sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O tema em questão é tabu em qualquer fase da vida, e piora muito na terceira idade:

Convivência



Conviver, viver com, ou para outro(s), refere-se à intimidade, proximidade, relação!
Conviver é muito difícil, sejam cônjuges, irmãos, filhos, amigos, parentes, vizinhos, ou agregados, em casa, no clube, ou trabalho o exercício e arte do convívio requer concessões progressivas e cada vez maiores, que muitas vezes contaminam as mais firmes relações!
Agrava-se com diferenças de humor, objetivos, classe social, sexo, nível de escolaridade, e tolerância, e faixa etária!
Conviver com pessoas de mais idade é muito mais complexo! O geronte traz indelével as marcas de sua vivencia traduzida em forma de pensar e fazer suas coisas, são únicos e múltiplos, originais dentro do lugar comum, mas tem seu próprio jeito!
Hábitos são maneiras de se fazer a mesma coisa de forma diversa e com efeitos similares, manias são forma de se fazer sempre tudo absolutamente da mesma forma que se fazia há trinta, cinquenta anos  e mania é o que mais o geronte  cultiva!
Exemplo, aquele Senhor tem o habito de caminhar todas as manhãs, um dia vai à praia, outro ao parque, e às vezes na rua mesmo. Difere daquele que só caminha, no parque usando a pista da direita, em sentido anti-horário, para evitar as bicicletas...
A mania muitas vezes é uma proteção ao esquecimento, quando a incidência de esquecer é intensa, fazer igual imuniza contra a labilidade da lembrança!
Reflete na monotonia da vida do idoso padrão e na monotonia alimentar, onde o processo de repetir “só aquilo que não me faz mal” vira patológico! 
Exercer seu jeito, seus hábitos, suas manias, estando em seu espaço é liberdade de viver, fazer o mesmo em convívio familiar é encrenca na certa! Querer que o geronte altere seu jeito  e conceda é pedir o improvável, fazer vistas grossas, concedendo indefinidamente  é acumular pólvora no fogão!
Importante sempre que possível investir na autonomia e independência do idoso, quando inevitável trazê-lo para perto, mas procurando delimitar espaços, obrigações, limites, para melhor inseri-lo em nosso convívio, quando de outra necessitarmos, nos aproximarmos de nossos ancestrais, galgar lentamente com extremo respeito ao que antes já se havia estabelecido, mesmo contando que haverá zonas de embates! 
