sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Neuropatia Periférica

Neuropatia Periférica

Dr. João Mariano Sepulveda
Cárdio Geriatra
@no_formol

Doença desautonômica, que progressivamente corrompe as terminações nervosas, no inicio, na periferia ou extremidades do corpo, pernas e braços, em um segundo momento, em região central e vísceras, não é incomum sua ocorrência no esôfago, estômago e coração,elevando o risco de quem já se encontra em risco.
Extremamente prevalente no idoso!
O sintoma de neuropatia periférica muito fácil de se simular, pois é  a mesma sensação de quando se fica apoiado, sentado, deitado sobre uma perna ou um braço e depois sente-se como quem perde a sensibilidade! Adormece o membro e ficamos esfregando  até que se restabeleça a circulação e a sensibilidade, que vai voltando aos poucos..., até que normaliza!
Na neuropatia isso ocorre em graus diversos e progressivos, só que não revertem ou recuperam com as massagens.
A neuropatia é centrípeta, ou seja progride da periferia para o centro, começa nos dedos, dos pés e das mãos e vai subindo,  geralmente é simétrica, e tende a piorar durante a noite com a neutralização dos efeitos da gravidade!
Os sintomas cursam com perda gradual da sensibilidade, mobilidade, tato, sensação de calor ou frio, formigamentos, câimbras,  pontadas, dores, queimação, sensibilidade hiper-reativa, fraqueza, perda e ou redução da coordenação e dos reflexos, e finalmente paralisia!
Os sintomas dependem dos tipos de nervos e ou fibras acometidos, fibras longas relacionam-se a tato e vibração, levando a distúrbios de equilíbrio. As finas relacionam-se a sensibilidade a dores e temperaturas!
Muitas vezes pela distorção de sensibilidade o portador pode se queimar, ou cortar e não reparar na hora, só posteriormente.
Paradoxalmente pode haver, hipersensibilidade e ao simples toque de um mero lençol provocar intenso desconforto, ou mesmo dores.
As causas são muitas disfunções hereditárias, como atrofia muscular fibular, traumas, tumores, infecções, exposição a sustâncias tóxicas, doenças auto imunes e nutricionais, alcoolismo, muito incidente, mas a principal causa é a diabética.  
A Neuropatia Periférica Diabética ou Doença Desautonomica Diabética é causa seqüelar de  muitas complicações sofridas pelo diabético descompensado ou com evolução muito prolongadas da doença!
Alterações de sensibilidade , déficit motor, distúrbios gastro intestinais, e infartos de miocárdio silencioso, sem dor pela inibição da transmissão neural.
A neuropatia diabética é um dos distúrbios mais complexos e, ao mesmo tempo, mais comuns associados ao diabetes: atinge a cerca de 50% dos pacientes dibeticos. Sabe-se que os níveis elevados de glicose no organismo dos pacientes diabéticos ocasionam o aumento do "estresse oxidativo", o que causa danos aos nervos periféricos, atingindo principalmente os pés. 
O diagnóstico é feito por meio do exame dos pés do paciente, no consultório, alem de testes neurológicos básicos, que visam detectar a resposta a estímulos dolorosos, temperatura, dor, vibração e proteção plantar, além dos reflexos!
A neuropatia ainda não tem cura,  a falta de prevenção e do tratamento para os pacientes com neuropatia diabética causa um grande impacto psicossocial, seja na qualidade de vida dos pacientes e seus familiares, seja no alto custo para o sistema de saúde, sobretudo com gastos relacionados à amputação.
A prevenção passa primeiramente pelo controle constante da glicemia dos diabéticos, principalmente para aqueles com diabetes tipo I, assim como das outras complicações ligadas à doença como a hipertensão arterial, dislipidemia e a obesidade. Ao mesmo tempo, as equipes médicas devem estar permanentemente atentas à condição dos pés dos pacientes. 
O diagnóstico precoce é fundamental para impedir que o paciente tenha complicações mais graves, como a formação de úlceras de difícil tratamento, impedindo assim que haja necessidade de amputação do membro.
Quando chegamos a esse ponto de comprometimento estamos frente ao pesadelo de  angiologistas e endocrinologistas que é o Pé Diabético, entidade que na maioria das vezes pode evoluir para perda parcial ou total das áreas afetadas!
O controle adequado a longo prazo da diabetes, a utilização de anti neuríticos como a vitamina B1, anti convulsivantes como oxicarbamazepina, a duloxetina, pregabalina, gabapentina, acido alfa lipóico e seu metabolito, o acido tiótico, colaboram e reduzem sua evolução. A acumpuntura tem sido utilizada com algum êxito!
Porem nada se compara a prevenção!
JMS

