Fibromialgia
Síndrome da fadiga crônica e doenças mitocondriais
Cárdio Geriatra
@no_formol
Considerada uma
síndrome reumatológica, é talvez uma das doenças, mais multiprofissionais que
existem, debilitante, restritiva, confusa, pois passeia por um cem número de
sintomas, físicos, psicológicos e emocionais, numa sinfonia quase sem fim de
queixas.
Entidade clínica
caracterizada por dores musculares migratórias, difusas, persistentes,
crônicas, evolutivas é talvez a doença que mais leva o paciente ao médico, e porque
não dizer aos médicos, pois por sua característica, dificilmente o problema se
resolverá às primeiras abordagens. Calcula-se que este paciente seja avaliado
por 3 a 4
médicos até se estabelecer o diagnóstico.
Mais comum em
mulheres na proporção de 10/1, diminui na terceira idade, porém, ainda assim é
muito encontrada na prática diária da geriatria. Doença de diagnóstico eminentemente
clínico e presuntivo valoriza sobretudo, a capacidade de observação, leitura e
somatório de sintomas tão vastos e desencontrados.
Doença mitocondrial,
que precede ou acompanha a fadiga crônica que é o cansaço permanente e desproporcional
aos esforços depreendidos, para a realização de tarefas normais e diárias,
referem os pacientes, que viver cansa! Ocorre provavelmente por um defeito na
produção de energia pelo “motor” da célula, a mitocôndria. Pode ser secundária
a distúrbios no metabolismo da glicose, déficit imunológico, hormonal ou
nutricional, infecções, trauma físico, depressão. Caracteriza-se por rigidez e dor em pontos
musculares, 18 ao todo, porém para
caracterizar a doença não é necessário todos doerem ao mesmo tempo, dor
crônica, alterações persistentes no sono, a fadiga, já citada, ansiedade,
depressão, mudanças de hábitos intestinais, edemas e frio de extremidades, mãos
e pés, boca seca, “bolo na garganta” com dificuldades de engolir, palpitações,
e tremores, fraqueza.
Pode afetar a
qualidade de vida, a ponto de influir no trabalho, estudo, relacionamentos
pessoais, sejam conjugais ou familiares. O paciente já chega exaurido, desgastado,
descrente , pois na maioria das vezes submeteu-se a várias terapias com sucesso
discutível. O medo de estar sofrendo de algo muito grave e consuptivo, como
câncer ou inflamação, deve ser substituído por orientação no sentido tranqüilizador e otimista. A partir do diagnóstico
e com o envolvimento do paciente em seu
tratamento as chances de melhora, aumentam significativamente.
Exames devem ser
realizados, não para confirmar o diagnóstico, já que não existe, para tal, mas
para eliminar outras patologias que podem cursar com sintomas similares.
O estresse, o
estilo de vida, sua inserção social e no trabalho devem ser pesquisados, o
aconselhamento e o estímulo ao aprendizado da melhor forma de lidar com possíveis
gatilhos da síndrome álgica.
A atividade
física é paradoxal, pois, piora no início ou quando muito intensa, e posteriormente melhora a dor, quando acompanhada
de compressas quentes ou frias, massagens, hidroterapia, fisioterapia com
ultra-som, e principalmente a acupuntura, que tem eficácia notada nesta
patologia.
O suporte
psicológico ou até mesmo psiquiátrico, ajudam de forma acentuada o tratamento,
técnicas de relaxamento e alongamento, terapias cognitivo comportamental ou
hipnose podem ser benéficas quando houver predominância de estresse, ansiedade
ou depressão.
O tratamento é
peça de ficção, pois, cada paciente responde de uma maneira, mas via de regra o
uso de antiinflamatórios, corticóides são ineficazes, os tranqüilizantes benzodiazepínicos
devem ser evitados. Deve ser considerado o uso de antidepressivos, pricipalmente
a amtriptilina, dotiepina, maprolitina, assim como a ciclobenzapina, sempre com doses baixas e progressivas. A
utilização de suplementos multivitamínicos e antioxidantes, ajudam principalmente
na sintomatologia de fadiga crônica, pois possibilitam reduzir o cansaço. Considerar o uso nas vitaminas da ubiquinona, a co enzima
Q10, que age diretamente, no foco da doença, a síntese de ATP, bem como o ácido
málico, substância existente em grandes quantidades na casca da maçã. O triptófano
aminoácido presente no leite tem leves efeitos.
As doenças de
esgotamento mitocondrial parecem estar ligadas, ao consumo, fixação, ou utilização
de uma substância pelo organismo, a serotonina,
produzida em maior quantidade no intestino e utilizada em sua maior
parte no cérebro, a bioquímica desta substância parece estar associada ao ciclo
vicioso de fadiga crônica, fibromialgia, síndrome de pânico, estado depressivo
crônico, patologias, que se sucedem na evolução destas entidades clínicas.
No paciente idoso
estas dores mascaram e confundem sobre o real diagnóstico estabelecido. Sejam
quais forem suas dores o “truque” é sempre acessar um bom profissional, relatar
minuciosamente os sintomas, sabendo que dificilmente temos diversas doenças
pelos diversos sintomas, e sim uma ou no máximo duas doenças com um sem número
de sintomas. No histórico médico anotamos, “paciente sem queixas”, quando ele nada sente, na fibromialgia anotamos
“paciente cem queixas”.
JMS
Nenhum comentário:
Postar um comentário