Algumas doenças e o próprio envelhecimento, com redução de sentidos como visão, audição, tato, olfato e paladar contribuem para o acirramento de certos comportamentos, doenças crônicas, como Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus, Artroses/Artrites, Osteoporoses, Depressões, fases inicias de Parkinson e Alzheimer, favorecem a intimidação, a insegurança e a introspecção do idoso, tornando-o arredio e de mais difícil convivência, ninguém quer ser conscientemente um fardo aqueles que lhe são caros!
Sacrificando ou reduzindo ao indispensável a proximidade,  mascaro ou disfarço as mazelas!
Portanto envelhecer por si só já é motivo e fator de isolamento e redução de convívio! O Velho é um solitário, a começar por suas ideias, as quais poucos compartilham, pois seus iguais estão gradativamente perecendo, ou se perdendo no leito do esquecimento, no isolamento da patologia, que pensam, são punições ou castigos por algum mal feito!
Conheço casos em irmãos adoecem por compartilharem com o outro de gênio irascível e maneiras mais egocêntricas, seu dia a dia em constante processo de ceder em tudo e em todos os momentos.
De outra forma tenho um caso de um irmão que não tinha noticias do outro a mais de quarenta anos, e súbito, o sabe vivo, na região central do nosso país, que finda vindo vê-lo, e de tantas culpas, cobranças e emoções, quase morre do reencontro, portanto, o mesmo convívio sempre aconselhado, pode tornar-se fatal em alguns casos.
Idoso hígido que se isola, adoece com mais frequência e o doente que se isola morre mais rápido! Isso mesmo a solidão é agente acelerador de óbitos entre os gerontes!
Fato comprovado cientificamente com trabalhos em comunidades de gerontes nos Estados Unidos e na Inglaterra!
Saber que ajuda todos sabem, gostar no fundo todos gostam o difícil nestes casos é vencer a inércia e dar o “start”, para alterar o encontro marcado do idoso com a solidão!
Apenas o poder trás uma solidão tão maciça quanto o envelhecimento sendo esta reversível, pois o poder, embora alguns políticos pensem ao contrario é efêmero e transitório, o envelhecimento ao contrario é inexorável quando possível!
Fomentar o convívio, a socialização, a real inserção do idoso em sua família, comunidade, cidade..., requer projetos e políticas voltadas ao idoso, desde acessibilidade até distribuição de medicamentos, desde sua utilidade social até enterterimento e lazer!
Hora de saber de seu candidato a vereador e prefeito, o que ele pensa do assunto, se é que eles...?      
Conviver com idoso, não significa, aturar ou suportar o velho, e sim ver com respeito a dignidade de quem conseguiu envelhecer!

