sexta-feira, 11 de maio de 2012


João Mariano Sepúlveda

Cardiogeriatra

@no_formol


Iniciamos a postagem de temas relativos à terceira idade, doenças do envelhecimento, geriatria, gerontologia, cardiologia e medicina bio ortomolecular, matérias afins a nossa pratica diária.
Esperamos com isso contribuir com uma visão mais ampla no olhar da doença, do doente e de possíveis soluções para ambos.
Manteremos uma regularidade nas postagens para que você tenha sempre um assunto novo e sobre ótica atual no que se refere a pratica inexorável do envelhecimento! 

Estimulação Cerebral Profunda
Uma visão do clinico sobre novas propostas terapêuticas para antigos problemas.
Sou do tempo em que a Neurologia ainda chamava uma “aura epilética” de disritmia cerebral, antes de haverem as convulsões tinha-se uma disritmia, apoiada por uma desorganização do Eletroencefalograma Cerebral, e isso foi verdade por muitos anos, há mais de trinta!
Nem aura, nem muito menos disritmia se usa mais quando se abordam estas patologias, mas que coisa intuitiva a época!!?
Em recente evento misto sobre Neuropsicologia, frequentei aulas sobre um procedimento que poderá trazer em breve respostas para um sem numero de perguntas sobre doenças neuropsiquiátricas, que dá titulo a esse artigo.
Trata-se do implante intracerebral de redes paralelas de eletrodos, conectados a um marca-passo, estimulador, que coordena e regula a passagem da eletricidade cerebral, assim como a liberação ordenada das substancias neurotransmissoras e produção de um “pulso” de função de um órgão lesionado.
Similar ao marca-passo cardíaco, é no cérebro que ele mostra todo seu potencial.
Para o tratamento da Doença de Parkinson, e Tremores Essenciais, já é considerado, padrão ouro, em pacientes previamente selecionados, e obedecidos protocolos específicos e já esta autorizado pelo FDA, órgão americano similar a ANVISA brasileira que regula a validade das terapias, há mais de dez anos.
O mesmo acontece na epilepsia refratária a tratamentos convencionais e com exames de Ressonância Magnética normais.
A evolução terapêutica nestas patologias é questão de ajustes de variáveis, e são muitas, o local do eletrodo, seu tamanho, a frequência de ondas, e sua amplitude, e potencia, quando todas estas estiverem sob controle é possível que se tenha uma individualidade para cada paciente, e para cada tipo de patologia e seus subgrupos.
Porem o que empolga é o potencial do que vem sendo estudado neste campo.
Patologias psiquiátricas, como depressão maior refratária a tratamentos convencionais, inclusive quando falha a Eletroconvulsoterapia, olhem o antigo cruzando o caminho do moderno novamente, transtornos obsessivos compulsivos, psicoses maníaco depressivas, em estudos mas com resultados animadores.
Na Neurologia em processos de distonia, quando o nervo fica permanentemente relaxado, e espasticidade, quando fica contraído, nas lesões cerebelares, no pós trauma e nas sequelas dos acidentes vasculares cerebrais, na dor crônica e nevralgia do trigêmeo, torcicolo, e síndrome de Tourette, que são os famosos tiques nervosos, movimentos repetitivos involuntários e de difícil controle, também parece ter um futuro promissor.
Na oftalmologia se realizou recentemente o implante de um chip, com eletroestimulação retro retiniana com recuperação parcial da visão. Mesmo não sendo exatamente o mesmo processo o principio é similar.
O processo é muito simples, e como todo bom procedimento atual, minimamente invasivo, consiste de um sistema de três elementos, o gerador de impulsos implantados, é uma caixa de titânio, que envolve pilhas ou baterias, implantado no abdome, ou na região sub clavicular, que enviam impulsos elétricos ao cérebro, através da extensão, fio isolado, que segue pelo pescoço, por trás da orelha até o cérebro onde vai se conectar com a liderança ou chumbo, que é um fio isolado, com quatro eletrodos em platina e irídio, que vão sob anestesia local e com a colaboração do paciente ser implantado em uma das três regiões especificas do cérebro comprometido. O restante da cirurgia é realizada com anestesia geral.
O procedimento se baseia na plasticidade cerebral sua capacidade adaptativa, e no estimulo e ativação de uma rede neural, que por algum motivo tem sua função reduzida, desordenada ou subutilizada, e até mesmo na Doença de Alzheimer, vem sendo testado, embora ainda sem grandes respostas, mas devido as suas variáveis ainda dá para se ter alguma esperança.
O Magnetoeletroencefalograma, e a Ressonância Magnética Funcional veem sendo exames prévios de eleição para determinar áreas de baixa atividade metabólica e elétrica no tecido cerebral, orientando os procedimentos necessários.
Muito em breve penso que muitos dos atuais problemas neuropsiquiátricos, que hoje nos atormentam e dificultam a recuperação de nossos pacientes, terão neste procedimento sua solução ou ao menos adiarão seu desfecho!
Devemos ter em mente que não se trata de panaceia, e nem vem para curar todos os males, alem de ser um método dispendioso, mas que nos enche de esperança, para tentarmos saídas, onde parecia não mais haver , isso lá é verdade!!
Não tardará, seremos muito mais biônicos, que imaginaram nossos melhores escritores de ficção cientifica.
Articulações e hastes de ligas metálicas, dentes implantados, lentes oculares e chips retinianos e auditivos, cócleas artificiais, marca passo cerebral, cardíaco, válvulas cardíacas, aortas de teflon para correção de aneurismas, stents vasculares de todos os tipo, próteses penianas, silicone para mamas e glúteos, “roupa” de mobilidade para tetraplégicos, válvulas para hidrocefalia, reparação por células tronco, nanotecnologia, miniaturização do tratamento, excelência pela saúde e pela vida, não confundir com excelências na saúde!
Admirável mundo novo!!
JMS.

Nenhum comentário:

Postar um comentário