sexta-feira, 7 de março de 2014

Números da Morte



Números da Morte

Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol

Quando se envelhece, e se morre, diz-se que morreu de velho, porem não é bem assim, existem varias causas para partida, sobre esses números falaremos hoje!  
Participando recentemente de um evento de lançamento de um novo medicamento para Diabetes, ouvimos o presidente da Sociedade de Brasileira de Endocrinologia, angustiado, com crescente aumento da ocorrência de Diabetes no Brasil, e citou números que utilizo neste artigo. Discutiu-se então, como possuímos tantos novos medicamentos e sempre vemos aumentar a mortalidade da doença?
Um aparte me impressionou,  quando se sugeriu que a solução seria angustiar mais o doente, levando, a uma maior participação/responsabilidade, dele com sua doença!
Angustiado está o paciente quando aguarda atendimento medico na fila dos SUS, do medico do convenio, ou quando espera vaga na UTI!!
Angustiado fica o paciente quando tem de negociar o custo de sua receita na farmácia, priorizando o que vai usar, ou vai ter de deixar para o final do mês!
Penso que a grande dificuldade de se melhorar nossos números é levá-los a sério e formularmos e cumprirmos uma real política de Saúde Pública!
Vamos ver números!
Este artigo, estará desatualizado logo após sua publicação, talvez enquanto estiver sendo impresso, pois, os números são tão avassaladoramente dinâmicos e as estatísticas citadas mudam numa velocidade tão rápida, que é bastante inviável, que esses dados resistam por muito tempo!
O Ministério da Saúde adverte o Acidente Vascular Cerebral, é a doença que mais mata no Brasil, especialmente a pessoas acima de 65 anos! A cada 5 minutos uma pessoa morre desta patologia, totalizando, mais de 100.000 óbitos ao ano! A grande campeã mundial, ainda é o Infarto do Miocárdio, que segundo o MS, acomete 900.000 pessoas, e somente 2/3 se restabelecem, gerando mais de 300.000 mortes por ano, no Brasil!
Segundo dados da OMS, a cada dois minutos, morre um brasileiro por hipertensão arterial, e suas complicações,  aproximadamente, 17 milhões de portadores com 300.000 mortes/ano!
Se o caso é a Insuficiência Cardíaca, relaxe,  ocorrem “apenas” a cada 11 minutos,  são “meras” 54.000 mortes por ano, em um universo de 6.5 milhões de doentes!
Nas doenças renais os números são também bastante desanimadores, houve um aumento de 38%, dos casos de Renais Crônicos, nos últimos 10 anos segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia, hoje com aproximadamente 92.000 doentes, e 16.500 mortes anuais!
A cada 8 segundos uma pessoa morre por complicações da Diabetes Mellitus, e mais da metade dos diabéticos não sabem que são doentes, e dos que sabem apenas 25% tem acesso ou admite o tratamento!
O câncer é responsável por quase 14% das mortes no Brasil, é segunda doença que mais mata em nosso meio, sendo responsável por mais de 120.000 óbitos no ultimo ano!
Como um grande país, temos números astronômicos de morbi-mortalidade, sem citarmos os acidente de transito, e as perdas relacionadas a drogas licitas ou ilícitas!
Números servem para demonstrar o quanto há para fazer e investir em saúde, gerando uma real universalização e democratização de acesso não só aos serviços, como também aos tratamentos mais novos e modernos equilibrando as chances de recuperação de pacientes, independentemente de seu poder aquisitivo e de sua classe social, pois dinheiro há é só destinar as necessidades e prioridades, desviando do desvio!
A justificativa de que é caro é questão de óptica, uma política de prevenção, nunca é cara! Investir sem angustiar e/ou culpar o doente pela doença, ou sem parecer fazer favor, quando fornece um tratamento mais caro a quem necessite!
Cumprir a Constituição já bastava!
Mas pra quem acha saúde cara, vai meu critério de caro!
Um parlamentar federal brasileiro, custa aos cofres públicos, segundo matéria do Bom Dia Brasil, a bagatela de R$ 11.545,00 ( onze mil, e quinhentos e quarenta e cinco reais), por cada MINUTO trabalhado, isso mesmo, para cada sessenta segundos do trabalho!!
A ONG Transparência Brasil, fez o calculo; e as Assembléias Estaduais, e Câmaras de Vereadores não ficam muito atrás!!  Percebe agora porque nossa saúde publica anda tão mal? Temos o Parlamento mais caro do planeta, mais que o dobro do segundo colocado!! Caso extrapolemos ao Poder Executivo, e ao Judiciário, certamente acharíamos parte da verba tão escassa na Educação, Saúde, Segurança Pública....! Priorizar o sentido da verba arrecadada!
Contando que hajam apenas gastos lícitos, “pois vivemos num mundo ideal, sem  nenhum indício de desvios”, não seria muito difícil conseguir reduzir os números do inicio deste artigo!            
JMS

Nenhum comentário:

Postar um comentário