JMS

sexta-feira, 24 de agosto de 2012


Nem só de medicamentos se vale a Geriatria, nosso tema de hoje trata de uma pratica que ajuda a envelhecer, construir elos na jornada, torna mais segura a chegada!

Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio-Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br



Amizade rejuvenesce

O geronte que envelhece entre amigos, o faz melhor do que aquele que se isola e se exclui da convivência de seus contemporâneos, pois não consegue vivenciar o dia a dia de outros, com seus sucessos, e dramas tão similares, e a forma pela qual se superou certas barreiras, que as vezes parecem intransponíveis para quem segue a margem da convivência.
O agrupamento por afins, é fator limitante na formação e desenvolvimento de doenças do sistema nervoso, principalmente as depressões, as dores crônicas, as fibromialgias  tão prevalentes em pessoas de hábitos ermitões.
Não se deve forçar convívios indesejados, porem o estímulo deve ser constante para superação do isolamento.
Comparando pessoas de idade avançada, residentes em uma cidade inglesa do interior, pôde-se notar que com quadros de patologias similares, as de hábitos solitários, adoeciam com maior freqüência, e pereciam antes de outras com estilo de vida mais socializadas. Atribui-se este fato ao exercício de maior auto estima, naqueles, de costumes sociais mais desenvolvidos, pois freqüentavam mais aos serviços de saúde, procurando auxílio aos primeiros sinais da doença, já os solitários refratários por estilo, muitas vezes chegavam tarde em busca de ajuda!
A redução de rendimentos com conseqüente queda no padrão principalmente após a aposentadoria, muitas vezes compulsória, ou compulsiva, ou às vezes ao menos impulsiva, levando a perda ou redução de sua utilidade social, também pode ser forte fator de isolamento do geronte.
Aqueles que têm seus rendimentos mais comprometidos tendem a se excluírem mais!
A sua inclusão ou permanência em grupos da terceira idade ou as universidades, ou até mesmo a freqüência assídua em cursos, aulas e palestras agem como fatores preventivos preciosos na morti, morbidade do idoso!
Sentimentos “do bem” são generosos na produção de substâncias neuroransmissoras, que fazem bem ao organismo, como oxitocina, dopamina, endorfinas, serotonina, que agem melhorando o humor, disposição física, e psíquica, e a memória!
Em contrapartida, o isolamento e o acúmulo de mágoas, rancores e iras, que ocupam espaços em mentes ociosas,  produzem sustâncias nocivas, como as citosinas tóxicas, marcadores de lesão, que podem levar a diversas doenças relativas ao stress, inclusive circulatórias.   
Nenhum sentimento é tão construtivo quanto a verdadeira amizade, a quantidade de substâncias estimulantes e protetoras que este sentimento produz supera em muito, até mesmo o maior e mais fantástico sentimento que é a paixão, pois, esta é muito conflituosa!
Aconselho sempre aos mais velhos serem como o sábio, que perguntado qual a melhor profissão se poderia escolher aconselhou a de construtor, mas não para construir casas, templos ou castelos, mas sim para erguer pontes, pois estas servem para aproximar as pessoas! Fazer amizades é viver construindo pontes! Elos entre iguais!
A desculpa às vezes de não se fazer amigos é a falta de tempo pela necessidade de se ganhar a vida.
Tente perguntar ao seu dinheiro o que fazer num momento de aflição, no qual de um tudo já se tentou e não se conseguiu a adequada solução! Em seguida faça o mesmo com seus amigos, veja se nota alguma diferença.  Faça então sua opção de levar a vida somente a juntar dinheiro, ou se por outro lado não vale a pena tirar algum tempo para se cercar de pessoas que lhe desejem algum bem! Mesmo que isso signifique sacrificar um pouco o seu projeto de acúmulo de bens!
Amizade é projeto de cultivo permanente, pois como diz um provérbio africano, “amizade é um caminho que desaparece na areia, se não se pisa nele regularmente”.
Vinicius de Moraes, dizia: “amizade é um sentimento mais nobre que o amor porque permite que o objeto desta, seja dividido em outros afetos. O amor tem intrínseco o ciúme que não admite rivalidade. A gente não faz amigos, reconhece-os”.
Portanto siga construindo pontes!

