sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013


Desidratação no idoso
 
Dr. João Mariano Sepulveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
 
 
 

O corpo humano possui dois terços de água em sua composição, apenas oito por cento do total encontra-se na corrente sanguínea, quando se quebra o equilíbrio hídrico, o corpo desidrata. 
Presente em cem por cento da população acima de 60 anos em maior ou menor grau, quando se exacerba, torna-se vilã temida pela geriatria. A perspiração, perda de vapor d’água pela respiração, e a transpiração, fenômenos fisiológicos, quando excessivos, desencadeiam  o processo.  Pode cursar isolada ou como em sua maioria, associada a infecções, agudas ou crônicas. Produz em seu portador um sem números de sintomas, que por sua diversidade confundem os responsáveis, familiares, ou médicos, tornando mais difícil e complexo a recuperação do paciente acometido.
Tudo começa com a saída de líquidos de dentro das células, para socorrer uma necessidade urgente de compensação, hidro-eletrolítica, normalmente o idoso já é hiponatrêmico, tem baixa concentração do elemento sódio,   por dieta recomendada por seus médicos, pois o sódio esta envolvido no mecanismo responsável pela hipertensão,  por monotonia alimentar,  por perdas ligadas ao uso de diuréticos e outros medicamentos e no pós operatório. Também tem forte déficit de outros íons, como potássio, magnésio, cálcio, que contribuem de forma decisiva no quadro de desidratação.
Alterações climáticas como calor em excesso, e o frio extremo. Doenças renais, endócrinas, pancreáticas, gastroentéricas, como desinteiras, ou diarréias são causas corriqueiras da perda de íons e líquidos. A diabetes mellitus é motivo comum. A desnutrição e a anorexia nervosa são menos freqüentes. Mas nada se compara com as infecções como causas da desidratação. Nestas principalmente a infecção do trato urinário são freqüentes nos idosos. 
Mudança de hábitos, diminuição de apetite, sede manifesta, o idoso normalmente, não tem sede, caso esta aumente muito, curse com pele e boca, muito ressecada, com perda de elasticidade, redução drástica na diurese, são sinais clássicos de desidratação. Náuseas, enjôos, vômitos, apatia, fraqueza, hipotensão com tonteiras ao se levantar, sensação de perda eminente de sentidos,  confusão mental, incluindo muito comumente o delírio, e as vezes até mesmo convulsões!
A perda de peso, hipotensão arterial, e as taquicardias são sinais da desidratação no geronte.
O choque é o desfecho mais grave desta doença com agressões a órgãos alvos como rins, fígado, e cérebro. Uma vez neste estágio torna-se difícil a reversão do quadro!
O diagnóstico é clinico, porem as dosagens de eletrólitos, principalmente o sódio, cloro e potássio e sumário de urina, para verificação da densidade, podem contribuir para quantificação do desequilíbrio!
Quando sentimos sede já estamos 2% desidratados em relação à normalidade, devemos pois ingerir em media, dois litros de água diariamente, porem lembrar que não deve ser de bebidas alcoólicas, pois ao invés de hidratarem, desidratam, alem de fragilizarem o organismo de quem as consomem!
O tratamento passa pela reposição de fluidos de sódio e outros íons. A redução temporária no consumo de diuréticos, principalmente durante os meses de verão, com novo ajuste no inverno, aumento na ingesta hídrica, água, sucos, chás, água do coco, bebidas isotônicas e reposição mineral geral, alem de controle de ambientes refrigerados, que aumentam muito as necessidades hídricas do idoso!
O controle de infecções, e quando for muito severa deve contar com a internação para repor fluidos e sódio. Aqui como em tudo que permeia a geriatria, o bom senso e a agilidade devem ser a norma!    

JMS

 

