sexta-feira, 25 de maio de 2012

Projetamos e ansiamos por trocas afetivas menos conflituosas, o convívio, muitas vezes, sabota essa afetividade, é sobre isso nosso artigo de hoje:

 Estelionato Emocional
Qual o tipo de sentimento entregamos em nossas relações diárias, como encaminhar tão delicada questão com os nossos idosos dependentes?
Recebo rotineiramente pacientes e acompanhantes para atendimento, acho sempre importante a participação de parentes, familiares, ou agregados, que se interessam pela saúde, pelas dificuldades daqueles que me procuram.
Muito comum também é um tipo de relação conflituosa, que tanto pode ser do acompanhante para com o paciente, mais freqüente, ou vice-versa.
Consiste em um comportamento instável, ríspido, reativo, como se não fizessem aquilo com gosto, mas como uma indesejada obrigação, permeada de suspiros, impaciência, para com os relatos mais longos e repetitivos, como se quisessem se desincumbir logo deste fardo!
Permeam-se com um senta, levanta, correções bruscas, questionamentos de responsabilizações, como “também não pode melhorar, faz o que bem quer...”, ou “peraí, isso não tem importância, ele não é medico de olho”, vetando queixas, com uma autoridade que, se irrita a mim, imagina a quem esta sendo imputada, nestes casos, comumente tomo partido, pedindo para que permitam-me conduzir a consulta!
De outra forma eventualmente, são os próprios que intimidam seus acompanhantes, repelindo apartes, recusando auxílios muitas vezes pertinentes, de forma, deselegante e as vezes agressiva, ainda bem que este tipo de comportamento, não é regra, e sim exceção! Porque isso ocorre e como tentar evitar é o que tentaremos abordar neste artigo!
A doença per si, a dependência motora, ou financeira, a cronicidade de quadros e a manutenção de posições conflitantes, muitas vezes anacrônicas, ou de difícil sustentação, são motivos geradores de conflitos! A dificuldade de compreender e aceitar as mudanças, limitações e as recompensas, melhoras  flácidas, geram frustrações, que projetam responsabilidades, culpas, com revanches e vendetas mesquinhas diárias, seguindo ao massacre da convivência!
Relações humanas desde que o mundo é mundo, baseiam-se em permuta de sentimentos, os doadores e os receptores, que sobrepõe e sugam aqueles que se permitem doar, um não existe sem o outro, porem, dependendo da intensidade podem causar danos psíquicos, e em casos extremos, ate físicos!
A  subserviência, é motivo e motor para o domínio ser exercido, aquele que se dispõe a servir, na pratica, se realiza com isso, muitas vezes é considerado, fraqueza ou que outros se aproveitam, mas no fundo é consentido, consciente ou inconscientemente.   
Dependentes subjugados, podem tornar-se provedores dominadores, quando instados a exercer tal papel, ou seja, agora é minha vez!
Algumas vezes em casos, limítrofes a patologia, as pessoas perdem a capacidade de doar um sentimento leve, restaurador e distribuem um misto de magoas e angustias entremeados de culpas e responsabilizações vãs, como a dizer “olha o tempo que estou perdendo com você”!
Muito comum em pessoas que projetam relações ideais e recebem relações reais, que obviamente não lhes satisfazem, causando decepções em cascata, tornando principal investidor do capital emocional, da conjunção entre duas pessoas. Obrigado, dentro da relação a dar algo, sem ter o que dar, começa a se inquietar, impacienta-se, irrita-se até com a respiração, daquele que outrora fora seu objeto de adoração, embora projetado, implica e começa a procurar e sublinhar defeitos toleráveis e tornar nítidos, os mais marcantes.
Estelionato emocional, “prometeu”, mas não consegue entregar, tem dificuldade em manter em primeiro plano o amor!
 Neste ponto a convivência esta comprometida, sejam, pais e filhos, cônjuges, ou simplesmente cuidadores.
Hora de repensar se há como reparar ou se vai seguir, fornecendo aos outros os restos dos sentimentos que já não suporta reter, e avaliar se ocorre apenas com uma pessoa especifica, que deva ser afastada do convívio, ou se é comportamento recorrente, e quem precisa de reparo é você.
Preocupa quando este comportamento é direcionado a um incapaz, crianças muito jovens ou idosos muito velhos e senis, pois, não podem entender nem se defender, nas crianças criam-se traumas muitas vezes irreparáveis de rejeição, ou redirecionamento afetivo!
Nos gerontes senis, observar apenas se houver agressões físicas, raras, mas que ocorrem, nos não senis valorizar queixas e alterar responsáveis quando possível!
Quase todos nós em algum momento de nossas vidas, direcionamos a alguém um sentimento menos nobre, mas os sistemas de reparo devem estar ativados, para que não virem um modo de ser!
O exercício prazeroso da convivência com a incondicionalidade do amor, podem ser a saída, para esses males, pois, como dizia o poeta “é preciso amar, como se não houvesse amanhã, pois se parar pra pensar...”!! 
JMS