JMS

sexta-feira, 17 de agosto de 2012


Tratar é fácil, fazer o paciente aderir é nosso tema de hoje:

Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br




Adesão: Desafio Médico

A prática médica agrega um foco de muito difícil resolução, a adesão do paciente ao que lhe é proposto!  Receber, admitir, colher a história clinica solicitar os exames, encaminhar a outros especialistas, sugerir procedimentos, tudo isso é muito simples se comparado a aceitação do diagnostico, e a adesividade do paciente a plano terapêutico feito pelo médico!
O paciente que procura um profissional de saúde aceita quase todo o ritual, mas quando chega ao diagnóstico começa a confrontação e a negação da doença, primeira reação à presença de uma lesão! O tratamento também regularmente é rejeitado, manipulado, reduzido ou até mesmo ignorado na íntegra!
Alguns detalhes podem fazer toda a diferença na construção da relação médico/paciente!
Deve-se levar ao médico seus sintomas, não suas suspeitas de doença. Deixe que o profissional formule sua impressão diagnostica, não tente induzi-lo!
Objetividade e clareza deve ser norma quando se vai expor o que esta sentindo, detalhes, como horário do sintoma, o que faz aumentar ou diminuir, por exemplo, ajudam  muito na investigação diagnóstica! Listar sintomas e eventos ajuda a evitar os lapsos de memória e direciona ao motivo pelo que você foi procurá-lo!
Muito comumente, do meio para o fim da consulta pergunto “Como vai sua memória?” Escuto, “Nossa foi por isso mesmo que eu vim aqui e já ia me esquecendo”.
Disponha de seus exames mais recentes, mas não esconda diagnósticos de biópsias, cateterismos e aqueles não regulares, colonoscopias, endoscopias etc., tente apresentá-los em ordem cronológica e relacionada com os fatos que relata!  
O acompanhante quando discreto e colaborativo ajuda muito, porem quando inconveniente  e quando tenta tirar proveito da consulta para resolver seu próprio caso, atrapalha!  Acompanhantes de idosos com déficit de memória são fundamentais!
Levar a listagem de medicamentos em uso, e aqueles que causaram reações adversas e processos alérgicos, auxilia o profissional em sua prescrição e evita recorrência em erros já superados. Quando esquecer ligue para casa e pergunte para alguém que possa informar!
Dúvidas devem ser esclarecidas na hora, não saia da consulta inseguro ou com posições antagônicas ao profissional que você elegeu! Pergunte questione porem não teime, se o seu médico acha que você é alérgico a lactose faça o teste para avaliar antes de dizer que isso é besteira!
Pacientes esclarecidos e informados ajudam aos profissionais, os com idéias preestabelecidas nem tanto, saber que cólicas, diarréias, perda de apetite e de peso, muitos gazes, flatulência, anemia, com pele amarelada são sinais de colite é legal, esperar um câncer, antes de uma parasitose é tornar complexa uma coisa simples! A regra é pensar em escada, onde os primeiros degraus são as doenças de baixa complexidade, que vão aumentando à medida que se descartam!  
Sugestionáveis no Google, protagonizam filmes de terror, se você é impressionado com doenças ou tem atitudes hipocondríacas, não fique se martirizando, lendo as ultimas noticias médicas!   
Medicamento não é carro ou roupa, portanto, deixe o seu médico decidir pelo novo ou antigo, querer tomar sempre o ultimo lançamento, muitas vezes pode transformá-lo em estatística sobre efeitos adversos! Logicamente ninguém em sã consciência deve privar seu paciente das melhores chances de melhora! Porem, querer usar isso ou aquilo porque seu amigo, parente ou conhecido está usando, passado por um medalhão é ostentação perigosa!
Adesão é prática de confiança, se você acha que não vai usar o que lhe foi receitado, se questiona, pense antes, o que foi fazer em seu consultório? Lembre que tem direito a uma outra opinião, mas de nada adianta se quiser manobrar a consulta e o diagnóstico o problema persistirá, pois esta em seu posicionamento!
Evite testar seu médico, isso pode gerar ao menos uma prevenção defensiva dele para com você e prejudicar seu julgamento!
Finalmente pense sempre que por mais formal que pareça, seu médico está sempre do seu lado e não contra você! Torne-o seu cúmplice e aliado e procure fazer o que ele sugere! Quando precisar escute sempre uma segunda opinião, profissionais bem preparados não às temem, nem as condenam, pois, trazem mais segurança a ambos!   
       
