Mobilidade urbana do geronte
Dr.
João Mariano Sepúlveda
Cárdio
Geriatra
@no_formol
Nossas
cidades sob a égide do conceito do compromisso ambiental, são um fracasso sob o
ponto de vista da mobilidade dos idosos! Cidades de clima privilegiados, não
dão aos seus cidadãos o direito ao desfrute!
Recentemente
consultado sobre até que idade seria lícito o idoso dirigir automóveis, resolvi
aprofundar pesquisas e entrevistas com pacientes, sobre suas dificuldades de
locomoção e acessibilidade!
Engarrafamentos,
dificuldades de estacionamento, acessibilidade, a falta de respeito e
preconceito aos mais idosos ao volante, tem sido queixas freqüentes dos idosos
condutores!
Lembro
sempre que não há idade definida para o idoso parar de conduzir auto motivos,
impera como sempre o bom senso! Quanto menor o grau de comprometimento da saúde
do idoso, maior a possibilidade dele se manter na ativa!
O
uso de motocicleta é raro mas existe, porem este transporte até mesmo para os
mais jovens não é recomendado, para o idoso nem se fala!
A
utilização da bicicleta é sonho de muitos idosos hígidos, porem o medo do
transito e dos ladrões reduz em muito esta empolgação!
O
transporte coletivo não é adaptado as necessidades dos mais velhos, alem de ser
muito raro, espera-se até quarenta minutos por um coletivo e quando chega na
maioria das vezes vem lotado, o que intimida ao geronte!
Os
taxis são caros para uso rotineiro!
Conversando
sobre porque o /a Sr./Sra. ainda dirige nesta idade? Diversos me disseram ser
muito melhor e mais seguro, até mesmo para se chegar ao local onde é possível
caminhar!
Muitos
me disseram caminharem nos estacionamentos de supermercados e em seu interior!
Outros me informaram que usavam o interior dos shoppings! Alguns, as praças, os
parques de seus bairros, em grupos, outros solitários, quase todos se vestem
adequadamente, e usam calçados apropriados! Poucos utilizam bengalas e um usa
um cajado de peregrino, que me diz servir também de arma de defesa contra intrusos!
Aqueles
que caminham me citaram a segurança como principal fator limitante de sua
atividade física, quer seja pela freqüência de meliantes, desocupados,
intimidando e muitas vezes atacando-os e também as condições da estrutura das
calçadas e mais recentemente, as ruas, para onde muitos migram ao caminharem
para evitar os constantes desníveis, ou a inexistência completa de calçadas!!
Quando
caminham nas ruas estão sujeitos a atropelamentos, ou lesões devido a
proliferação de buracos nas vias publicas!
Enfim
quando pedimos a um paciente que faça atividade física e preferencialmente que
faça caminhadas diárias, na verdade estamos assumindo muitas vezes a
cumplicidade sobre uma anunciada tragédia urbana! Se orientarmos para o uso de
bicicleta, solução ambiental perfeita, então é assassinato na certa!
Onde
esta o direito e o respeito aos cidadãos de nossas cidades? Como podemos tornar
mais fácil a vida dos moradores, se o simples direito de ir e vir é totalmente
comprometido?!
Mobilidade
urbana é matéria da mais alta ficção científica, não existe! A confusão grassa
como um legado sem responsáveis, planejamento, sustentabilidade, compromisso ambiental, permeabilidade e
capilaridade urbana, são temas tabus e desconhecidos dos envolvidos, não dá
para fazer, não há dinheiro! Nem muito menos vontade política!
A
autoridade que existe, seja nas cores caqui, azul, marrom, ou amerela, não é de
apoio, nem muito menos educativa, é sempre punitiva e arrecadatória, multas fazem
caixa para gerencias amadoras e tratam os condutores de veículos como meliantes!
Aliás como a própria Receita Federal, que trata contribuintes como sonegadores,
enquanto subleva sonegadores, por processos mal conduzidos!?!
Mágicos
de plantão num repente tiram um coelho da cartola, fazem uma maquiagem, muros,
muretas, obras em sua maioria sem licitação e previsão orçamentária, e eis que surge um novo monstro em nossas
ruas estreitas e mal conservadas, com
pontos de ônibus descobertos, sinais desligados, insegurança, gargalos e pontos
de estrangulamento sabidos e freqüentes, que persistem anos e anos sem solução!
As
orlas, lindos cartões postais, lembram a
devastação da Normandia pós dia D!
Enfim,
amanhã quando for orientar a um paciente a atividades físicas nas ruas o farei
e ao final direi, por sua conta e risco!
Fisiologismo,
inércia, cooptação, e a predileção pelo meu em detrimento do nosso é predicado
da classe política quase sem exceção, mas a tolerância e a conivência não devem ser nossa postura, pois a falta da
cobrança nos torna cúmplices de más
gestões!
Compromisso
não é dizer, é fazer, e a renúncia muitas vezes é a solução mais digna, do que
a teimosa persistência da incompetência! A desgraça faz sentirmos saudades da
miséria, cuidado! Aquilo que passou não é menos responsável, por estar sem
poder! Importa saber quem vai se comprometer com seu direito?
JMS
Nenhum comentário:
Postar um comentário