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Depressão no idoso
 
 
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
 
O envelhecimento normal é por si só um forte agente de abatimento, restrição, entretecimento, angústias, ansiedades, medos, inseguranças, cansaço, com comprometimento da qualidade de vida, conflitos existenciais, e seqüela emocional.
Diversas condições ambientais, patológicas, sociais, financeiras, familiares, pessoais, podem ser agentes de alterações emocionais que cursam ou culminam com um quadro depressivo no geronte!
A classificação causal das depressões podem todas se encaixar nas depressões senis, senão vejamos, a endógena é aquela que vem com a pessoa desde sempre e persiste quando de seu envelhecimento!
A reativa, que é em reação a alguma situação vivencial traumática, muito usual no idoso!
A secundária que vem após alterações orgânicas, e destas a mais comum é a depressão vascular, que ocorre depois de eventos vasculares cerebrais sejam isquêmicos ou hemorrágicos, mas podem incidir, em quadros hipertensivos, de arritmias, como a fibrilação atrial, a diabetes, ou o hipotireidismo entre outros.
Envelhecer leva a perdas, sejam de reflexos, de mobilidade, perda do espaço e utilidade ocupacional e as vezes social! O isolamento e a solidão também são fatores desencadeadores dos distúrbios comportamentais e do humor.
As alterações persistentes do humor os surtos de ansiedade, devem ser vistos como gatilhos para quadros depressivos.
A incapacidade física pela senilidade, é fator de risco, pois gera muito estresse, a imobilidade, dor, traumas, hospitalização demorada, reabilitação intensiva, eventos vitais negativos, como, perdas de parentes, ou amigos, materiais, ou sociais, a sensação da perda do controle sobre sua própria vida, a baixa auto estima, desmoralização, crises interpessoais, levam a percepção do envelhecimento, a redução da saúde mental e autonomia funcional, gerando depressão!
Preocupação excessiva com a aparência, memória, função sexual, geram insegurança, o transtorno de ansiedade, o pânico e finalmente a depressão.
A síndrome da fadiga crônica e a fibromialgia, são degraus na direção da depressão!
O luto principalmente do cônjuge ou descendentes é fator quase instantâneo na produção desta patologia.
Os sintomas da doença são vários, dores de cabeça, ou peso nas pernas, insônia, adinamia, medos, angústias, tristezas, palpitações, diarréias, prisão de ventre, déficit imunológico, com aumento de incidência de infecções, como gripes ou herpes, alergias, dores de estomago..., e podem confundir o medico, em um primeiro momento, que nunca é o psiquiatra, podendo ser o clinico, geriatra ou cardiologista, que identificando devem tentar uma estratégia terapêutica, e quando resistente, com manias, ou surtos psicóticos, e com ideações suicidas, devem ser orientados ao psiquiatra.
No diagnostico deve-se lembrar da pseudodemencia depressiva, quando o idoso, tem agudo comprometimento da memória, por depressão, confundindo o quadro com demência pela presença das alterações cognitivas, que podem ser melhor elucidados, através do Exame Neuropsicologico, realizado por psicólogos especializados,  que demostrará uma flutuação, da memória, porem sem o comprometimento  demencial.
O fato de se diagnosticar a depressão como causa amnésica é animador, uma vez que é reversível, diferente da demência, definitiva, no entanto lembrar que estas patologias podem coexistir.
O tratamento da depressão, passa pela correção dos fatores causais, como valorização social, comunitária, estimulo constante da auto estima, psicoterapia, e terapia comportamental cognitiva e ocupacional, quando houver concurso da memória, atividade física, terapia das comorbidades desencadeantes, alem do uso de medicamentos antidepressivos, estabilizadores de humor, antipsicóticos, ansiolíticos, hipinóticos, sedativos, analgésicos, mio-relaxantes entre outros.
 A duração do tratamento deve ser mantida por período superior a seis meses, podendo chegar a dois anos, para se evitar o fenômeno da reentrada, quando os sintomas recrudescem e não reagem mais ao retorno do medicamento original, obrigando a um aumento nas doses e na quantidade de medicamentos! Alguns pacientes deverão manter a medicação em uso contínuo!       
Casos mais complexos exigem a associação de mais de duas drogas, porem penso que acima de antidepressivo/ ansiolíticos, devamos conduzir ao especialista da área.
A solidariedade e o suporte familiar são suplementos valiosos no sucesso terapêutico, a utilização de vitaminas e minerais, mal não fazem, os estimulantes de serotonina, e da melatonina, como chocolate e leite morno são belos auxiliares aos medicamentos. A pena como regra é sentimento dispensável, o respeito aos sintomas e ao paciente por mais disparatados que pareçam as queixas deve ser norte na abordagem.            
Trabalhos recentes comprovam que o distanciamento, a solidão, e o baixo índice de convivência, principalmente familiar, são agentes desencadeadores das mais diversas doenças, como hipertensão, diabetes, obesidade, depressão,  entre outras, podendo ser minorada, até mesmo com a colocação de referencias fotográficas nos ambientes de trabalho, portanto, lembre-se sempre, amar e respeitar a família, fazer e manter amizades, conviver faz bem a saúde .
JMS

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Imunossenescencia
 
 Dr. João Mariano Sepulveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
 
 
 
