O idoso e a cirurgia
Dr.
João Mariano Sepúlveda
Cardio
Geriatra
@no_formol
Poucas
coisas preocupam tanto o idoso e seus familiares quanto a necessidade de se
submeter a um ato cirúrgico, do mais simples ao mais complexo falar que um
paciente mais velho, ou senil, precisa passar por isso estressa a todos envolvidos, se tornando problema para o clinico que acompanha
o paciente!
O
ato cirúrgico no geronte, na maioria das
vezes é super dimensionado, porem, que se deve ter uma especial atenção, isso
lá é verdadeiro!
Muitas
vezes a procrastinação na realização do ato cirúrgico piora o seu prognóstico,
pois, pode transformar uma cirurgia eletiva, portanto de baixo risco, em uma
cirurgia emergencial de maior porte, logo de maior risco!
Os
dois principais fatores que interferem no prognóstico pós cirúrgico, são as comorbidades
pré existentes, e a urgência do procedimento! Nos idosos a incidência de
necessidade cirúrgica é sempre maior, pois, se avizinham entidades patológicas
muito mais freqüentes. O exemplo, a catarata, é um procedimento eminentemente
mais comum em idades mais avançadas! As intervenções em pele, mamas,
ginecológicas, prostáticas, seguem o mesmo perfil!
O
local do procedimento também conferem maior ou menor risco, cavidades
abdominais e torácicas são sítios de maior morbidade!
A
função do clinico é visualizar e elencar, possíveis fatores de risco e patologias
pré-existentes que possam interferir na
cirurgia e em sua recuperação, e tentar formar a maior reserva
fisiológica geriátrica possivel!
A
demência, o Parkinson, e a depressão que
interferem na recuperação, a
desnutrição, desidratação, que interferem no pré e no pós cirúrgico; as ósseas de membros inferiores, e quadril, pois interferem na mobilidade, como por
exemplo os implantes de próteses de joelhos ou cabeça de fêmur, são situações
previsíveis no paciente que vai se operar!
Fatores
que devem ser valorizados na história prévia, passam pela condição cardíaca,
com destaque para infartos recentes, angina, insuficiência cardíaca congestiva
e doença arterial coronariana. Pressão arterial compensada não aumenta o risco,
mas se flutuante ou instável deve ser primeiro estabilizada.
Processos
tromboembólicos, embolia pulmonar, muito freqüente em cirurgias ósseas de
quadril, ou abdominal de doenças malignas!
O
exame físico cardiológico valorizando a ausculta, o ritmo e a observação de
doença pulmonar obstrutiva crônica, o exame neuropsicológico percebe cedo
limitações comportamentais que possam estar limítrofes e que se exacerbem no
pós cirúrgico.
Eletrocardiograma,
detecta isquemias, ou arritmias; o raio X de tórax, doenças pulmonares; hemograma,
vê a presença de infecções ou anemias; coagulograma a capacidade de reparação a
injúria da perda de sangue; glicose para diabetes que interfere na
cicatrização; eletrólitos, uréia e creatinina para avaliar condição de hidratação
e filtração renal.
Em
casos de maior risco, deve-se considerar o Ecocardiograma ou Eco de stress,
Holter de 24hs, ou Teste Ergométrico, e o Teste de função pulmonar de acordo
com as necessidades de cada paciente!
Como
regra solicita-se dos pacientes, quando for o caso, que deixe de fumar ao menos
duas semanas antes da data do procedimento, maximiza-se as doses dos
medicamentos cardiológicos, e faz-se a proteção ao tromboemboloismo, quando o
caso assim exigir, por exemplo em pacientes com lupus, ou que já tenha tido um
episodio de trombose venosa profunda!
No
pós cirúrgico quanto mais precoce o retorno as atividades físicas e a
realização de fisioterapias reparadoras são sempre bem-vindas!
A
idade tornam necessárias um sem números de procedimentos que trazem intrínsecos
riscos ao idoso, porem maiores riscos ocorrem quando agimos como donos, ou
deuses dos idosos, e vaticinamos, que já não adianta fazer isso, ou aquilo,
devido a idade avançada, como que a determinar o tempo que ainda resta ao paciente!
Sempre digo que isso não nos pertence, devemos ter em mente, recuperar a saúde
plena do geronte e deixar a Deus, a tarefa de determinar seu “ prazo de
validade”!
JMS
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