segunda-feira, 4 de julho de 2016

SONO E MEMÓRIA

Dr João Mariano Sepúlveda
Cardio - Geriatra - Ortomolecular
@no_formol
www.medicareclinica.com.br


SONO E MEMÓRIA

Estudos muito recentes demonstram e sugerem a importante conexão de nosso titulo.
O sono é tão imperativo que mesmo em guerra soldados dormem em pé, dentro de abrigos, trincheiras, sua privação irrita, desorienta e leva a redução de reflexos, movimentos automatizados, como dirigir.  
Qual a real dimensão do sono na saúde mental e na memoria, que mecanismo torna tão importante o start reparador da pausa diária?
Que link aproxima-os?
O funcionamento cerebral consome quantidades absurdas de energia, para manutenção de atividades e estimulação, a geração de energia, produz uma quantidade significativa de resíduos, esses se depositam no parênquima cerebral como o refugo de produção diário.
Permanecendo no tecido em pouco tempo teríamos a deposição de tantos, “detritos” que rapidamente deixaria de funcionar adequadamente.
A “limpeza” do organismo se faz atreves do sistema circulatório, evidente no tecido cerebral,  e linfático, que até recentemente pensamos não existir neste orgão.
Existem sim,  e chamam-se glinfaticos, que servem para eliminar resíduos nutricionais de sobremaneira os proteicos que impediriam os depósitos de proteínas no tecido cerebral, que não possa ser excluído pelo sistema circulatórios cardio-vascular
O liquor permeia o tecido cerebral e se conecta com esse sistema usando o espaço peri vascular e o entorno deste como estradas, as células gliais que envolvem os delicados tecidos cerebrais e responsáveis por contatos entre redes neurais formariam a parede de contenção onde circulariam a linfa cerebral = glinfoide.
Drenam, filtram, removem e reiniciam o processo. 
Todo esse processo se dá durante o sono de ondas lentas, o que propõe um estreito elo entre o bom sono e a memória, suspeitas antigas que vão se confirmando por execução de pesquisas.
Nova é a hipótese de ocorrer durante o sono, por analogia, o sono ruim, irregular, e não fisiológico pode estar intrinsecamente associado a Demência de Alzhaimer, devido à dificuldade de remoção noturna de resíduos cerebrais provendo assim depósitos proteicos tipo beta amiloide ou tau proteína emparelhados neuro fibrinoides, “residuos” não reduzidos, espaços não reparados e fisiopatogenia para uma das doenças mais difíceis de entender na geriatria! Luzes!!! 
Quando sob anestesia, cobaias estudadas, tem a eliminação de resíduos  plena, comprovando a eficácia restauradora de uma noite de bons e profundos sonos!
Cobaias submetidas a insônia crônica, com privação continua e dosando as proteínas no cérebro, mostram aumento acentuado desta, por outro lado quando submetidas a sonos circadianos mostram redução significativa nesses níveis, certificando que durante o sono o clerance (filtragem) cerebral da proteina beta amilode se faz de maneira efetiva. 
Piora quanto mais crônico for o processo, logo, reparar processos de insônia pode contribuir frontalmente na prevenção da perda de memoria. 
A toalete se dá por meio dos glinfaticos analogicamente, a vigília aumenta o estresse oxidativo , com aumento de radicais livres, envelhecimento e deterioração do estado geral cognitivo.
Leva-nos a aventar que talvez a Demência de Alzheimer, seja, muito mais uma  doença de depósito que neuro degenerativa!? 
Provavelmente a insônia como protagonista de um quadro que atribuíamos a outros fatores que não os atualmente elencados, além das  outras doenças envolvidas, obesidade, diabetes, hipertensão... Que já reúnem importantes evidencias com o sono. 
Também se estuda o sono como start de consolidação de memoria,   mudança de local de guarda de fatos de arquivamento, alterando o período de aquisição de memorias.
Interferindo também na redistribuição, reativação, e  buscas de estabilização de lembranças.
Todos esses fatos estão em fase final de comprovação e trazem um enorme facho luminoso sobre essa sombria patologia que deteriora o funcionamento cerebral de milhares de portadores de alterações cognitivas sem bons resultados práticos.
Exames de Polissonografia, Tomografia, Ressonância Magnética e Eletroencefalograma ajudam no estudo desta matéria.
Investir na reparação, obtenção, restauração, recuperação da qualidade do sono, pois, pode vir a ser o melhor caminho para evitar ou postergar a perda continua de memoria.

JMS

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