 
Refere-se à redução imunológica relativa ao envelhecimento!
O homem sempre vai lutar e se empenhar para imortalidade, mesmo que muitas vezes não admitam isso, porem se há um caminho para se viver mais e ou muito mais, esta obrigatoriamente associado à imunidade, a não doenças!
Recentemente divulgou-se que o homem que viverá 150 anos já nasceu,  é verdade, entre todas a teses sobre o envelhecimento, a imunológica, pode e deve vir a ser a chave  para o prolongamento substancial da sobrevivência!
A principal causa imunológica deve-se ao dano cromossômico, em suas extremidades, onde ficam os telômeros, que funcionariam como tampas, ou acabamentos cromossomiais, que impediriam sua deteriorização, sendo mantido hígido, mantém o DNA das células isentos ou com menores possibilidades de danos!
Bactérias, vírus, células oncológicas, stress contínuo, entre outros, produzem citocinas que geram enzimas do tipo telomerases, que desarranjam as estruturas dos telômeros, “desfiando” as pontas dos cromossomos!   
O ciclo vicioso do envelhecimento, levando a redução imunológica, favorecendo as infecções, exigindo uso de quimioterápicos, que reduzem as defesas e aumentam o dano celular, e assim sucessivamente até que já não haja mais como interromper este moto contínuo!
As respostas imunes podem ser de duas formas as humorais, que tem como exemplo as citocinas e as mediadas por células, tipo linfócitos T, qualquer dano sejam infecciosos, ou tumorais promovem e desencadeiam um processo reparador que quando comprometido, vão corromper e modificar as respostas de defesa!
A involução da glândula Timo, pelo envelhecimento, reduz a produção dos linfócitos T e B virgens, e excreção das interleucinas 2, agente recrutador de outras células de defesa e talvez venha a ser o local de interseção que propicie um aumento da longevidade!
A imunocompetência, comprometida em cascata, com o envelhecimento, implica em modificações celulares que comprometem todo sistema regulador hormonal, com alteração na produção de melatonina, hormônio do crescimento, aumento de cortisol e ativador inflamatório, alfa feto e Fator de Necrose Tumoral, geradores de stress oxidativo reativo com aumento agudo e contínuo do envelhecimento celular e deste como um todo!
Distúrbios emocionais, como a depressão, por exemplo, deprimem também o sistema imunológico, piorando as condições de envelhecimento, inclusive a agudização da aterosclerose como doença auto imune!      
A perda da imunocompêtencia, em indivíduos mais velhos pode ser parcialmente compensada por suplementação nutricional de micronutrientes, como Zinco, Cobre, Selênio entre outros, e anti oxidantes como vitamina E, C, D, beta caroteno e as do complexo B, o uso da leveduras, dos lactobacilos e mais recentemente do colostro humano,  que agem como agentes imunomoduladores!
O conceito, fenótipo de risco imune pode ser proposto para indivíduos acima de 65 anos para tentar determinar, o perfil de risco precoce!
Lições dos centenários, mediterrâneos em trabalhos com a população da Calábria, região da Itália, com litoral acidentado, montanhoso, pastoril, que exige, longas caminhadas para se locomoverem, ou no máximo, uma bicicleta, registram presença e manutenção da produção hematológica, com linfócitos T estáveis, citotoxidade, por linfócitos preservada, redução do estresse oxidativo, aporte genético protetor, restrição calórica, pela dieta do Mediterrâneo, rica em polifenóis, resveratrois, ômegas, oligoelementos minerais, alem de vitaminas, juntamente com o absoluto controle do estresse que promovem um sono reparador e eficaz!
Observando este modelo podemos por analogia, intuir como fazer para obter-se uma eficaz imunomodulação, juntamente a utilização das células tronco para Alzheimer e Parkinson, e Imunoterapia para Aterosclerose, controle da apoptose celular, com estimulação da imunidade inata, anti bacteriana, e a modulação de genes do sistema imune  quintuplicando, isso mesmo, a expectativa de vida!  
A manutenção da higidez imunológica, pode vir a ser a chave de um  aumento exponencial, na expectativa de vida, portanto provavelmente sim, já nasceu o humano que quebrará a barreira dos 150 anos!
Imunomodulação, os hábitos e costumes que interferem nela já estão elencados, as praticas clinicas estão por “minutos” em termos de ciência, portanto siga preservando seu templo, que dependendo do estado dele valerá a pena ganhar um “up grade” de permanência, vale conferir! 
JMS