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014



Osteoporose

Dr. João Mariano Sepulveda
Cárdio-Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br


O envelhecimento trás uma série de achaques, limitações, e perdas, entre elas a da densidade óssea talvez seja das mais certas e esperada no geronte, tanto os com a saúde comprometida, quanto os hígidos.
Quase natural  a diminuição de massa óssea se dá de forma lenta,   insidiosa e progressiva.
Fenômenos orgânicos seqüenciais como ativação, reabsorção,  reversão, e formação estão envolvidos no processo de perda e restauração da massa óssea. O problema é a desproporção de tempo já que a reabsorção responsável pela diminuição de massa  dura de 10 a 14 dias, e a formação aproximadamente 150, a isso damos o nome de remodelação óssea, ao contrário do que comumente se acredita, é possível recuperar massa óssea, principalmente, quando diagnosticada, precocemente na fase de baixa densidade óssea, anteriormente chamada de osteopenia. 
A mineralização óssea inicia dentro do útero materno, e perdura por  toda à infância atingindo sua máxima performance, na puberdade até a segunda década de vida.
A quantidade de osso adquirido durante a infância e adolescência tem importante papel na resistência óssea e no risco de fraturas futuras. Mostrando a importância genética e nutricional.  
O   sexo é fator importante, sabe-se que mulheres, principalmente, na menopausa, tem maior predisposição a desenvolverem osteoporose.
A raça, também é um possível fator determinante, acha-se que negros sofrem menos perdas, que indivíduos caucasianos.
Estado de alterações homonais sejam relacionados a hipófise, com o hormônio do crescimento e a prolactina, a tireóide, a paratireóide ou a supra renal, com alterações no cortisol, as gônadas com os sexuais, são fatores ligados a formação da osteoporose.
Outros fatores, que interferem com metabolismo ósseo, a ingestão de cálcio, a prática de atividades físicas, doenças inflamatórias, infecciosas e oncológicas crônicas, intolerância à lactose, diabetes, doença celíaca, hipertireoidismo, imobilizações prolongadas, desnutrição. O uso de medicamentos principalmente os corticóides e anticonvulsivantes pioram o quadro. O consumo de álcool e tabaco em excesso, intoxicação por metais pesados.
Pacientes idosos com baixo índice de exposição solar, sedentários, com perda de massa muscular,   com baixo consumo de vitamina D e déficit de vitamina K tem perfil marcado para osteoporose.
O diagnóstico da osteoporose se vale do exame físico adequado, com observação de postura, perda de massa muscular, de peso, a altura, que reduz com a perda da massa óssea das vértebras, exames laboratoriais, para determinar níveis de cálcio no sangue e na urina, hormônios, e da vitamina D, radiografias, tomografias, ressonâncias magnética, mas principalmente a densitometria óssea o exame que determina com muita precisão as perdas  avaliadas, assim como auxilia  na detecção precoce da deformidade vertebral, que ajuda na melhor estratégia farmacológica  do tratamento.
A prevenção da osteoporose, passa primeiro pela detecção precoce da doença, e de suas comorbidades, em indivíduos da terceira idade é preciso levar em conta tudo aquilo que pode levá-lo a queda e por conseguinte a fratura.
As armadilhas arquitetônicas, como pisos escorregadios, desníveis, iluminação deficiente, e falta de apoio adequado, assim como a utilização de remédios de uso regular, capazes de prejudicar as funções cognitivas, como anti hipertensivos, ansiolíticos, anti depressivos, que podem comprometer a marcha, o equilíbrio facilitando as quedas.
A prática de atividades físicas de alto impacto que promovem micro fraturas ósseas, que desencadeiam o processo contínuo de restauração reduzindo a reabsorção, grande vilão, responsável pela patogenia da osteoporose.
Os banhos de sol matinais e diários para ajudar na fixação da vitamina D. A alimentação rica em cálcio como leite, feijão branco,  sardinhas, folhas verdes entre outros, são de muito valor preventivo.
O consumo regular de cálcio e vitamina D, na forma de suplementos alimentares. A reposição hormonal feminina quando possível e pertinente, é fator de redução de evolução da doença, bem como a reposição masculina com andrógenos parecem ser eficazes aos homens.
O tratamento não farmacológico utiliza-se de uma plataforma  Juvent, que executa a terapia de movimento dinâmico, simulando um leve desequilíbrio, forçando contrações musculares que estimulam a reparação óssea.
O tratamento medicamentoso se vale de um vasto arsenal que agem de diferentes maneiras com o mesmo objetivo recuperar ou diminuir a perda óssea . As drogas se dividem em dois grandes grupo os que bloqueiam a função dos osteoclastos, células que promovem a  reabsorção óssea, a saber, os bifosfonatos, a terapia hormonal, as calcitoninas, o ranelato de estrôncio, a vitamina D. O outro grupo de drogas que estimulam a função dos osteoblastos, células que promovem a reparação óssea, formadores de massa óssea, associação de cálcio e vitamina D, teriparatida , paratormônio .
De uma forma ou de outra e dependendo de cada caso existe sempre uma saída e prevenção para atividade osteoporótica, ouvir um bom profissional da área, ortopedistas e reumatologistas ou endocrinologista,  ajuda e mostra caminhos.    
JMS

