sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Depressão no idoso
 
 
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
 
O envelhecimento normal é por si só um forte agente de abatimento, restrição, entretecimento, angústias, ansiedades, medos, inseguranças, cansaço, com comprometimento da qualidade de vida, conflitos existenciais, e seqüela emocional.
Diversas condições ambientais, patológicas, sociais, financeiras, familiares, pessoais, podem ser agentes de alterações emocionais que cursam ou culminam com um quadro depressivo no geronte!
A classificação causal das depressões podem todas se encaixar nas depressões senis, senão vejamos, a endógena é aquela que vem com a pessoa desde sempre e persiste quando de seu envelhecimento!
A reativa, que é em reação a alguma situação vivencial traumática, muito usual no idoso!
A secundária que vem após alterações orgânicas, e destas a mais comum é a depressão vascular, que ocorre depois de eventos vasculares cerebrais sejam isquêmicos ou hemorrágicos, mas podem incidir, em quadros hipertensivos, de arritmias, como a fibrilação atrial, a diabetes, ou o hipotireidismo entre outros.
Envelhecer leva a perdas, sejam de reflexos, de mobilidade, perda do espaço e utilidade ocupacional e as vezes social! O isolamento e a solidão também são fatores desencadeadores dos distúrbios comportamentais e do humor.
As alterações persistentes do humor os surtos de ansiedade, devem ser vistos como gatilhos para quadros depressivos.
A incapacidade física pela senilidade, é fator de risco, pois gera muito estresse, a imobilidade, dor, traumas, hospitalização demorada, reabilitação intensiva, eventos vitais negativos, como, perdas de parentes, ou amigos, materiais, ou sociais, a sensação da perda do controle sobre sua própria vida, a baixa auto estima, desmoralização, crises interpessoais, levam a percepção do envelhecimento, a redução da saúde mental e autonomia funcional, gerando depressão!
Preocupação excessiva com a aparência, memória, função sexual, geram insegurança, o transtorno de ansiedade, o pânico e finalmente a depressão.
A síndrome da fadiga crônica e a fibromialgia, são degraus na direção da depressão!
O luto principalmente do cônjuge ou descendentes é fator quase instantâneo na produção desta patologia.
Os sintomas da doença são vários, dores de cabeça, ou peso nas pernas, insônia, adinamia, medos, angústias, tristezas, palpitações, diarréias, prisão de ventre, déficit imunológico, com aumento de incidência de infecções, como gripes ou herpes, alergias, dores de estomago..., e podem confundir o medico, em um primeiro momento, que nunca é o psiquiatra, podendo ser o clinico, geriatra ou cardiologista, que identificando devem tentar uma estratégia terapêutica, e quando resistente, com manias, ou surtos psicóticos, e com ideações suicidas, devem ser orientados ao psiquiatra.
No diagnostico deve-se lembrar da pseudodemencia depressiva, quando o idoso, tem agudo comprometimento da memória, por depressão, confundindo o quadro com demência pela presença das alterações cognitivas, que podem ser melhor elucidados, através do Exame Neuropsicologico, realizado por psicólogos especializados,  que demostrará uma flutuação, da memória, porem sem o comprometimento  demencial.
O fato de se diagnosticar a depressão como causa amnésica é animador, uma vez que é reversível, diferente da demência, definitiva, no entanto lembrar que estas patologias podem coexistir.
O tratamento da depressão, passa pela correção dos fatores causais, como valorização social, comunitária, estimulo constante da auto estima, psicoterapia, e terapia comportamental cognitiva e ocupacional, quando houver concurso da memória, atividade física, terapia das comorbidades desencadeantes, alem do uso de medicamentos antidepressivos, estabilizadores de humor, antipsicóticos, ansiolíticos, hipinóticos, sedativos, analgésicos, mio-relaxantes entre outros.
 A duração do tratamento deve ser mantida por período superior a seis meses, podendo chegar a dois anos, para se evitar o fenômeno da reentrada, quando os sintomas recrudescem e não reagem mais ao retorno do medicamento original, obrigando a um aumento nas doses e na quantidade de medicamentos! Alguns pacientes deverão manter a medicação em uso contínuo!       
Casos mais complexos exigem a associação de mais de duas drogas, porem penso que acima de antidepressivo/ ansiolíticos, devamos conduzir ao especialista da área.
A solidariedade e o suporte familiar são suplementos valiosos no sucesso terapêutico, a utilização de vitaminas e minerais, mal não fazem, os estimulantes de serotonina, e da melatonina, como chocolate e leite morno são belos auxiliares aos medicamentos. A pena como regra é sentimento dispensável, o respeito aos sintomas e ao paciente por mais disparatados que pareçam as queixas deve ser norte na abordagem.            
Trabalhos recentes comprovam que o distanciamento, a solidão, e o baixo índice de convivência, principalmente familiar, são agentes desencadeadores das mais diversas doenças, como hipertensão, diabetes, obesidade, depressão,  entre outras, podendo ser minorada, até mesmo com a colocação de referencias fotográficas nos ambientes de trabalho, portanto, lembre-se sempre, amar e respeitar a família, fazer e manter amizades, conviver faz bem a saúde .
JMS

Nenhum comentário:

Postar um comentário