sexta-feira, 19 de julho de 2013

Fibromialgia

Fibromialgia
Síndrome da fadiga crônica e doenças mitocondriais
 Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
 
Considerada uma síndrome reumatológica, é talvez uma das doenças, mais multiprofissionais que existem, debilitante, restritiva, confusa, pois passeia por um cem número de sintomas, físicos, psicológicos e emocionais, numa sinfonia quase sem fim de queixas.
Entidade clínica caracterizada por dores musculares migratórias, difusas, persistentes, crônicas, evolutivas é talvez a doença que mais leva o paciente ao médico, e porque não dizer aos médicos, pois por sua característica, dificilmente o problema se resolverá às primeiras abordagens. Calcula-se que este paciente seja avaliado por 3 a 4 médicos até se estabelecer o diagnóstico.
Mais comum em mulheres na proporção de 10/1, diminui na terceira idade, porém, ainda assim é muito encontrada na prática diária da geriatria. Doença de diagnóstico eminentemente clínico e presuntivo valoriza sobretudo, a capacidade de observação, leitura e somatório de sintomas tão vastos e desencontrados.
Doença mitocondrial, que precede ou acompanha a fadiga crônica que é o cansaço permanente e desproporcional aos esforços depreendidos, para a realização de tarefas normais e diárias, referem os pacientes, que viver cansa! Ocorre provavelmente por um defeito na produção de energia pelo “motor” da célula, a mitocôndria. Pode ser secundária a distúrbios no metabolismo da glicose, déficit imunológico, hormonal ou nutricional, infecções, trauma físico, depressão.   Caracteriza-se por rigidez e dor em pontos musculares, 18  ao todo, porém para caracterizar a doença não é necessário todos doerem ao mesmo tempo, dor crônica, alterações persistentes no sono, a fadiga, já citada, ansiedade, depressão, mudanças de hábitos intestinais, edemas e frio de extremidades, mãos e pés, boca seca, “bolo na garganta” com dificuldades de engolir, palpitações, e tremores, fraqueza.
Pode afetar a qualidade de vida, a ponto de influir no trabalho, estudo, relacionamentos pessoais, sejam conjugais ou familiares. O paciente já chega exaurido, desgastado, descrente , pois na maioria das vezes submeteu-se a várias terapias com sucesso discutível. O medo de estar sofrendo de algo muito grave e consuptivo, como câncer ou inflamação, deve ser substituído por orientação no sentido  tranqüilizador e otimista. A partir do diagnóstico e com o envolvimento do paciente em seu  tratamento as chances de melhora, aumentam significativamente.   
Exames devem ser realizados, não para confirmar o diagnóstico, já que não existe, para tal, mas para eliminar outras patologias que podem cursar com sintomas similares.
O estresse, o estilo de vida, sua inserção social e no trabalho devem ser pesquisados, o aconselhamento e o estímulo ao aprendizado da melhor forma de lidar com possíveis gatilhos da síndrome álgica.
A atividade física é paradoxal, pois, piora no início ou quando muito intensa,  e posteriormente melhora a dor, quando acompanhada de compressas quentes ou frias, massagens, hidroterapia, fisioterapia com ultra-som, e principalmente a acupuntura, que tem eficácia notada nesta patologia.
O suporte psicológico ou até mesmo psiquiátrico, ajudam de forma acentuada o tratamento, técnicas de relaxamento e alongamento, terapias cognitivo comportamental ou hipnose podem ser benéficas quando houver predominância de estresse, ansiedade ou depressão.
O tratamento é peça de ficção, pois, cada paciente responde de uma maneira, mas via de regra o uso de antiinflamatórios, corticóides são ineficazes, os tranqüilizantes benzodiazepínicos devem ser evitados. Deve ser considerado o uso de antidepressivos, pricipalmente a amtriptilina, dotiepina, maprolitina, assim como a ciclobenzapina,  sempre com doses baixas e progressivas. A utilização de suplementos multivitamínicos e antioxidantes, ajudam principalmente na sintomatologia de fadiga crônica, pois possibilitam reduzir o cansaço. Considerar  o uso nas vitaminas da ubiquinona, a co enzima Q10, que age diretamente, no foco da doença, a síntese de ATP, bem como o ácido málico, substância existente em grandes quantidades na casca da maçã. O triptófano aminoácido presente no leite tem leves efeitos.
As doenças de esgotamento mitocondrial parecem estar ligadas, ao consumo, fixação, ou utilização de uma substância pelo organismo, a serotonina,  produzida em maior quantidade no intestino e utilizada em sua maior parte no cérebro, a bioquímica desta substância parece estar associada ao ciclo vicioso de fadiga crônica, fibromialgia, síndrome de pânico, estado depressivo crônico, patologias, que se sucedem na evolução destas entidades clínicas.
No paciente idoso estas dores mascaram e confundem sobre o real diagnóstico estabelecido. Sejam quais forem suas dores o “truque” é sempre acessar um bom profissional, relatar minuciosamente os sintomas, sabendo que dificilmente temos diversas doenças pelos diversos sintomas, e sim uma ou no máximo duas doenças com um sem número de sintomas. No histórico médico anotamos, “paciente sem queixas”, quando ele nada sente, na fibromialgia anotamos “paciente cem queixas”.
 JMS

 

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