Conflito de gerações
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br
O título deste
artigo não remete a adolescentes problemáticos e seus pais inseguros e reféns, desenvolvo
esse tema, para pais e filhos, que têm dificuldade de se relacionarem, e, por
conseguinte, se compreenderem em idades maduras, quando os filhos passam ou
tentam passar a apoiar e/ou cuidar de seus pais, ou como um todo de sua geração
imediatamente superior, tios ou até mesmo avós!
Teimosos
contumazes, os gerontes não cedem a intransigência crônica de filhos
impositivos, que escudados com eu sei o que é melhor para você, justificam suas
ações em “boas intenções”!
-Papai precisa ir
ao médico, mamãe vai se operar, com um médico muito mais famoso que o dela,
titia tem que trocar seu remédio de pressão...
O caldo de
cultura para o confronto esta formado, não houveram as consultas, e convencimentos adequados para
que se consiga a cumplicidade do principal interessado. O idoso se sente
desprestigiado, vê seu livre arbítrio, sua independência subjugada e isso é
devastador ao seu ego, já fragilizado pelo processo de envelhecer.
-Se já não posso
comer o que quero, não posso sair quando quero, se muitas vezes dedico meus
dias a cuidar de seus filhos, sua casa, se sou eu quem procura e orienta a sua
empregada, porque, que na hora que digo que ela não é boa, minha opinião não
vale? Porque que quando meus netos não me respeitam, meus filhos ficam contra
mim? Pra cuidar eu presto, para impor o respeito não? Quem minha nora pensa que
é para gritar comigo?
-Moro em outra
cidade e meu filho insiste que eu me mude para a sua cidade, para ficar
próxima, porque não se mudam eles para perto, ou porque não podem passar mais
tempo em minha casa? Gosto mesmo é do meu canto!
-Construí uma
linda clinica com que há de melhor para minha filha recém formada, e ela
preferiu se associar a um ex-professor e montou outra, me forçando a um gasto
muito maior, e deixando a que eu fiz para ela sem serventia, o que eu fiz de
errado?!?
Todos estes
relatos e citações são extraídos do dia a dia em nosso serviço, muito resumido
e depurado, pois se fossemos citar tudo que ouvimos nestas relações, qualquer
espaço seria pequeno!
Esforço sem
consenso, pode levar a culpas, perdas e danos nas relações entre pais e filhos!
Outra situação
delicada é a cobrança da fatura de relações conflituosas na juventude, quando o
idoso já está senil ou pré senil e sem condições de se defender, parece desumano,
mas não é raro filho(a)s, que chegam a dizer, quando “estava bem, vivia com raparigas”,
ou ainda, “ela batia muito na gente”.... Tomo estas atitudes como covardia,
tanto as dos pais contra os filhos, e vice –versa! Embora compreendendo práticas em outras épocas,
sua manutenção e perpetuação são injustificáveis!
Por outro ângulo
de se observar, não é incomum, filhos que se queixam que seus idosos comem o
que não devem, escondido, que se furtam a fazer seu asseio de forma adequada,
que não cumprem as orientações de seus médicos e que se negam a se submeter a
determinações, que eles deixam em caso relativas a casa, as crianças, as comidas....!
Ufa!
Conviver,
significa viver com, junto, próximo, participando um da vida do outro, mas não
vivendo a vida do outro, penso que a grande falha está na tentativa de se
tentar viver a vida do outro, não respeitando os limites naturais da individualidade,
e esta invasão de privacidade, quando ultrapassa a tênue linha que separa a
vida de um neto, da de seu avô, de uma irmã, da de seu irmão, é agente desagregador
familiar, e deve ser repensado!
Embora possa ser
resolvido com a prática regular do diálogo, não se deve descartar um terapeuta
familiar, que pode agir como um mediador!
Exercer muito
amor familiar, sempre praticando o perdão e não levando para frente mágoas que
possam ser resolvidas apenas com o exercício da compreensão, entre partes que
possivelmente e seguramente se amam muito e devem portanto,
se respeitarem na mesma proporção!
Amor sem respeito
em qualquer relação não é amor, é posse!
Respeito como
regra, compreensão como meio, projeção no qual um deve se colocar no lugar do outro
e mesmo em condições de risco, quando lúcidos o livre arbítrio como direito
final na forma de viver ou morrer do idoso!
JMS
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