mercados direcionados para o bem coletivo. Se o macarrão instantâneo é uma realidade, que ele seja de extrema qualidade, nutritivo e com limites mínimos de sal, conservantes, e regiamente supervisionados.
Nesses dias de consumo exagerado e descontrole alimentares pensem nisso. Lembrando que o que você faz  com seus hábitos, alimentos  e com aqueles de sua responsabilidade, interfere na saúde e a saúde finda sendo assunto de contas coletivas.
Liberto e voluntarioso,  quando pensares “ninguem tem nada haver com isso...” minha resposta é, será mesmo?
JMS


sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Segunda opinião

Dr João Mariano Sepúlveda
Cardio - Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br


Segunda opinião
Todo paciente e de sobremaneira os mais velhos tem direito e devem exercê-lo, de ouvir uma segunda opinião e ou se for o caso submeter-se a uma junta médica, quando frente a um problema grave, de difícil diagnóstico, ou quando o diagnóstico recebido for como uma sentença, sobre uma doença incurável. Em nosso serviço todas as vezes que informamos a uma família que seu ente querido está acometido de Alzheimer, por exemplo, ato contínuo, sugiro uma segunda opinião a família, para confirmação sobre o diagnóstico, sem decretar uma alteração em diversas vidas envolvidas, em um ato absolutamente solitário e individual.
Muitos pacientes tem em mente uma idéia arcaica, que quando buscam uma outra opinião, estão faltando com lealdade para com seu medico. Como uma quebra de confiança! Ledo engano!
O profissional que se empenha em curar, deve deixar a vaidade de lado a achar ótimo a confirmação e a sedimentação de seu diagnóstico, o que fatalmente ocorrerá, na maioria dos casos, e se assim não for o colega deve repensar sobre sua profissão, ou sobre quem está emitindo a segunda opinião.Caso não se confirme seu diagnóstico, mesmo assim deve ficar satisfeito pois seu paciente encontrou por outros meios a solução que buscava e este é sempre o objetivo do bom profissional!
Algumas vezes para se afirmar, um colega com fraqueza na formação tanto profissional, quanto  do caráter, pode fazer como  faziam em certas ocasiões, quando trocavam o nome comercial do produto prescrito, passando a mesma substância. Falsear a segunda opinião, mas isto deve ser exceção a regra! Hoje com pacientes melhor informados esta situação, é menos freqüente. A maioria dos pacientes pune o mal caráter, como deve ser.
Mas no mundo ideal o recurso de se pedir parecer, protege o paciente o médico, alem de   investi-los de uma grandiosa estatura humana.
Duvidar de um diagnóstico, discutir argumentar, divergir faz parte da formação do profissional da medicina. Estudar casos clínicos é praxe durante o curso de medicina! Como um concurso no qual, um tenta, através de argumentação científica, convencer ao outro que sua hipótese diagnóstica é mais plausível que o de seu contendor, no mais alto nível ético, e sempre com objetivo de encontrar o rumo para seu paciente.
Dizer ao paciente que ele está com um câncer, e que só tem alguns determinados dias de vida, alem de ser muito duro é uma responsabilidade que deve sempre ser compartida, sem nenhum demérito para quem solicitou a opinião.
Humildade é uma qualidade para ser exercida, onde o próximo é sempre o beneficiário, portanto receber um parecer de um colega deve ser motivo de redobrada importância, principalmente de nosso objeto de estudo e motivo de dedicação diária, o paciente.
Entretanto o embasamento pelo exame clínico criterioso, exames complementares adequados e fartos para esgotar todas as possibilidades diagnósticas sem deixar margem as dúvidas quando possível, ou através de teste terapêutico, como no caso da doença de Parkinson, onde com um único comprimido se testa  a melhora sintomatológica, ficando evidente a presença, ou não da doença, o beneficio é sempre para o nosso usuário!
Portanto a próxima vez que seu médico, solicitar um parecer, uma segunda opinião vá logo fazer e retorne para que ele conclua seu diagnóstico, e dê segmento ao seu tratamento com maior segurança e tranqüilidade!  

JMS