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013


Demências reversíveis

Dr. João Mariano Sepulveda
Cardio Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br



 

Sempre que nos lembramos dos problemas de memória, pensamos imediatamente na Demência de Alzheimer, muito comum, de incidência universal, e hoje bem reconhecida tanto por médicos, como por profissionais afins.
Entretanto nem só desta vive a prática geriátrica em seu dia a dia, uma boa parcela de distúrbios de memória são compostos das causas potencialmente reversíveis das demências, nosso artigo de hoje vem elencar tais possibilidades.
A memória é elo frágil, no contexto de funcionamento cerebral e pode ser afetada por vários fatores, é comum após traumas cranianos ocorrerem lapsos e amnésias dos mais diversos padrões, em períodos extremamente variáveis.
Toxinas, sejam pós consumo alcóolico, ou de outras drogas como cocaína, maconha, etc, metais pesados, como chumbo, manganês, mercúrio, arsênico, ou venenos orgânicos, como solventes e inseticidas, ingeridos acidental ou propositalmente.     
Tumores como gliomas, meningiomas, e metásteses de carcinomas, linfomas e leucemias, são causas também freqüentes de demências, flutuantes, e insidiosas.
Infeções como os diversos tipos de meningites, abscesso cerebral, sífilis e AIDS, e doenças auto imunes, como vasculite do sistema nervoso central, arterite temporal, lúpus eritrematoso, e esclerose múltipla são agentes precursores de lapsos cognitivos recorrentes. Sarcoidose, hidrocefalia, apnéia do sono estão entre as causas inespecíficas de deficit cognitivo agudo.
Distúrbios metabólicos como hipo ou hiper tireiodismo, hipoglicemia, queda de açúcar no sangue, o aumento ou diminuição do sódio, assim como o aumento do cálcio sérico. A diminuição da função da hipófise. As doenças de Wilson, hepática, de Addison e Cushing, supra-renal, bem como as insuficiências renais e hepáticas são motivos corriqueiros de surtos demenciais reversíveis.
Deficiências nutricionais, os deficits de vitaminas B1, B6, B12 e folatos também levam processos amnésicos.
Doenças psiquiátricas, como depressão, esquizofrenia, algumas manias e psicoses são motivos das perdas de memória, assim como o uso de drogas, cardíacas, como antiarrítmicos, anti hipertensivos, digitálicos, do sistema nervoso central, como antidepressivos, ansiolíticos, sedativos, hipnóticos, e anticonvulsivantes.
Determinada a causa do processo demencial, corrige-se quando possível, restaurando total ou parcialmente a atividade cognitiva.
Porém deve-se atentar à sinais que indicam de maneira muito próxima a presença de uma demência  reversível ou não. São eles:
Perda de memória que afeta as relações pessoais, quando o esquecimento ocorre com mais freqüência, sem que seja possível lembrar-se, por exemplo, de nomes, telefones, compromissos, etc.
Dificuldades para executar tarefas domésticas, quando atividades simples e rotineiras, como acender e apagar o fogo do fogão, são esquecidas, podendo oferecer risco.
Problemas com vocabulário, quando ocorre o esquecimento de palavras comuns, podendo acontecer até a substituição por outras totalmente inadequadas.
Desorientação no tempo e espaço, quando ocorre dificuldade para localizar-se dentro da própria casa, um determinado cômodo ou, ainda, para localizar a própria casa na rua onde vive.
Incapacidade para julgar situações, quando existe diminuição ou perda do senso crítico, levando a pessoa a ter comportamentos não usuais ou estranhos frente a outras pessoas.
Problemas com raciocínio abstrato, quando existe, por exemplo, dificuldade para entender e controlar o próprio dinheiro, talão de cheques ou cartão bancário.
Colocar objetos em lugares errados, quando, por exemplo, a pessoa guarda o relógio no açucareiro ou um ferro elétrico na geladeira.
Mudanças de humor ou comportamento, quando se observam variação da calma seguidos de crises de choro, ou sinais de raiva descontrolada, sem nenhum motivo aparente.
Alterações na personalidade, quando, por exemplo, a pessoa demonstra medo,  complexo de perseguição, desconfiança e ou confusão.
Perda de iniciativa, quando a pessoa, torna-se muito passiva, necessitando de estímulos para voltar a se envolver em alguma atividade.
Todos estes sinais, divulgados rotineiramente por órgãos de acompanhamento, quando detectados precocemente, servem de gatilho agilizador ao início da terapêutica nas demências.
JMS