sexta-feira, 2 de maio de 2014



O idoso e a cirurgia

Dr. João Mariano Sepúlveda
Cardio Geriatra
@no_formol

Poucas coisas preocupam tanto o idoso e seus familiares quanto a necessidade de se submeter a um ato cirúrgico, do mais simples ao mais complexo falar que um paciente mais velho, ou senil, precisa passar por isso estressa a todos envolvidos,  se tornando problema para o clinico que acompanha o paciente!
O ato cirúrgico no geronte,  na maioria das vezes é super dimensionado, porem, que se deve ter uma especial atenção, isso lá é verdadeiro!
Muitas vezes a procrastinação na realização do ato cirúrgico piora o seu prognóstico, pois, pode transformar uma cirurgia eletiva, portanto de baixo risco, em uma cirurgia emergencial de maior porte, logo de maior risco!
Os dois principais fatores que interferem no prognóstico pós cirúrgico, são as comorbidades pré existentes, e a urgência do procedimento! Nos idosos a incidência de necessidade cirúrgica é sempre maior, pois, se avizinham entidades patológicas muito mais freqüentes. O exemplo, a catarata, é um procedimento eminentemente mais comum em idades mais avançadas! As intervenções em pele, mamas, ginecológicas, prostáticas, seguem o mesmo perfil!
O local do procedimento também conferem maior ou menor risco, cavidades abdominais e torácicas são sítios de maior morbidade!
A função do clinico é visualizar e elencar, possíveis fatores de risco e patologias pré-existentes que possam interferir na  cirurgia e em sua recuperação, e tentar formar a maior reserva fisiológica geriátrica possivel!
A demência, o Parkinson, e a depressão  que interferem na recuperação, a  desnutrição, desidratação, que interferem no pré e no pós cirúrgico;   as ósseas de membros inferiores, e quadril,  pois interferem na mobilidade, como por exemplo os implantes de próteses de joelhos ou cabeça de fêmur, são situações previsíveis no paciente que vai se operar!
Fatores que devem ser valorizados na história prévia, passam pela condição cardíaca, com destaque para infartos recentes, angina, insuficiência cardíaca congestiva e doença arterial coronariana. Pressão arterial compensada não aumenta o risco, mas se flutuante ou instável deve ser primeiro estabilizada. 
Processos tromboembólicos, embolia pulmonar, muito freqüente em cirurgias ósseas de quadril, ou abdominal de doenças malignas!
O exame físico cardiológico valorizando a ausculta, o ritmo e a observação de doença pulmonar obstrutiva crônica, o exame neuropsicológico percebe cedo limitações comportamentais que possam estar limítrofes e que se exacerbem no pós cirúrgico.
Eletrocardiograma, detecta isquemias, ou arritmias; o raio X de tórax, doenças pulmonares; hemograma, vê a presença de infecções ou anemias; coagulograma a capacidade de reparação a injúria da perda de sangue; glicose para diabetes que interfere na cicatrização; eletrólitos, uréia e creatinina para avaliar condição de hidratação e filtração renal.
Em casos de maior risco, deve-se considerar o Ecocardiograma ou Eco de stress, Holter de 24hs, ou Teste Ergométrico, e o Teste de função pulmonar de acordo com as necessidades de cada paciente!
Como regra solicita-se dos pacientes, quando for o caso, que deixe de fumar ao menos duas semanas antes da data do procedimento, maximiza-se as doses dos medicamentos cardiológicos, e faz-se a proteção ao tromboemboloismo, quando o caso assim exigir, por exemplo em pacientes com lupus, ou que já tenha tido um episodio de trombose venosa profunda!
No pós cirúrgico quanto mais precoce o retorno as atividades físicas e a realização de fisioterapias reparadoras são sempre bem-vindas!
A idade tornam necessárias um sem números de procedimentos que trazem intrínsecos riscos ao idoso, porem maiores riscos ocorrem quando agimos como donos, ou deuses dos idosos, e vaticinamos, que já não adianta fazer isso, ou aquilo, devido a idade avançada, como que a determinar o tempo que ainda resta ao paciente! Sempre digo que isso não nos pertence, devemos ter em mente, recuperar a saúde plena do geronte e deixar a Deus, a tarefa de determinar seu “ prazo de validade”!
JMS       

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