Testamento Vital
Dr.
João Mariano Sepúlveda
Cardio
Geriatra
@no_formol
“Quando
eu morrer, não quero choro nem vela, quero uma fita amarela, gravada com nome
dela...”
Durante
toda vida temos o livre arbítrio, porque então não mantê-lo no final da vida,
porque quem decidiu a forma de viver, não decidir a forma de morrer!
Agora
podemos fazer isso!
Importante
se informar sobre o que agrada ou não, sobre o que é mais conveniente, ou o que
não queremos admitir.
Qual
sua opinião sobre permanecer em estado vegetativo, irreversível?
Qual
sua opinião sobre ocupar um leito em UTI, por tempo indeterminado?
Alimentação
enteral, parenteral, gastrostomia, entubação, ressucitação pós parada cardio
respiratória?
Imobilização
em leito? Sondas naso gástricas, vesicais, de alivio?
Comprometimento
financeiro familiar para manutenção e postergação do fim?
Doação
de órgãos?
A
resolução 1995/12 de 30/08/12 do CFM, determina que todo cidadão tem o direito
de decidir sobre os procedimentos a serem adotados em sua hora final, desde que
registrados ou testemunhados por pessoas idôneas!
Inclusive
já existem sites onde se pode deixar registrado as diretivas antecipadas!
Refere
a resolução que pode o cidadão, “definir diretivas antecipadas de vontade como
conjunto de desejos, prévia e expressamente manifestados pelo paciente, sobre
cuidados e tratamentos, que quer, ou não receber no momento em que estiver
incapacitado de expressar, livre e autonomamente, sua vontade”
Designação
por escrito, ou nomeando um representante, desde que de acordo com as normas
vigentes no Conselho Federal de Medicina. Inclusive contra vontade de
familiares. O médico pode anotar no prontuário clinico, essas diretivas.
Caso
não fique registrado e estando o médico ou equipe assistente em conflito ético,
ou quando não haja consenso entre familiares, deve o profissional recorrer e
embasar suas decisões e escolhas, pós consulta ao Comitê de Bioética ou
Conselho de Ética Medica da instituição, ou mesmo ao Conselho Regional de Medicina!
Informar
e perguntar as pessoas sobre suas vontades finais, pode reduzir muito
sofrimento e dispêndio emocional e mesmo financeiro a familiares intimidados e
fragilizados por processos longos e muitas vezes obscuros e de difícil manejo
até mesmo por profissionais experimentados!
Jovens,
adultos e idosos, de ambos os sexos, necessitam se manter orientados para
prover essas informações que serão de grande valia em momentos limítrofes!
Sugiro
que se ilustrem pesquisando, visitando parentes e amigos em hospitais, e
exercendo sua cidadania ao opinar.
Tema
judicial que como a eutanásia, gera muita polemica, aqueles que pensam que
condições porvir podem alterar dramaticamente o resultado de tratamentos
similares.
Penso
que o bom senso deve passar sempre pela preservação da dignidade humana e por
vontades manifestas. Quando já não se pode mais devolver uma sobrevida digna é
hora de deixar a natureza seguir seu curso!
Lembro
uma história de um paciente que chegou a um consultório médico, aos 104 anos!
Lúcido! Hígido para a idade! Pediu ao médico que queria viver ao menos mais 10
anos!! O médico experimentado respondeu que ele pedisse a Deus aquele acréscimo
em seu prazo de validade! Solicitou ainda de maneira muito clara, verbalmente
que não gostaria de ser internado e ficar sob tubos, sondas, UTIs, etc.
Gostaria de perecer, quando a hora chegasse, na sua cama, em casa!
Seguiu-se
o acompanhamento em consultas e visitas regulares, até que aos 109 anos!!!
Certo dia o filho chama o médico à residência, pois seu pai estava passando
mal!
O médico
fez a visita, passa um analgésico suave, em gotas, e disse ao filho “espere
umas duas horas que ele vai ficar bem”! Fato após menos de uma hora o filho
liga indignado, dizendo que o pai havia morrido. O médico o acalma, lamenta e
pede que passe em outra hora no consultório para conversar.
Quando
o filho, um senhor quase chegado aos 80 anos, chega, vai logo dizendo: “Poxa
doutor nossa família confiava tanto no senhor e nos decepcionamos muito...! O
Sr disse que ele ia ficar bom!”
Que
responde: “Lembre-se de nossa primeira consulta o que me foi pedido... E eu
disse que ele ia ficar bem, passou rápido, em casa, sem dores ou sofrimento,
aos 109 anos, o que mais esperar?”
O
filho reconhece, tem a dignidade mesmo na dor de admitir, se desarma e começa a
aceitar a atitude do profissional!
Bertold Brecht “Mentes lúcidas, morte
súbitas...”
O
Testamento Vital vem para evitar essas arestas.
Em
tempo o Testamento Patrimonial, também é um instrumento preventivo para
preservação de união familiar, redução de desavenças e economia de tempo e
dinheiro nesses espólios infindáveis e traumáticos!
JMS