sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Tudo igual mas diferente

Dr João Mariano Sepúlveda
Cardio Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br


Tudo igual mas diferente
Maneira de você conseguir mobilizar e ativar partes de seu cérebro que ficam “dormentes” pela utilização da automação no seu dia a dia! Vamos tentar desenvolver o tema do exercício de fazer tudo igual, todo dia, de outro jeito!
Para entender melhor esse assunto de hoje é necessário pensarmos em nossa rotina, na forma que pensamos que uma semana, um mês, um ano, passou tão rápido que nem percebemos!!? Será? Será que um ano de um jovem, rende mais, que o mesmo tempo de uma pessoa mais velha? Penso que o tamanho do tempo é igual, mas a forma de senti-lo diversa!
Nosso cérebro é uma máquina extremamente otimizada que evita processar uma informação mais de uma vez. Quando você vive uma experiência pela primeira vez ele dedica muitos recursos para entender o que esta ocorrendo, nas vezes subsequentes ele automatiza a operação tornando-a quase que instantânea.
Um adulto tem em média entre 40 a 60 mil pensamentos por dia, se fossemos processar conscientemente todos eles ficaríamos loucos, por isso a máxima  “a memória é o que necessitamos lembrar, junto com o que precisamos esquecer”...! 
Para o jovem tudo é novo, emoção em movimento, gerando experiência, boas ou más, fixadas em sua mente!
Com o tempo olhar o pôr do sol já não estimula tanto,  seguir de casa a escola ou ao trabalho, não traz a impregnação do oculto que as primeiras idas causaram!  Rotina que embora facilite chegar, reduz registros, mesmo que por similaridade, já não são tão expectados e se fixam em nossa mente sem grandes alardes!
Exemplifico: “a primeira vez a gente nunca esquece”! O primeiro sabor de doce ou azedo, salgado etc, a primeira queda, ou machucado! Paixão, beijo, relação sexual, emprego, salário...., enfim, lutou, se emocionou, realizou, fixou indelével em sua mente! Por outro lado experiências duplicadas vão para o automático! Aqui você começa a entender porque tem pensado que o tempo passa mais depressa!?
Agora pense em quando começou a dirigir, lembrou? Parecia que todos aqueles movimentos sincronizados, nunca iriam se fixar em sua mente e quando fosse dirigir sozinho, iria bater ou se perder!? Ledo engano, passa pelas placas e já não olha, pois seu cérebro te economiza antecipando o trabalho já realizado do reconhecimento do caminho! Apagam-se todos aqueles dramáticos segundos das trocas de marchas, sinais de sua noção de passagem de tempo! O que faz parecer que o tempo estagnou é a repetição crônica de fatos, provocado pela nossa maior amiga ou inimiga a ROTINA! 
Essencial para a vida, facilita muitas coisas, mas quando demais, torna o seu diário num livro de um só capitulo. Repete, repete..! Como se muda isso?
Experiências diversas e registros constantes! Quebre regras e normas!
Não necessariamente nesta ordem de importância, mas para pensar:
Mude o trajeto para ir aos mesmos locais, vá a sala andando para trás, para o seu trabalho passando por caminhos diversos, ajuda até a proteger se houver alguém observando seus hábitos!
Faça rituais que tornem marcantes momentos simples e comuns! Viaje em férias com a família e com amigos! Perca-se em outros países!
Tenha filhos e se possível netos, eles arrebentam com a tal da rotina, e comemore os seus aniversários tornando-os eventos únicos e criativos! Noivados, formaturas, bodas, debutantes, chegadas e partidas.
Inicie uma nova universidade aos 60, um novo negócio, pinte os cabelos, a barba, tire a barba!
Penteie os cabelos, e coma com a outra mão! Use a outra perna para pisar, ou para chutar! Roupas novas e diferentes, pinte a casa de outra cor ou faça nova reforma na casa!
Jogue novos jogos, inclusive estes dos Ipads, que ajudam a exercitar sua memória.
Beije seu amor de forma e com intensidade diferentes, emocione-se constantemente. Se apaixone novamente pela mesma pessoa, ou por outra quem sabe? Dê todas as chances ao seu coração e cerque-se de amigos, se possível , vindos de locais e culturas diferentes, com religiões  e gostos por comidas diferentes! Pelo menos uma vez ou outra se dedique a eles, a seus familiares e a você de forma diferente, porem sempre com muita emoção, pois, ela expandirá seu tempo e sua memória!
Faça sempre tudo igual, mas diferente!