sexta-feira, 18 de maio de 2012



João Mariano Sepúlveda

Cardiogeriatra

www.medicareclinica.com.br

@No_formol


Vinculado a nosso site, nosso blog vem dar acesso a temas geriátricos, preventivos, e situações afins, neste texto demos vazão a um delírio imaginativo contextualizado, de como seria...

A cidade ideal do idoso

Recentemente fui instado ao exercer uma consultoria a pensar como seria o local ideal para os gerontes habitarem.
A pergunta era sob uma ótica geriátrica qual seria a cidade dos sonhos dos idosos?  Que transponho alem do trabalho!
Teria de ter muita luminosidade, ser ensolarada, para os manter aquecidos, fixando a vitamina D em seus ossos, porem arborizada e ventilada para proteger suas frágeis peles dos raios UVB, evitando o câncer! Entre Trópicos!
Seria em uma área onde a poluição não fosse tão dramática, como nos grandes centros, teria os recursos tecnológicos de uma grande cidade sem perder o intimismo das pequenas.
Seria muito plana sem grandes aclives e declives e teria calçadas, que seriam largas, consecutivas e liberadas para os pedestres, com iluminação noturna adequada, sinalizada de maneira nítida, sem ser confusa, com recalques sonoros e visuais em todos seus cruzamentos.
A luz e o som do sinal fechado por exemplo. Redundância positiva!
Seria limpa, bonita, livre de poluições visuais e sonoras, em ritmo minimalista, economizando o planeta, consumindo o estritamente necessário, o que realmente fosse ser utilizado. Ecológica!
Parques, orlas ou bosques seriam adequados para utilização regular dos mais velhos, com projetos de meditação, ioga e tai chi chuam, dança, entre outros.
As pistas de rolamento de automóveis teriam faixas preferenciais para os idosos condutores, porem, seria uma cidade onde os transportes coletivos, fossem destinados e adaptados ao usuário preferencial, ônibus, vans, metrôs, trens, e até mesmo taxis,  teriam subsídios ao comprarem combustíveis com os passes de transporte de gerontes. Mobilidade!
Ciclovias e pistas de caminhadas com bicicletas para locação, e estimulo a seu uso, a economia em saúde compensa qualquer investimento em atividade física, nutricional e em saúde mental!
Alguns estudos, afirmam que para cada unidade monetária, aplicada tem–se doze de economia em utilização dos serviços de saúde, podendo chegar a cinquenta dependendo do nível de excelência aplicada. Economia!
A cidade ideal dos idosos, teria uma real política de saúde, direcionada ao envelhecimento saudável do cidadão com gestores técnicos, capacitados e comprometidos apenas com suas metas de realização meritórias, e não com os apadrinhamentos viciados em conchavos impublicáveis de marionetes medíocres, que se submetem em troca dos caraminguás, que aplacam seus escassos ideais! Ops!!!
Na cidade ideal dos mais velhos teríamos um hipertrofiado sistema de Assistência Social, com frequência quase que diária, as residências do gerontes dependentes, para supervisionar medicamentos, higiene e alimentação, em uma “Condicional” para que ele pudesse se manter independente e ao mesmo tempo amparado. Quando cessasse esta condição se albergaria o individuo.
