sexta-feira, 17 de agosto de 2012


Tratar é fácil, fazer o paciente aderir é nosso tema de hoje:

Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br




Adesão: Desafio Médico

A prática médica agrega um foco de muito difícil resolução, a adesão do paciente ao que lhe é proposto!  Receber, admitir, colher a história clinica solicitar os exames, encaminhar a outros especialistas, sugerir procedimentos, tudo isso é muito simples se comparado a aceitação do diagnostico, e a adesividade do paciente a plano terapêutico feito pelo médico!
O paciente que procura um profissional de saúde aceita quase todo o ritual, mas quando chega ao diagnóstico começa a confrontação e a negação da doença, primeira reação à presença de uma lesão! O tratamento também regularmente é rejeitado, manipulado, reduzido ou até mesmo ignorado na íntegra!
Alguns detalhes podem fazer toda a diferença na construção da relação médico/paciente!
Deve-se levar ao médico seus sintomas, não suas suspeitas de doença. Deixe que o profissional formule sua impressão diagnostica, não tente induzi-lo!
Objetividade e clareza deve ser norma quando se vai expor o que esta sentindo, detalhes, como horário do sintoma, o que faz aumentar ou diminuir, por exemplo, ajudam  muito na investigação diagnóstica! Listar sintomas e eventos ajuda a evitar os lapsos de memória e direciona ao motivo pelo que você foi procurá-lo!
Muito comumente, do meio para o fim da consulta pergunto “Como vai sua memória?” Escuto, “Nossa foi por isso mesmo que eu vim aqui e já ia me esquecendo”.
Disponha de seus exames mais recentes, mas não esconda diagnósticos de biópsias, cateterismos e aqueles não regulares, colonoscopias, endoscopias etc., tente apresentá-los em ordem cronológica e relacionada com os fatos que relata!  
O acompanhante quando discreto e colaborativo ajuda muito, porem quando inconveniente  e quando tenta tirar proveito da consulta para resolver seu próprio caso, atrapalha!  Acompanhantes de idosos com déficit de memória são fundamentais!
Levar a listagem de medicamentos em uso, e aqueles que causaram reações adversas e processos alérgicos, auxilia o profissional em sua prescrição e evita recorrência em erros já superados. Quando esquecer ligue para casa e pergunte para alguém que possa informar!
Dúvidas devem ser esclarecidas na hora, não saia da consulta inseguro ou com posições antagônicas ao profissional que você elegeu! Pergunte questione porem não teime, se o seu médico acha que você é alérgico a lactose faça o teste para avaliar antes de dizer que isso é besteira!
Pacientes esclarecidos e informados ajudam aos profissionais, os com idéias preestabelecidas nem tanto, saber que cólicas, diarréias, perda de apetite e de peso, muitos gazes, flatulência, anemia, com pele amarelada são sinais de colite é legal, esperar um câncer, antes de uma parasitose é tornar complexa uma coisa simples! A regra é pensar em escada, onde os primeiros degraus são as doenças de baixa complexidade, que vão aumentando à medida que se descartam!  
Sugestionáveis no Google, protagonizam filmes de terror, se você é impressionado com doenças ou tem atitudes hipocondríacas, não fique se martirizando, lendo as ultimas noticias médicas!   
Medicamento não é carro ou roupa, portanto, deixe o seu médico decidir pelo novo ou antigo, querer tomar sempre o ultimo lançamento, muitas vezes pode transformá-lo em estatística sobre efeitos adversos! Logicamente ninguém em sã consciência deve privar seu paciente das melhores chances de melhora! Porem, querer usar isso ou aquilo porque seu amigo, parente ou conhecido está usando, passado por um medalhão é ostentação perigosa!
Adesão é prática de confiança, se você acha que não vai usar o que lhe foi receitado, se questiona, pense antes, o que foi fazer em seu consultório? Lembre que tem direito a uma outra opinião, mas de nada adianta se quiser manobrar a consulta e o diagnóstico o problema persistirá, pois esta em seu posicionamento!
Evite testar seu médico, isso pode gerar ao menos uma prevenção defensiva dele para com você e prejudicar seu julgamento!
Finalmente pense sempre que por mais formal que pareça, seu médico está sempre do seu lado e não contra você! Torne-o seu cúmplice e aliado e procure fazer o que ele sugere! Quando precisar escute sempre uma segunda opinião, profissionais bem preparados não às temem, nem as condenam, pois, trazem mais segurança a ambos!   
       
JMS

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