Tratar
é fácil, fazer o paciente aderir é nosso tema de hoje:
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br
Adesão: Desafio Médico
A prática
médica agrega um foco de muito difícil resolução, a adesão do paciente ao que
lhe é proposto! Receber, admitir, colher
a história clinica solicitar os exames, encaminhar a outros especialistas,
sugerir procedimentos, tudo isso é muito simples se comparado a aceitação do diagnostico,
e a adesividade do paciente a plano terapêutico feito pelo médico!
O
paciente que procura um profissional de saúde aceita quase todo o ritual, mas
quando chega ao diagnóstico começa a confrontação e a negação da doença,
primeira reação à presença de uma lesão! O tratamento também regularmente é rejeitado,
manipulado, reduzido ou até mesmo ignorado na íntegra!
Alguns
detalhes podem fazer toda a diferença na construção da relação médico/paciente!
Deve-se levar
ao médico seus sintomas, não suas suspeitas de doença. Deixe que o profissional
formule sua impressão diagnostica, não tente induzi-lo!
Objetividade
e clareza deve ser norma quando se vai expor o que esta sentindo, detalhes,
como horário do sintoma, o que faz aumentar ou diminuir, por exemplo, ajudam muito na investigação diagnóstica! Listar
sintomas e eventos ajuda a evitar os lapsos de memória e direciona ao motivo
pelo que você foi procurá-lo!
Muito
comumente, do meio para o fim da consulta pergunto “Como vai sua memória?” Escuto,
“Nossa foi por isso mesmo que eu vim aqui e já ia me esquecendo”.
Disponha
de seus exames mais recentes, mas não esconda diagnósticos de biópsias,
cateterismos e aqueles não regulares, colonoscopias, endoscopias etc., tente
apresentá-los em ordem cronológica e relacionada com os fatos que relata!
O
acompanhante quando discreto e colaborativo ajuda muito, porem quando
inconveniente e quando tenta tirar proveito
da consulta para resolver seu próprio caso, atrapalha! Acompanhantes de idosos com déficit de memória
são fundamentais!
Levar a
listagem de medicamentos em uso, e aqueles que causaram reações adversas e processos
alérgicos, auxilia o profissional em sua prescrição e evita recorrência em
erros já superados. Quando esquecer ligue para casa e pergunte para alguém que
possa informar!
Dúvidas
devem ser esclarecidas na hora, não saia da consulta inseguro ou com posições
antagônicas ao profissional que você elegeu! Pergunte questione porem não
teime, se o seu médico acha que você é alérgico a lactose faça o teste para
avaliar antes de dizer que isso é besteira!
Pacientes
esclarecidos e informados ajudam aos profissionais, os com idéias preestabelecidas
nem tanto, saber que cólicas, diarréias, perda de apetite e de peso, muitos
gazes, flatulência, anemia, com pele amarelada são sinais de colite é legal,
esperar um câncer, antes de uma parasitose é tornar complexa uma coisa simples!
A regra é pensar em escada, onde os primeiros degraus são as doenças de baixa
complexidade, que vão aumentando à medida que se descartam!
Sugestionáveis
no Google, protagonizam filmes de terror, se você é impressionado com doenças
ou tem atitudes hipocondríacas, não fique se martirizando, lendo as ultimas
noticias médicas!
Medicamento
não é carro ou roupa, portanto, deixe o seu médico decidir pelo novo ou antigo,
querer tomar sempre o ultimo lançamento, muitas vezes pode transformá-lo em
estatística sobre efeitos adversos! Logicamente ninguém em sã consciência deve
privar seu paciente das melhores chances de melhora! Porem, querer usar isso ou
aquilo porque seu amigo, parente ou conhecido está usando, passado por um
medalhão é ostentação perigosa!
Adesão é
prática de confiança, se você acha que não vai usar o que lhe foi receitado, se
questiona, pense antes, o que foi fazer em seu consultório? Lembre que tem direito
a uma outra opinião, mas de nada adianta se quiser manobrar a consulta e o
diagnóstico o problema persistirá, pois esta em seu posicionamento!
Evite
testar seu médico, isso pode gerar ao menos uma prevenção defensiva dele para
com você e prejudicar seu julgamento!
Finalmente
pense sempre que por mais formal que pareça, seu médico está sempre do seu lado
e não contra você! Torne-o seu cúmplice e aliado e procure fazer o que ele
sugere! Quando precisar escute sempre uma segunda opinião, profissionais bem
preparados não às temem, nem as condenam, pois, trazem mais segurança a ambos!
JMS
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