Medicamentos, materiais de uso continuo como fraldas, absorventes, a atenção primária saúde, enfermagem, fisioterapia, odontologia, nutrição, terapeutas ocupacionais, educadores físicos, em ombros para se tentar evitar a doença e quando ela viesse, fosse precocemente detectada e controlada. Prevenção!
Teríamos em cada setor da cidade um núcleo/albergue, setorizado humanizado e mantido pelo poder publico, onde se atenderiam aos doentes e se alojariam os dependentes, em sistema continuo ou de “day use”, como se faz nas creches infantis. Com centros comunitários agregados para desenvolverem atividades para os geronte hígidos, que muitas vezes podem e devem ser voluntários, nos cuidados e amparo dos desprovidos, tais centros podem estar ligados ao  ensino, que os utilizariam como campo de pratica e vivenciamento  de seus estudantes.  Interdisciplina! Simples assim!
Seria uma cidade segura e justa para com seus moradores, evitando os impostos em cascata a quem tanto já contribuiu com seu crescimento, logo, se já paguei um imposto para receber segurança publica, saneamento... Não preciso contratar esse mesmo serviço novamente. A idade fragiliza, e para o frágil a segurança é fundamental! Proteção!
Como uma cidade programada para terceira idade teríamos centros de excelência em áreas afins ao envelhecimento, como geriatria, neurologia, neurociencias, próteses ortopédicas.... Enfim um enorme núcleo de desenvolvimento humano voltado para longevidade com qualidade de vida! Geradora!!!
A cidade ideal do idoso teria um parlatório do velho, em uma casa política das já existentes, e semi-ociosas, para não se gastar dinheiro com mais obras, onde os idosos registrariam suas ideias, repassando para comunidade a experiência armazenada e muitas vezes sub utilizada!  Utilidade Social!
Teriam muitos cafezinhos, de encontro, para se discutir façanhas, bailes vespertinos com conjuntos ou até mesmo orquestras, para os dançarinos se mostrarem, cinemas, teatros e shows, com uma atividade cultural ativa. Laser!
Boas praças para se efetuar novas cortes e se perpetuarem as antigas.
Bons restaurantes com boas sopas e comidas leves no cardápio.
Acessibilidade como regra e não como favor, respeito por principio e não por imposição! Estilo!
Informática sim com cursos e oficinas para vencer a desconfiança, porem jornais, livros e revistas com letras maiores.
Gentileza, educação e preferência, como limite, em todos os setores.
Uma previdência complementar ao idoso que se fixasse nesta cidade, como um bônus pela escolha! Antecipação!
A cidade ideal em nosso pais, ou em Portugal, teria um Mensalão de proventos, advindos de Precatórios devidos ao povo, que qualquer hora destas, irromperá como uma Cachoeira em  busca do que lhe é de direito!
Mas e os recursos para uma cidade como esta? De onde tirar? Do parágrafo anterior! 


