Depressão no idoso
Dr. João
Mariano Sepúlveda
Cárdio
Geriatra
@no_formol
O envelhecimento
normal é por si só um forte agente de abatimento, restrição, entretecimento,
angústias, ansiedades, medos, inseguranças, cansaço, com comprometimento da
qualidade de vida, conflitos existenciais, e seqüela emocional.
Diversas
condições ambientais, patológicas, sociais, financeiras, familiares, pessoais,
podem ser agentes de alterações emocionais que cursam ou culminam com um quadro
depressivo no geronte!
A classificação
causal das depressões podem todas se encaixar nas depressões senis, senão
vejamos, a endógena é aquela que vem
com a pessoa desde sempre e persiste quando de seu envelhecimento!
A reativa, que é em reação a alguma situação
vivencial traumática, muito usual no idoso!
A secundária que vem após alterações
orgânicas, e destas a mais comum é a depressão vascular, que ocorre depois de eventos
vasculares cerebrais sejam isquêmicos ou hemorrágicos, mas podem incidir, em
quadros hipertensivos, de arritmias, como a fibrilação atrial, a diabetes, ou o
hipotireidismo entre outros.
Envelhecer leva a
perdas, sejam de reflexos, de mobilidade, perda do espaço e utilidade
ocupacional e as vezes social! O isolamento e a solidão também são fatores
desencadeadores dos distúrbios comportamentais e do humor.
As alterações persistentes
do humor os surtos de ansiedade, devem ser vistos como gatilhos para quadros
depressivos.
A incapacidade
física pela senilidade, é fator de risco, pois gera muito estresse, a
imobilidade, dor, traumas, hospitalização demorada, reabilitação intensiva,
eventos vitais negativos, como, perdas de parentes, ou amigos, materiais, ou
sociais, a sensação da perda do controle sobre sua própria vida, a baixa auto estima,
desmoralização, crises interpessoais, levam a percepção do envelhecimento, a
redução da saúde mental e autonomia funcional, gerando depressão!
Preocupação
excessiva com a aparência, memória, função sexual, geram insegurança, o
transtorno de ansiedade, o pânico e finalmente a depressão.
A síndrome da
fadiga crônica e a fibromialgia, são degraus na direção da depressão!
O luto
principalmente do cônjuge ou descendentes é fator quase instantâneo na produção
desta patologia.
Os sintomas da
doença são vários, dores de cabeça, ou peso nas pernas, insônia, adinamia,
medos, angústias, tristezas, palpitações, diarréias, prisão de ventre, déficit
imunológico, com aumento de incidência de infecções, como gripes ou herpes,
alergias, dores de estomago..., e podem confundir o medico, em um primeiro
momento, que nunca é o psiquiatra, podendo ser o clinico, geriatra ou cardiologista,
que identificando devem tentar uma estratégia terapêutica, e quando resistente,
com manias, ou surtos psicóticos, e com ideações suicidas, devem ser orientados
ao psiquiatra.
No diagnostico
deve-se lembrar da pseudodemencia depressiva, quando o idoso, tem agudo
comprometimento da memória, por depressão, confundindo o quadro com demência
pela presença das alterações cognitivas, que podem ser melhor elucidados,
através do Exame Neuropsicologico, realizado por psicólogos especializados, que demostrará uma flutuação, da memória,
porem sem o comprometimento demencial.
O fato de se
diagnosticar a depressão como causa amnésica é animador, uma vez que é
reversível, diferente da demência, definitiva, no entanto lembrar que estas
patologias podem coexistir.
O tratamento da
depressão, passa pela correção dos fatores causais, como valorização social,
comunitária, estimulo constante da auto estima, psicoterapia, e terapia
comportamental cognitiva e ocupacional, quando houver concurso da memória,
atividade física, terapia das comorbidades desencadeantes, alem do uso de
medicamentos antidepressivos, estabilizadores de humor, antipsicóticos, ansiolíticos,
hipinóticos, sedativos, analgésicos, mio-relaxantes entre outros.
A duração do tratamento deve ser mantida por
período superior a seis meses, podendo chegar a dois anos, para se evitar o
fenômeno da reentrada, quando os sintomas recrudescem e não reagem mais ao retorno
do medicamento original, obrigando a um aumento nas doses e na quantidade de
medicamentos! Alguns pacientes deverão manter a medicação em uso contínuo!
Casos mais
complexos exigem a associação de mais de duas drogas, porem penso que acima de
antidepressivo/ ansiolíticos, devamos conduzir ao especialista da área.
A solidariedade e
o suporte familiar são suplementos valiosos no sucesso terapêutico, a
utilização de vitaminas e minerais, mal não fazem, os estimulantes de serotonina,
e da melatonina, como chocolate e leite morno são belos auxiliares aos medicamentos.
A pena como regra é sentimento dispensável, o respeito aos sintomas e ao
paciente por mais disparatados que pareçam as queixas deve ser norte na
abordagem.
Trabalhos
recentes comprovam que o distanciamento, a solidão, e o baixo índice de
convivência, principalmente familiar, são agentes desencadeadores das mais
diversas doenças, como hipertensão, diabetes, obesidade, depressão, entre outras, podendo ser minorada, até mesmo
com a colocação de referencias fotográficas nos ambientes de trabalho,
portanto, lembre-se sempre, amar e respeitar a família, fazer e manter amizades,
conviver faz bem a saúde .
JMS

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