João Mariano
Sepúlveda
Cardiogeriatra
@no_formol
Esperamos com isso contribuir com
uma visão mais ampla no olhar da doença, do doente e de possíveis soluções para
ambos.
Manteremos uma regularidade nas
postagens para que você tenha sempre um assunto novo e sobre ótica atual no que
se refere a pratica inexorável do envelhecimento!
Estimulação Cerebral Profunda
Uma visão do clinico sobre novas propostas
terapêuticas para antigos problemas.
Sou do tempo em que a Neurologia ainda chamava uma
“aura epilética” de disritmia cerebral, antes de haverem as convulsões tinha-se
uma disritmia, apoiada por uma desorganização do Eletroencefalograma Cerebral,
e isso foi verdade por muitos anos, há mais de trinta!
Nem aura, nem muito menos disritmia se usa mais
quando se abordam estas patologias, mas que coisa intuitiva a época!!?
Em recente evento misto sobre Neuropsicologia,
frequentei aulas sobre um procedimento que poderá trazer em breve respostas
para um sem numero de perguntas sobre doenças neuropsiquiátricas, que dá titulo
a esse artigo.
Trata-se do implante intracerebral de redes
paralelas de eletrodos, conectados a um marca-passo, estimulador, que coordena
e regula a passagem da eletricidade cerebral, assim como a liberação ordenada
das substancias neurotransmissoras e produção de um “pulso” de função de um
órgão lesionado.
Similar
ao marca-passo cardíaco, é no cérebro que ele mostra todo seu potencial.
Para o tratamento da Doença de Parkinson, e Tremores
Essenciais, já é considerado, padrão ouro, em pacientes previamente
selecionados, e obedecidos protocolos específicos e já esta autorizado pelo
FDA, órgão americano similar a ANVISA brasileira que regula a validade das
terapias, há mais de dez anos.
O mesmo acontece na epilepsia refratária a
tratamentos convencionais e com exames de Ressonância Magnética normais.
A evolução terapêutica nestas patologias é questão
de ajustes de variáveis, e são muitas, o local do eletrodo, seu tamanho, a
frequência de ondas, e sua amplitude, e potencia, quando todas estas estiverem
sob controle é possível que se tenha uma individualidade para cada paciente, e
para cada tipo de patologia e seus subgrupos.
Porem o que empolga é o potencial do que vem sendo
estudado neste campo.
Patologias psiquiátricas, como depressão maior
refratária a tratamentos convencionais, inclusive quando falha a Eletroconvulsoterapia,
olhem o antigo cruzando o caminho do moderno novamente, transtornos obsessivos
compulsivos, psicoses maníaco depressivas, em estudos mas com resultados animadores.
Na Neurologia em processos de distonia, quando o
nervo fica permanentemente relaxado, e espasticidade, quando fica contraído,
nas lesões cerebelares, no pós trauma e nas sequelas dos acidentes vasculares
cerebrais, na dor crônica e nevralgia do trigêmeo, torcicolo, e síndrome de
Tourette, que são os famosos tiques nervosos, movimentos repetitivos
involuntários e de difícil controle, também parece ter um futuro promissor.
Na oftalmologia se realizou recentemente o implante
de um chip, com eletroestimulação retro retiniana com recuperação parcial da
visão. Mesmo não sendo exatamente o mesmo processo o principio é similar.
O processo é muito simples, e como todo bom
procedimento atual, minimamente invasivo, consiste de um sistema de três
elementos, o gerador de impulsos implantados, é uma caixa de titânio, que
envolve pilhas ou baterias, implantado no abdome, ou na região sub clavicular,
que enviam impulsos elétricos ao cérebro, através da extensão, fio isolado, que
segue pelo pescoço, por trás da orelha até o cérebro onde vai se conectar com a
liderança ou chumbo, que é um fio isolado, com quatro eletrodos em platina e
irídio, que vão sob anestesia local e com a colaboração do paciente ser implantado
em uma das três regiões especificas do cérebro comprometido. O restante da
cirurgia é realizada com anestesia geral.
O procedimento se baseia na plasticidade cerebral
sua capacidade adaptativa, e no estimulo e ativação de uma rede neural, que por
algum motivo tem sua função reduzida, desordenada ou subutilizada, e até mesmo
na Doença de Alzheimer, vem sendo testado, embora ainda sem grandes respostas,
mas devido as suas variáveis ainda dá para se ter alguma esperança.
O Magnetoeletroencefalograma, e a Ressonância
Magnética Funcional veem sendo exames prévios de eleição para determinar áreas
de baixa atividade metabólica e elétrica no tecido cerebral, orientando os
procedimentos necessários.
Muito em breve penso que muitos dos atuais problemas
neuropsiquiátricos, que hoje nos atormentam e dificultam a recuperação de
nossos pacientes, terão neste procedimento sua solução ou ao menos adiarão seu
desfecho!
Devemos ter em mente que não se trata de panaceia, e
nem vem para curar todos os males, alem de ser um método dispendioso, mas que
nos enche de esperança, para tentarmos saídas, onde parecia não mais haver ,
isso lá é verdade!!
Não tardará, seremos muito mais biônicos, que
imaginaram nossos melhores escritores de ficção cientifica.
Articulações e hastes de ligas metálicas, dentes
implantados, lentes oculares e chips retinianos e auditivos, cócleas artificiais,
marca passo cerebral, cardíaco, válvulas cardíacas, aortas de teflon para
correção de aneurismas, stents vasculares de todos os tipo, próteses penianas,
silicone para mamas e glúteos, “roupa” de mobilidade para tetraplégicos, válvulas
para hidrocefalia, reparação por células tronco, nanotecnologia, miniaturização
do tratamento, excelência pela saúde
e pela vida, não confundir com excelências
na saúde!
Admirável mundo novo!!
JMS.

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