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Monotonia Alimentar



Monotonia Alimentar

Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol

Como nossos pais se preocuparam com nossa alimentação em nossa infância, devemos nos atentar para com a deles em sua senescência!    
O idoso é um inapetente per si, quer seja por redução da atividade digestiva, ou reduções sensitivas do olfato e paladar, ou por informações ou interpretações  imprecisas quanto ao que aumenta as taxas de gorduras, açucares, ou proteínas, por gostos pessoais ou até mesmo por manias alimentares de toda uma vida, o comum é que o geronte se alimente de forma repetitiva, monótona e quase sempre pouco correta.
Corriqueiramente chegam ao nosso serviço pacientes anêmicos, hipertensos, renais crônicos, diabéticos, dislipidêmicos etc, e nesse universo invariavelmente com seu teor nutritivo alimentar muito longe do ideal!
Alimentar-se, comer, e nutrir-se são verbos próximos mas não sinônimos sob o ponto de vista medico!
Um idoso que acorda toma um café da manhã com pão com manteiga, e leite, almoça e janta arroz com feijão, peixe ou frango todos os dias, se alimenta, come, porem só se nutre parcialmente, pois, repete e varia muito pouco seus alimentos. De outra forma o organismo quando exposto seqüencialmente aos mesmos nutrientes, reduz os níveis de absorção, como uma recusa seletiva,  para não se intoxicar pelo excesso dele!
Monótono repetitivo o ato de nutrir-se, torna-se penoso punitivo,perde a motivação, perde a graça, levando a um crônico sub interesse!!
Frutas, legumes e verduras frescas..   líquidos, freqüentes e intercalados na rotina alimentar do idoso, tendo o gosto, e as preferências do interessado como prioridade, mas insistindo na introdução de alimentos carentes e raros, principalmente os funcionais!
Os alimentos funcionais, que são aqueles que alem de alimentar e nutrir com eficácia, tem também a função de coadjuvar o tratamento ou prevenir algumas doenças, como, o vinho tinto seco, na proteção cardiovascular, o chocolate, para a mesma condição, a quinua, e o amaranto, na saciedade alimentar, nas dietas de emagrecimento, a soja nas carências hormonais femininas, a granola, a linhaça, o gergelim, os peixes ricos em Ômega 3, como, o salmão, a sardinha, a tainha entre outros, os vegetais fibrosos e o iogurte,  para função intestinal, enfim um sem numero de alimentos que podem e devem ser testados e gradualmente inseridos nas dietas dos mais antigos e porque não dizer na dieta de toda família!
Nem todos os alimentos são de fácil inclusão ou exclusão na dieta regular, pois, situações de saúde como a disbiose, a intolerância a lactose e alergia ao glútem, entre outros interferem muito na digestão e absorção dos alimentos, levando a desnutrição ou subnutrição de quem já vem fragilizado pela idade!  Outra variante a ser levada em conta é a presença de agrotóxicos nos alimentos o que leva a um quadro de toxidade celular contínua, com alteração no DNA e modificação de função celular!
A permuta por produtos orgânicos e naturalmente cultivados pode ser agente neutralizador desta agressão!
Distúrbios psíquicos e neurológicos como a depressão, esquizofrenia, psicoses, manias, Parkinson, Alzheimer, entre outras interferem e interagem muito no padrão alimentar dos mais velhos, e devem ser objeto de supervisão constante por parte dos cuidadores e familiares!
A solução para esses males parece ser um trabalho multidisciplinar associando profissionais de nutrição, psicólogos, médicos, com motivação continua, e inclusão não forçada de tudo aquilo que for palatável e agradável ao geronte, dando inclusive mais de uma  opção de escolha ao idoso quando possível! Finalmente como sempre primar pelo bom senso, evitando alterações dramáticas em hábitos tão solidamente arraigados! 
           
