Números da Morte
Dr.
João Mariano Sepúlveda
Cárdio
Geriatra
@no_formol
Quando
se envelhece, e se morre, diz-se que morreu de velho, porem não é bem assim,
existem varias causas para partida, sobre esses números falaremos hoje!
Participando
recentemente de um evento de lançamento de um novo medicamento para Diabetes,
ouvimos o presidente da Sociedade de Brasileira de Endocrinologia, angustiado,
com crescente aumento da ocorrência de Diabetes no Brasil, e citou números que
utilizo neste artigo. Discutiu-se então, como possuímos tantos novos
medicamentos e sempre vemos aumentar a mortalidade da doença?
Um
aparte me impressionou, quando se
sugeriu que a solução seria angustiar mais o doente, levando, a uma maior
participação/responsabilidade, dele com sua doença!
Angustiado
está o paciente quando aguarda atendimento medico na fila dos SUS, do medico do
convenio, ou quando espera vaga na UTI!!
Angustiado
fica o paciente quando tem de negociar o custo de sua receita na farmácia,
priorizando o que vai usar, ou vai ter de deixar para o final do mês!
Penso
que a grande dificuldade de se melhorar nossos números é levá-los a sério e
formularmos e cumprirmos uma real política de Saúde Pública!
Vamos
ver números!
Este
artigo, estará desatualizado logo após sua publicação, talvez enquanto estiver
sendo impresso, pois, os números são tão avassaladoramente dinâmicos e as
estatísticas citadas mudam numa velocidade tão rápida, que é bastante inviável,
que esses dados resistam por muito tempo!
O
Ministério da Saúde adverte o Acidente Vascular Cerebral, é a doença que mais
mata no Brasil, especialmente a pessoas acima de 65 anos! A cada 5 minutos uma
pessoa morre desta patologia, totalizando, mais de 100.000 óbitos ao ano! A
grande campeã mundial, ainda é o Infarto do Miocárdio, que segundo o MS,
acomete 900.000 pessoas, e somente 2/3 se restabelecem, gerando mais de 300.000
mortes por ano, no Brasil!
Segundo
dados da OMS, a cada dois minutos, morre um brasileiro por hipertensão
arterial, e suas complicações, aproximadamente,
17 milhões de portadores com 300.000 mortes/ano!
Se
o caso é a Insuficiência Cardíaca, relaxe, ocorrem “apenas” a cada 11 minutos, são “meras” 54.000 mortes por ano, em um
universo de 6.5 milhões de doentes!
Nas
doenças renais os números são também bastante desanimadores, houve um aumento
de 38%, dos casos de Renais Crônicos, nos últimos 10 anos segundo a Sociedade
Brasileira de Nefrologia, hoje com aproximadamente 92.000 doentes, e 16.500
mortes anuais!
A
cada 8 segundos uma pessoa morre por complicações da Diabetes Mellitus, e mais
da metade dos diabéticos não sabem que são doentes, e dos que sabem apenas 25%
tem acesso ou admite o tratamento!
O
câncer é responsável por quase 14% das mortes no Brasil, é segunda doença que
mais mata em nosso meio, sendo responsável por mais de 120.000 óbitos no ultimo
ano!
Como
um grande país, temos números astronômicos de morbi-mortalidade, sem citarmos
os acidente de transito, e as perdas relacionadas a drogas licitas ou ilícitas!
Números
servem para demonstrar o quanto há para fazer e investir em saúde, gerando uma
real universalização e democratização de acesso não só aos serviços, como
também aos tratamentos mais novos e modernos equilibrando as chances de
recuperação de pacientes, independentemente de seu poder aquisitivo e de sua
classe social, pois dinheiro há é só destinar as necessidades e prioridades,
desviando do desvio!
A
justificativa de que é caro é questão de óptica, uma política de prevenção,
nunca é cara! Investir sem angustiar e/ou culpar o doente pela doença, ou sem
parecer fazer favor, quando fornece um tratamento mais caro a quem necessite!
Cumprir
a Constituição já bastava!
Mas
pra quem acha saúde cara, vai meu critério de caro!
Um
parlamentar federal brasileiro, custa aos cofres públicos, segundo matéria do
Bom Dia Brasil, a bagatela de R$ 11.545,00 ( onze mil, e quinhentos e quarenta
e cinco reais), por cada MINUTO trabalhado, isso mesmo, para cada sessenta
segundos do trabalho!!
A
ONG Transparência Brasil, fez o calculo; e as Assembléias Estaduais, e Câmaras
de Vereadores não ficam muito atrás!! Percebe agora porque nossa saúde publica anda
tão mal? Temos o Parlamento mais caro do planeta, mais que o dobro do segundo
colocado!! Caso extrapolemos ao Poder Executivo, e ao Judiciário, certamente
acharíamos parte da verba tão escassa na Educação, Saúde, Segurança
Pública....! Priorizar o sentido da verba arrecadada!
Contando
que hajam apenas gastos lícitos, “pois vivemos num mundo ideal, sem nenhum indício de desvios”, não seria muito
difícil conseguir reduzir os números do inicio deste artigo!
JMS
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