JMS

sexta-feira, 10 de agosto de 2012




Dr. João Mariano Sepúlveda

Cárdio Geriatra

@no_formol

www.medicareclinica.com.br


Pai Velho

Constante e comumente recebo pais amuados e introspectos, levados a meu serviço por zelosos e prestimosos filhos, que tentam a todo custo restaurar a fortaleza daqueles que nunca adoeceram e encontram-se combalidos, comprometidos e com seu propósito distorcido!
Ao invés de cuidar, torna-se o objeto do cuidado, ao invés de proteger, fragilizado pelas agruras da idade e/ou doença, demanda proteção, momento muito delicado!
Há uma alteração, inversão, uma mudança na naturalidade do processo, pois o convencionado é o Pai cuidar do filho!
Eventualmente esse propósito se perde, quando um Pai morre, adoece, se afasta, abdica, abandona!
Qual o propósito de um Pai?
O propósito da arma é matar, do carro o transporte, do relógio o tempo, maquinas tem propósitos únicos e bem definidos e quando param são consertadas ou descartadas!
O propósito do caminho é o destino, da fé a esperança, do amor a generosidade, da viagem a saudade, da loucura a sanidade, do celibato a castidade!
Qual o propósito de um pai?
Auxiliar a mãe, proteger, prover, dar segurança, apoiar, contemplar, estar próximo, mesmo ausente, perto mesmo distante, direcionar e moldar caráter e sentimentos.  Servir de modelo, exemplificar.  Pais cuidadores formam filhos comprometidos, que assumem o propósito dos Pais e agem de maneira a serem eles os Pais. Irmãos mais velhos assumem a função quando da perda do Pai precocemente, e guiam os mais jovens!  Absorvem o propósito!  
Velhos Pais chegam intimidados com sua autoestima em baixa, pois pensam já não ter mais valia se não podem  eles cuidarem de suas proles, acham-se estorvos, trabalho e demandas aos filhos, deprimem-se, adoecem, sofrem muito esses pobres tolos, no bom sentido, por esta  alteração no que lhes foi ancestralmente passado!     
Maquinas se restauram, objetivos se recuperam, pessoas não, estas sofrem muito quando  perdem seu propósito, ficando  sem rumo, vagando, perdido em meio a fatos novos, confusos, dispersos!
Historicamente, Pais se achavam apenas na obrigação de prover, deixando o ônus afetivo em dobro com as mães, posteriormente, passam a ser apenas geradores de nova descendência, deixando milhares  de “mulheres de Atenas”, devidamente prenhes e responsáveis pela criação, o que ainda, infelizmente, é muito comum gerando quadros em programas de TV como “Fantástico”, em TV aberta e programas, em TV fechada, como “Em busca do Pai”, na GNT, o conhecido abandono afetivo ainda é regra de pais imaturos!
Felizmente a maioria se restaura com a idade e tenta reparar as peripécias de juventudes ineptas! Porque descobrem-se quando alheios e desvinculados a prole sem seu propósito original!
O PAI ensinou aos Pais que devemos ser ponte, elos para evolução e crescimento dos filhos, objeto de respeito, admiração, espelho! Como diz o poeta “... o meu medo maior é o espelho se quebrar...”!
Dar amor e receber de volta, respeitar dando limites e orientação claras.
Propiciar o conhecimento, clareando  trevas de ignorância, e a luz da fé, professada em qualquer religião!
Lumiar!
Então qual o propósito de um Pai Velho?
“O que eu falo já não se escreve!”
“Nem os bichos lá de casa me obedecem!”
“Agora querem mandar em mim!”
“Não escolho nem minha comida, a ração já vem pronta!”
“Meus netos me acordam e me expulsam da sala!”...
São assertivas comuns do Pai velho, que se acha sem função, pois Pai que não guia é planta sem fruto, sem semente, descendência se deixa, por exemplo!
Tristes ou depressivos por excesso de ontem, ansiosos por excesso de amanhã, inseguros pela certeza da impermanencia! Participativo ou omisso, valente ou covarde, corajoso ou medroso, alegre ou depressivo, informal ou elegante, repressor ou liberal, mandão ou maníaca, seja qual forem as qualidades ou defeitos do seu, espero que ele esteja próximo, pois só não dá  suportar  o ausente, seja por morte ou opção é pena sempre dura de cumprir!  
Sejam lá as características que tiverem, penso que Pais, não ficam velhos, cristalizam-se, e quando chegam nesta fase são como a segunda voz da dupla sertaneja, o Chororó do Chitãozinho, ou como o humorista secundário, que faz a “escada” para o principal, o Dedé do Didi, ou seja, embora pensem não servir para muita coisa, sua presença faz o outro aparecer com segurança, seu suporte sustenta a evolução e sua falta é irreparável, sua perda quase intolerável!
Portanto Pais Velhos mesmo que lhes pareçam sem motivo, saibam que ainda lhes resta o propósito do próprio PAI!

JMS

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Abuso, negligência e exploração do idoso!

