O tema em questão é tabu em qualquer fase da vida, e piora muito na terceira idade:
Convivência
Conviver, viver com, ou para outro(s), refere-se à intimidade, proximidade, relação!
Conviver é muito difícil, sejam cônjuges, irmãos, filhos, amigos, parentes, vizinhos, ou agregados, em casa, no clube, ou trabalho o exercício e arte do convívio requer concessões progressivas e cada vez maiores, que muitas vezes contaminam as mais firmes relações!
Agrava-se com diferenças de humor, objetivos, classe social, sexo, nível de escolaridade, e tolerância, e faixa etária!
Conviver com pessoas de mais idade é muito mais complexo! O geronte traz indelével as marcas de sua vivencia traduzida em forma de pensar e fazer suas coisas, são únicos e múltiplos, originais dentro do lugar comum, mas tem seu próprio jeito!
Hábitos são maneiras de se fazer a mesma coisa de forma diversa e com efeitos similares, manias são forma de se fazer sempre tudo absolutamente da mesma forma que se fazia há trinta, cinquenta anos e mania é o que mais o geronte cultiva!
Exemplo, aquele Senhor tem o habito de caminhar todas as manhãs, um dia vai à praia, outro ao parque, e às vezes na rua mesmo. Difere daquele que só caminha, no parque usando a pista da direita, em sentido anti-horário, para evitar as bicicletas...
A mania muitas vezes é uma proteção ao esquecimento, quando a incidência de esquecer é intensa, fazer igual imuniza contra a labilidade da lembrança!
Reflete na monotonia da vida do idoso padrão e na monotonia alimentar, onde o processo de repetir “só aquilo que não me faz mal” vira patológico!
Exercer seu jeito, seus hábitos, suas manias, estando em seu espaço é liberdade de viver, fazer o mesmo em convívio familiar é encrenca na certa! Querer que o geronte altere seu jeito e conceda é pedir o improvável, fazer vistas grossas, concedendo indefinidamente é acumular pólvora no fogão!
Importante sempre que possível investir na autonomia e independência do idoso, quando inevitável trazê-lo para perto, mas procurando delimitar espaços, obrigações, limites, para melhor inseri-lo em nosso convívio, quando de outra necessitarmos, nos aproximarmos de nossos ancestrais, galgar lentamente com extremo respeito ao que antes já se havia estabelecido, mesmo contando que haverá zonas de embates!
Algumas doenças e o próprio envelhecimento, com redução de sentidos como visão, audição, tato, olfato e paladar contribuem para o acirramento de certos comportamentos, doenças crônicas, como Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus, Artroses/Artrites, Osteoporoses, Depressões, fases inicias de Parkinson e Alzheimer, favorecem a intimidação, a insegurança e a introspecção do idoso, tornando-o arredio e de mais difícil convivência, ninguém quer ser conscientemente um fardo aqueles que lhe são caros!
Sacrificando ou reduzindo ao indispensável a proximidade, mascaro ou disfarço as mazelas!
Portanto envelhecer por si só já é motivo e fator de isolamento e redução de convívio! O Velho é um solitário, a começar por suas ideias, as quais poucos compartilham, pois seus iguais estão gradativamente perecendo, ou se perdendo no leito do esquecimento, no isolamento da patologia, que pensam, são punições ou castigos por algum mal feito!
Conheço casos em irmãos adoecem por compartilharem com o outro de gênio irascível e maneiras mais egocêntricas, seu dia a dia em constante processo de ceder em tudo e em todos os momentos.
De outra forma tenho um caso de um irmão que não tinha noticias do outro a mais de quarenta anos, e súbito, o sabe vivo, na região central do nosso país, que finda vindo vê-lo, e de tantas culpas, cobranças e emoções, quase morre do reencontro, portanto, o mesmo convívio sempre aconselhado, pode tornar-se fatal em alguns casos.
Idoso hígido que se isola, adoece com mais frequência e o doente que se isola morre mais rápido! Isso mesmo a solidão é agente acelerador de óbitos entre os gerontes!
Fato comprovado cientificamente com trabalhos em comunidades de gerontes nos Estados Unidos e na Inglaterra!
Saber que ajuda todos sabem, gostar no fundo todos gostam o difícil nestes casos é vencer a inércia e dar o “start”, para alterar o encontro marcado do idoso com a solidão!
Apenas o poder trás uma solidão tão maciça quanto o envelhecimento sendo esta reversível, pois o poder, embora alguns políticos pensem ao contrario é efêmero e transitório, o envelhecimento ao contrario é inexorável quando possível!
Fomentar o convívio, a socialização, a real inserção do idoso em sua família, comunidade, cidade..., requer projetos e políticas voltadas ao idoso, desde acessibilidade até distribuição de medicamentos, desde sua utilidade social até enterterimento e lazer!
Hora de saber de seu candidato a vereador e prefeito, o que ele pensa do assunto, se é que eles...?
Conviver com idoso, não significa, aturar ou suportar o velho, e sim ver com respeito a dignidade de quem conseguiu envelhecer!
JMS