JMS

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

DEFINIR A TRILHA

Dr João Mariano Sepúlveda
Cardio Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br









DEFINIR A TRILHA
Nenhum medicamento é tão eficaz no paciente geriátrico quanto a manutenção de sua importância no ambiente que convive, seja, seguindo ativo no trabalho, seja, por voluntariado, a ocupação e a manutenção de responsabilidades, confere ao geronte um salvo conduto, que na maioria das vezes, confunde o interlocutor desavisado, será que o idoso parou de trabalhar ou participar porque adoeceu? Será que adoeceu porque parou de trabalhar? Duvida sempre pertinaz e de difícil resposta!
Manter a utilidade até seu limite máximo possível, é uma das principais atitudes proativas que profissionais de saúde devem ter para com seus pacientes.
Em países desenvolvidos, quando um idoso encerra suas atividades profissionais, ou de colaboração, tudo conspira para sua proteção.
Os proventos, são mantidos ou abonados, moradia, serviços sociais, médicos, medicamentos, próteses, agencias de viagens, tem custeio e subvenções que facilitam a vida e a locomoção dos idosos, nas cidades, no país e no mundo.
Inclusos em programas motivacionais, constantes e consistentes.
Em nosso meio, a falta de uma política efetiva de inclusão, assim comoo sistemático e crônico déficit financeiro do cidadão de mais idade e seu regular endividamento, com as facilidades de creditos de benefícios discutíveis para o idoso e indiscutíveis para o sistema financeiro, transformam o trabalho, alem de uma necessidade longeva, uma terapia ocupacional, que muitas vezes, serve para manter ocupadas e ágeis mentes condenadas a um sofá frente a televisão na maioria das vezes pouco ilustrativa, com a geladeira como opção com alimentos nem sempre salutares.
Quando tenta ir e vir, em caminhadas ou quem sabe com ciclismo, esbarra na falta de estrutura básica de mobilidade sem calçamentos adequados nem ciclovias.
Sistemas de transportes caóticos e superlotados insegurança....   
Quando produtivo, não percebe quando se inicia seus declínios de fragilização, algumas vezes isso pode ser prejudicial, quando os problemas são físicos, outras benéficas,  quando são psicológicos.
A utilização do trabalho como fator de amplificar a utilidade social do idoso mesmo não sendo o mais correto, é em nosso meio uma tentativa válida de prorrogar prazos finitos.
Fatores como intolerância, preconceito, culto ao novo, ao moderno,  a jovialidade com descarte do antigo, do mais velho, inclusive, pessoas, tornam difíceis a manutenção dos mais antigos em suas funções.
O idoso não perde apenas sua memória, agilidade ou vigor com o passar do tempo. Perde muito mais que isso, seu valor no contexto social, sua importância entre entes próximos, amigos, seu poder de opinar e a opinião perdem valor.
Idosos empregados, empresários, fazendeiros, proprietários que em processos sucessórios familiares são excluídos da pauta decisória e isso gera imediata alteração emocional e pessoal na relação familiar, mesmo quando consentido pelo próprio.
O pensamento deve ser, o que esperar?
Que tipo de luta estou disposto a enfrentar?
Parar de trabalhar vai ser melhor para papai ou mamãe?
Como ter certeza disso?
Com que olhos devemos ver esse processo?
Formulas mágicas para se decidir em relações pessoais, inexistem, seria preciso pensar como o poeta Pessoa “ se pudesse eu retiraria os meus olhos e os colocaria no lugar dos teus, e tiraria os teus olhos e colocaria no lugar dos meus, assim tu me verias com meus olhos e eu te veria com os teus”. Tornando fácil tomar decisões pelos outros, mas isto não é possível, logo, sempre o bom senso deve ser o conselheiro.
Quando aventada, prazerosa, e por decisão tomada à luz da razão, o parar ou seguir deve ser uma opção, se possível progressiva, e reversível, quando necessário. Nunca de forma abrupta!
A aposentadoria progressiva, gradativa,  embora utópica, seria uma ótima tentativa, à medida que se evoluísse no trabalho e a partir de um determinado números de anos já cumpridos, alem da evolução salarial, teríamos uma gradação negativa de horas de trabalho, até a cessação definitiva do trabalho.
Diferente do que ocorre, quando de uma hora a outra e sem nenhum preparo, fica-se literalmente inerte e  na maioria das vezes com proventos financeiros reduzidos.
Utilidade Social é tema fértil para tese, livros, debates políticos e sociológicos, na área de saúde da terceira idade.
Penso ser possível e necessário atingirmos a época que vejamos nosos idosos por rerspeito, admiração, e dever de aprendiz, nos conselhos de empresas, escolas, igrejas, bairros, etc.
Opinando, meritoriamente, para norteamento,  balizamento,  levadas a serio, por agregar vivencia, experiência, e valores já dimensionados.
Desta forma respeitando o passado, alicerçamos  uma nação que constrói o futuro! 

JMS