sexta-feira, 5 de abril de 2013

“Sedare dolorum...
 
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
 
Bemvindo aquele que vem para que se removam suas dores! De maneira rotineira, muitos idosos afirmam que acham “que se não fossem essas dores não estava aqui, pois, no mais estou bonzinho”, logo, as dores na maioria das vezes, são fatores desencadeantes de procura do profissional pelo paciente. Embora sendo o alarme, quase sempre, terminam não sendo o mais grave motivo que traz o paciente à consulta médica.
Existe uma piada que diz que um cidadão idoso se dirige a esposa dizendo: mulher se algum dia eu acordar sem nenhuma dor no corpo,sem sentir nadinha, me sacode, me belisca, pois, é porque morri! Nem tanto assim, porém, que elas existem, existem!
Ocorrem pela perda de elasticidade muscular, pela diminuição de lubrificação articular por redução da produção do líquido sinovial, por carências minerais ( cálcio, magnésio, potássio entre outros ), vitamínicas ( B1, B12 ), processos neurológicos, por distúrbios posturais,  lesões de esforço de repetição, quedas, tropeços, próteses, pela ergonomia ( matéria que estuda forma , altura , tamanho e etc..) dos móveis, salas de quase todos os serviços os quais os idosos fazem uso, a falta de aclive e declive, a irregularidade e insegurança das calçadas, das praças, dos transportes.
Também a muito pouca atenção aos cidadãos em geral e as dores, ou ao que pode causa-las aos idosos.
A cultura do deixar quebrar e depois colar e não pelo apreço à prevenção, do agir antes, de ao menos tentar evitá-las!
Há dores por hipersensibilidade no couro cabeludo; no globo ocular (dito caroço dos olhos) o que leva a investigar a pressão intraocular, por trauma ou desgaste na articulação têmporo-mandibular que ocorre ou piora à mastigação ou ao bocejo.
Existem as dores de cabeça frontais (testa) da sinusite, em metade do crâneo das enxaquecas, as occipitais (nuca) da pressão alta, as cervicais por processos da coluna, as dores do omoplata dita pelo povo, pá, provocada pelo estresse e pela tensão em excesso.
 
Dores de peito que são das mamas, e as dores no peito que irradiam para o braço esquerdo para as costas e até para o queixo do infarto ou de estômago já que os plexos neurais são comuns.
As famigeradas dores nas costas, seja, do cálculo renal, sejam dos desvios de coluna, dos nada ecológicos “bicos de papagaio”, processo artrótico de desgaste e deformação que causam muitas crises álgicas, que são indevidamente atribuídas à osteosporose que destrói, mas dificilmente causa dor.
As dores de barriga como cólicas intestinais (puxado) que podem vir ou não com diarréia, na boca do estômago que quando vem com azia e queimação é da gastrite ou de refluxo, ou com ardor e um pouco mais à direita é da cólica biliar ( vesícula ) que quase sempre debita ao fígado ,que difícilmente dói, a conta da doença.
A dor em cinto da pancreatite que leva à urgência (atenção com o triglicerídeos muito alto), as dores de viado que dão pouco nos velhos, e mais nos jovens, mas em ambos quando correm! A dor evolutiva e sobre a costela que migra até a coluna, do herpes ou cobreiro como chamam os populares.
As dores lombares de cálculos renais que imitam as fortes dores do parto mesmo que no homem!
A dor em baixo ventre, da bexiga, quando se tem infecção urinária, vem com cistite que é a vontade de urinar à todo instante. Nos muito idosos já demenciados é sempre causa de inquietação e insônia. Há dores com movimentos no abdomem de gases da colite, divertículite, das aderências pós cirúrgicas. Dores costais de apenas um dos lados que piora à respiração das infecções pulmonares.
Há as dores nos quartos (bacia), joelhos e tornozelos, dos processos artróticos/atríticos. As dores no calcanhar do esporão dito de galo?! As ciáticas que começam na coluna e “correm” por trás das pernas. Nas pernas também por neurites sejam vasculares, diabéticas, alcoólicas que na maioria das vezes melhoram com uso de vitaminas do complexo B. Também nas pernas as dores cansadas de quem está ou vai ter depressão, ou apenas com anemia.
Há dores no corpo todo da gripe que graças à Deus passa com ela em mais ou menos 5 dias, e   da dengue que fica muito depois dela passar.
As dores de todo o corpo, do fio do cabelo aos dedos dos pés da tão culpada fibromialgia que migram mudando de lugar e  intensidade de acordo com alterações na produção de neurotransmissores do eixo serotonina/adrenalina e necessitam de abordagem clínica bastante ampla e multiprofissional.
As dores dos processos oncológicos, tão renitentes persistentes e de muito especializado e complexo tratamento, talvez o maior desafio álgico a ser enfrentado.
Existem as dores que fazem rir, ditas, pelo paciente que quando sente dá risada! As que pressentem o clima dói as juntas quando esfria ou vai chover!
Talvez sejam, o sintoma clínico mais utilizado nos poemas, nos versos, e no cancioneiro popular como manifestação de profundo sentimento de sofrimento diante de alguma adversidade afetiva e ou de uma frustração muito intensa. “Se eu soubesse como dói a vida, essa dor tão doída, não doía assim”.
Há também as dores de cotovelo, que deste passam longe, que amuam, entristecem e não cessam com analgésicos, mas como todos que têm mais experiência sabem diminuem com o tempo.
Há as dores da própria existência que doem sem motivos apenas pelos questionamentos inerentes à frágil condição humana, as dores das perdas, as dores da alma, as dores que cessam e as que  nunca vão cessar, a dor do não ter cura, a dor da saudade, do que não deu tempo de dizer, do que não deu tempo de fazer, do gesto perdido.
Sejam quais forem suas dores, é sempre bom lembrar, que tem um jeito de senão tirar, ao menos amenizar.
... opus divinum est” . 
JMS

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