sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Enfoque Preventivo

Dr João Mariano Sepúlveda
Cardio  - Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br




Enfoque Preventivo
Quem é o responsável pelas atitudes preventivas em saúde?
Estamos frente a uma tarefa tão hercúlea, quanto inglória no que se refere a prevenção em saúde!
Parece não ser mais suficiente tentarmos alterar o estilo de vida apenas de adultos, necessitamos intervir maciçamente nas consciências dos pais, mostrando a eles o mal que fazem aos seus descendentes, os responsabilizando, pela omissão e negligencia, quanto aos termos de prevenção em saúde infantil.
Cobrar, impor, fere a liberdade, não é de nossa conta, o individuo tem o direito de seguir e viver do jeito que bem quiser....!? Intervenção demais na vida do cidadão!?
Pensava desta forma, porem, vejamos se não é de nossa conta.
Um individuo que fuma, por 30 a 40 anos seguidos, sabe de antemão os riscos cardiológicos, metabólicos e oncológicos ao qual estará sujeito, decorridos determinado espaço de tempo,  porque constam em cada maço de cigarros as consequências! O faz em nome de sua liberdade, muito justo, porem terá um custo social, de saúde publica etc.
Estatisticamente usará mais os serviços de saúde, seja por qualquer intercorrência, que o tabaco ajude  a formar ou agravar, tipo enfisema, cânceres diversos, cardiopatias, pneumopatias, neuropatias, doenças limitantes. Seja o serviço social, pois limitado, terá dificuldades de se locomover, e necessitará de cuidadores que em tese deverão ser custeados pelo SUS....
O problema de liberdade individual, torna-se um caso de interesse coletivo e de alto custo, baseado em uma livre e evitável escolha, a de fumar.
Portanto não deveria ser nenhum absurdo, que um tabagista, tivesse sua contribuição previdenciária recalculada ou perdesse o direito a auxilio as patologias referentes a seu ato de liberdade, assim como fazem as seguradoras quando visualizam riscos aumentados a seus segurados. 
Raciocínio similar para o usuário de drogas, praticantes sexuais promíscuos, e os  que coloquem em xeque a sua saúde e a de outros.
Matéria análoga, tentar alterar alimentação consolidada em adultos e idosos, é tarefa penosa.
Instituir em crianças de tenra idade alimentações salutares, deveria ser missão de responsáveis.
Lares de pais obesos, geram com maior frequência, crianças e jovens obesos, que pode acarretar doenças como hipertensão e diabetes, entre outras,  a opção pelo alimento que se leva para casa é feita pelos pais.
Uma mãe, orientada em segmentos pré natais,  que dá a seus filhos em idades tenras, sem nenhuma capacidade de discernimento,  rotineiramente, alimentos nocivos, embutidos, biscoitos recheados, ricos em sal e conservantes,  por sua incapacidade de educar e ser tutora,  deveria,  passar por cursos e seções de reeducação até estar plenamente apta a orientar a base alimentar de seus filhos. Reincidindo, sofrer punição pecuniária, para cobrir os custos futuros de decisões de cunho individual, que se tornarão de interesse coletivo como demonstramos.
Entendo que famílias de menor poder aquisitivo, tenham de se valer de produtos de menor valor agregado, como massas, farinhas, biscoitos, etc, mas que não devam ser alijadas da prevenção!
O poder publico pode e deve influir usando os impostos como fator indutor.
A renuncia fiscal, e subsídios, para alimentos sabidamente salutares, como frutas, verduras, legumes, cereais, derivados lácteos, naturais, sem açucares e conservantes, pescados etc,  Sobretaxando os alimentos nocivos,  embutidos, com conservantes, biscoitos recheados, refrigerantes, salgadinhos etc, o que de pronto, estimula e inibe, dando um norte ao consumo mais adequando, aos menos afortunados. Investimento com retorno garantido em custos de saúde publica.
A recuperação e estimulação de atividades físicas nas escolas, para prevenir o sedentarismo infantil.
Campanhas maciças e impactantes de informação e educação em saúde, investimentos e principalmente responsabilização, um pai que deveria saber que é proibido um menor de idade ingerir bebidas alcoólicas e mesmo assim o permite, deveria ter a guarda questionada, punição pecuniária, e ser obrigado a frequentar durante um período as seções dos Alcoólicos Anônimos!
Mercados direcionados para o bem coletivo. Se o macarrão instantâneo é uma realidade, que ele seja de extrema qualidade, nutritivo e com limites mínimos de sal, conservantes, e regiamente supervisionados.
Nesses dias de consumo exagerado e descontrole alimentares pensem nisso. Lembrando que o que você faz  com seus hábitos, alimentos  e com aqueles de sua responsabilidade, interfere na saúde e a saúde finda sendo assunto de contas coletivas.
Liberto e voluntarioso,  quando pensares “ninguem tem nada haver com isso...” minha resposta é, será mesmo?
JMS


Nenhum comentário:

Postar um comentário