JMS

sexta-feira, 11 de maio de 2012


João Mariano Sepúlveda

Cardiogeriatra

@no_formol


Iniciamos a postagem de temas relativos à terceira idade, doenças do envelhecimento, geriatria, gerontologia, cardiologia e medicina bio ortomolecular, matérias afins a nossa pratica diária.
Esperamos com isso contribuir com uma visão mais ampla no olhar da doença, do doente e de possíveis soluções para ambos.
Manteremos uma regularidade nas postagens para que você tenha sempre um assunto novo e sobre ótica atual no que se refere a pratica inexorável do envelhecimento! 

Estimulação Cerebral Profunda
Uma visão do clinico sobre novas propostas terapêuticas para antigos problemas.
Sou do tempo em que a Neurologia ainda chamava uma “aura epilética” de disritmia cerebral, antes de haverem as convulsões tinha-se uma disritmia, apoiada por uma desorganização do Eletroencefalograma Cerebral, e isso foi verdade por muitos anos, há mais de trinta!
Nem aura, nem muito menos disritmia se usa mais quando se abordam estas patologias, mas que coisa intuitiva a época!!?
Em recente evento misto sobre Neuropsicologia, frequentei aulas sobre um procedimento que poderá trazer em breve respostas para um sem numero de perguntas sobre doenças neuropsiquiátricas, que dá titulo a esse artigo.
Trata-se do implante intracerebral de redes paralelas de eletrodos, conectados a um marca-passo, estimulador, que coordena e regula a passagem da eletricidade cerebral, assim como a liberação ordenada das substancias neurotransmissoras e produção de um “pulso” de função de um órgão lesionado.
Similar ao marca-passo cardíaco, é no cérebro que ele mostra todo seu potencial.
Para o tratamento da Doença de Parkinson, e Tremores Essenciais, já é considerado, padrão ouro, em pacientes previamente selecionados, e obedecidos protocolos específicos e já esta autorizado pelo FDA, órgão americano similar a ANVISA brasileira que regula a validade das terapias, há mais de dez anos.
O mesmo acontece na epilepsia refratária a tratamentos convencionais e com exames de Ressonância Magnética normais.
A evolução terapêutica nestas patologias é questão de ajustes de variáveis, e são muitas, o local do eletrodo, seu tamanho, a frequência de ondas, e sua amplitude, e potencia, quando todas estas estiverem sob controle é possível que se tenha uma individualidade para cada paciente, e para cada tipo de patologia e seus subgrupos.
Porem o que empolga é o potencial do que vem sendo estudado neste campo.
Patologias psiquiátricas, como depressão maior refratária a tratamentos convencionais, inclusive quando falha a Eletroconvulsoterapia, olhem o antigo cruzando o caminho do moderno novamente, transtornos obsessivos compulsivos, psicoses maníaco depressivas, em estudos mas com resultados animadores.
Na Neurologia em processos de distonia, quando o nervo fica permanentemente relaxado, e espasticidade, quando fica contraído, nas lesões cerebelares, no pós trauma e nas sequelas dos acidentes vasculares cerebrais, na dor crônica e nevralgia do trigêmeo, torcicolo, e síndrome de Tourette, que são os famosos tiques nervosos, movimentos repetitivos involuntários e de difícil controle, também parece ter um futuro promissor.
Na oftalmologia se realizou recentemente o implante de um chip, com eletroestimulação retro retiniana com recuperação parcial da visão. Mesmo não sendo exatamente o mesmo processo o principio é similar.
O processo é muito simples, e como todo bom procedimento atual, minimamente invasivo, consiste de um sistema de três elementos, o gerador de impulsos implantados, é uma caixa de titânio, que envolve pilhas ou baterias, implantado no abdome, ou na região sub clavicular, que enviam impulsos elétricos ao cérebro, através da extensão, fio isolado, que segue pelo pescoço, por trás da orelha até o cérebro onde vai se conectar com a liderança ou chumbo, que é um fio isolado, com quatro eletrodos em platina e irídio, que vão sob anestesia local e com a colaboração do paciente ser implantado em uma das três regiões especificas do cérebro comprometido. O restante da cirurgia é realizada com anestesia geral.
O procedimento se baseia na plasticidade cerebral sua capacidade adaptativa, e no estimulo e ativação de uma rede neural, que por algum motivo tem sua função reduzida, desordenada ou subutilizada, e até mesmo na Doença de Alzheimer, vem sendo testado, embora ainda sem grandes respostas, mas devido as suas variáveis ainda dá para se ter alguma esperança.
O Magnetoeletroencefalograma, e a Ressonância Magnética Funcional veem sendo exames prévios de eleição para determinar áreas de baixa atividade metabólica e elétrica no tecido cerebral, orientando os procedimentos necessários.
Muito em breve penso que muitos dos atuais problemas neuropsiquiátricos, que hoje nos atormentam e dificultam a recuperação de nossos pacientes, terão neste procedimento sua solução ou ao menos adiarão seu desfecho!
Devemos ter em mente que não se trata de panaceia, e nem vem para curar todos os males, alem de ser um método dispendioso, mas que nos enche de esperança, para tentarmos saídas, onde parecia não mais haver , isso lá é verdade!!
Não tardará, seremos muito mais biônicos, que imaginaram nossos melhores escritores de ficção cientifica.
Articulações e hastes de ligas metálicas, dentes implantados, lentes oculares e chips retinianos e auditivos, cócleas artificiais, marca passo cerebral, cardíaco, válvulas cardíacas, aortas de teflon para correção de aneurismas, stents vasculares de todos os tipo, próteses penianas, silicone para mamas e glúteos, “roupa” de mobilidade para tetraplégicos, válvulas para hidrocefalia, reparação por células tronco, nanotecnologia, miniaturização do tratamento, excelência pela saúde e pela vida, não confundir com excelências na saúde!
Admirável mundo novo!!
JMS.