JMS

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Mobilidade urbana do geronte


Mobilidade urbana do geronte

Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol

Nossas cidades sob a égide do conceito do compromisso ambiental, são um fracasso sob o ponto de vista da mobilidade dos idosos! Cidades de clima privilegiados, não dão aos seus cidadãos o direito ao desfrute!  
Recentemente consultado sobre até que idade seria lícito o idoso dirigir automóveis, resolvi aprofundar pesquisas e entrevistas com pacientes, sobre suas dificuldades de locomoção e acessibilidade!
Engarrafamentos, dificuldades de estacionamento, acessibilidade, a falta de respeito e preconceito aos mais idosos ao volante, tem sido queixas freqüentes dos idosos condutores!
Lembro sempre que não há idade definida para o idoso parar de conduzir auto motivos, impera como sempre o bom senso! Quanto menor o grau de comprometimento da saúde do idoso, maior a possibilidade dele se manter na ativa!
O uso de motocicleta é raro mas existe, porem este transporte até mesmo para os mais jovens não é recomendado, para o idoso nem se fala!
A utilização da bicicleta é sonho de muitos idosos hígidos, porem o medo do transito e dos ladrões reduz em muito esta empolgação!
O transporte coletivo não é adaptado as necessidades dos mais velhos, alem de ser muito raro, espera-se até quarenta minutos por um coletivo e quando chega na maioria das vezes vem lotado, o que intimida ao geronte!
Os taxis são caros para uso rotineiro!
Conversando sobre porque o /a Sr./Sra. ainda dirige nesta idade? Diversos me disseram ser muito melhor e mais seguro, até mesmo para se chegar ao local onde é possível caminhar!
Muitos me disseram caminharem nos estacionamentos de supermercados e em seu interior! Outros me informaram que usavam o interior dos shoppings! Alguns, as praças, os parques de seus bairros, em grupos, outros solitários, quase todos se vestem adequadamente, e usam calçados apropriados! Poucos utilizam bengalas e um usa um cajado de peregrino, que me diz servir também de arma de defesa contra intrusos!
Aqueles que caminham me citaram a segurança como principal fator limitante de sua atividade física, quer seja pela freqüência de meliantes, desocupados, intimidando e muitas vezes atacando-os e também as condições da estrutura das calçadas e mais recentemente, as ruas, para onde muitos migram ao caminharem para evitar os constantes desníveis, ou a inexistência completa de calçadas!!
Quando caminham nas ruas estão sujeitos a atropelamentos, ou lesões devido a proliferação de buracos nas vias publicas!
Enfim quando pedimos a um paciente que faça atividade física e preferencialmente que faça caminhadas diárias, na verdade estamos assumindo muitas vezes a cumplicidade sobre uma anunciada tragédia urbana! Se orientarmos para o uso de bicicleta, solução ambiental perfeita, então é assassinato na certa!
Onde esta o direito e o respeito aos cidadãos de nossas cidades? Como podemos tornar mais fácil a vida dos moradores, se o simples direito de ir e vir é totalmente comprometido?!    
Mobilidade urbana é matéria da mais alta ficção científica, não existe! A confusão grassa como um legado sem responsáveis, planejamento, sustentabilidade,  compromisso ambiental, permeabilidade e capilaridade urbana, são temas tabus e desconhecidos dos envolvidos, não dá para fazer, não há dinheiro! Nem muito menos vontade política!
A autoridade que existe, seja nas cores caqui, azul, marrom, ou amerela, não é de apoio, nem muito menos educativa, é sempre punitiva e arrecadatória, multas fazem caixa para gerencias amadoras e tratam os condutores de veículos como meliantes! Aliás como a própria Receita Federal, que trata contribuintes como sonegadores, enquanto subleva sonegadores, por processos mal conduzidos!?!  
Mágicos de plantão num repente tiram um coelho da cartola, fazem uma maquiagem, muros, muretas, obras em sua maioria sem licitação e previsão orçamentária,  e eis que surge um novo monstro em nossas ruas  estreitas e mal conservadas, com pontos de ônibus descobertos, sinais desligados, insegurança, gargalos e pontos de estrangulamento sabidos e freqüentes, que persistem anos e anos sem  solução!
As orlas,  lindos cartões postais, lembram a devastação da Normandia pós dia D!
Enfim, amanhã quando for orientar a um paciente a atividades físicas nas ruas o farei e ao final direi, por sua conta e risco!    
Fisiologismo, inércia, cooptação, e a predileção pelo meu em detrimento do nosso é predicado da classe política quase sem exceção, mas a tolerância e a conivência  não devem ser nossa postura, pois a falta da cobrança nos torna cúmplices de más  gestões! 
Compromisso não é dizer, é fazer, e a renúncia muitas vezes é a solução mais digna, do que a teimosa persistência da incompetência! A desgraça faz sentirmos saudades da miséria, cuidado! Aquilo que passou não é menos responsável, por estar sem poder! Importa saber quem vai se comprometer com seu direito?              
JMS