Constantemente vemos na televisão através de câmaras escondidas, cenas de cuidadores de idosos ou babás de crianças, os sujeitando aos mais diversos tipos de violências e maus tratos.
Graças à Deus são uma minoria os abusadores, sendo a maioria verdadeiros exemplos de dedicação e carinho aos mais velhos, hoje trataremos desta nefasta exceção.
O idoso dependente é por si só um grande desafio a ser gerido e  cuidado, o idoso demenciado ou incapaz é indefeso e presa fácil para pessoas desajustadas, recalcadas, ou até mesmo despreparadas para o ato de cuidar do próximo necessitado.
O profissional  da área  deve estar atento a pequenos sinais, desde relacionamento até marcas físicas presentes no geronte.
A autonegligência é aquela auto infringida ou por inicio de processos mentais, ou solidão de grandes cidades, com formação de estranhos hábitos e manias, medos e inseguranças levando a descuidos.
A negligência passiva é aquela causada pelo nível de informação do cuidador, não chega a ser considerado mau trato, pois, não ocorre por má fé e sim por desconhecimento de como fazer, pode ser revertida com informação e treinamentos.
A negligência ativa ou dos atendentes é aquela que inclui a má-fé como ingrediente de base, e afeta a todos os níveis sociais, e pode estar ligada ao uso de drogas, ou violência familiar ou conjugal vigente ou prévia.
O abuso pode ser emocional ou psicológico, no qual se causam intimidação mediante gritos, insultos, ameaças ou silêncio. Pode ser abuso físico causado por agressões físicas as mais diversas. O abuso sexual que é físico na essência, porém agrega o componente da violação inconsentida se cometido em incapazes.
A exploração financeira, ocorre quando do mau uso ou posse de proventos sem o prévio consentimento, ou conhecimento por parte do geronte.
Os principais achados físicos de abusos são, presença de hematomas compressivos, principalmente que circundam todo o braço por exemplo, e que sugerem uma compressão excessiva que não deve ser confundida com a púrpura do idoso que cursa com fragilidade capilar intensa. Hematomas em forma de algum objeto, ferro, fivela, mão, etc.
Fraturas, deslocamentos, estiramentos e outros sinais de força aplicada.
Lesões por atrito em pulsos e tornozelos que caracterizem contenção por cordas, e também queimaduras em locais improváveis como nádegas e costas são lesões suspeitas.
Ausências localizadas de cabelos, em pontos de muito implante pode ser decorrente de puxões brutos.
Os principais indicadores de negligência que devem alertar o profissional, são a desnutrição crônica, a desidratação recorrente, a presença de úlceras de decúbito, as contraturas musculares, a higiene mal feita, as assaduras e queimaduras por urina ou fezes.
Monilíases.
Superdosagens de sedativos muito comum em pacientes institucionalizados, ou quando o cuidador maneja bem os medicamentos. Aqui recordo um caso de uma senhora do interior, cuja a filha tem nome de flor, e que certa vez ficou desnorteada, pois a mãe hiperativa e hipercinética, de uma hora para outra ficou plácida, sonolenta, inapetente! Mandamos suspender toda a medicação por uma semana e a paciente como por encanto melhorou, mais tarde a família descobriu que uma das cuidadoras aumentara significativamente seus medicamentos sedativos para ter menos trabalho. 
 Apenas um indicador não é suficiente para se formatar acusações de negligência ou abusos, porem os somatórios de vários indícios devem ser vistos com redobrada atenção.
A exploração financeira pode ser percebida mediante a discrepância entre estilos de vida tanto do geronte que pode mais do que tem demonstrado ter, quanto ao do gestor de   seus proventos, podendo mais do que realmente tem. Sinais exteriores de enriquecimento  devem ser considerados.
Em casa o responsável pode ser um cuidador profissional ou um parente, indiferente a laços familiares, o descuido ocorre sempre de onde menos se espera.
Nas instituições podem ocorrer dois tipos de negligencias ou abusos aquele onde o individuo falha ou age contra as normas do local, burlando o que é proposto. Ou  descuido institucional onde por motivo financeiro ou de falta de pessoal em numero adequado se usa de meios de contenção ou sedação exagerada.
De uma forma ou de outra devemos atentar aos sinais da ocorrência para tentar reduzir ao máximo essa possibilidade.! Agora saber o que leva seres humanos à praticas tão hediondas  contra criaturas tão frágeis e dependentes é tese de doutorado não conclusa!
Para se pensar!!! 

JMS