O idoso com câncer
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br
Paciente de qualquer idade com diagnóstico
de qualquer doença, fica tenso, preocupado, inseguro...
O geronte muito mais, e pior quando o
diagnóstico versa sobre o câncer, doença temida e estigmatizada, como final dos
tempos entre os mais idosos! Compreensível , pois, há bem pouco tempo esta
assertiva correspondia a uma sentença, recheada de sofrimentos pessoais e
familiares.
Existe uma máxima em gerontologia que diz
que se todos os idosos vivessem até os cem anos, os de sexo masculino, teriam
câncer de próstata, e as do sexo feminino o de mama. Logo estes relacionam-se com o envelhecimento de tecidos
e são esperados, portanto, previsíveis!
Talvez a maior incidência de câncer em
idades avançadas esteja vinculada ao lento e progressivo declínio de sua
condição de vigilância imunológica. Condições genéticas, e lesões no DNA
celular entre outras causas!
Os principais tipos de câncer incidentes
nos idosos, são colo-retal, pulmão,
leucemia, principalmente a mielóide aguda, os linfomas de Hodgkin, e
não-Hodgkin, alem do ginecológico e de mamas em mulheres, e de próstata em
homens. Lembrar que homens também podem ter câncer de mamas!
Os fatores que interferem nas condições de
tratamento e recuperação do paciente idoso com câncer, passam pela função renal
e hepática, devido a filtração e excreção de metabólitos, a função
cardio-pulmonar, devido ao condicionamento físico, fator importante na
tolerância das terapêuticas! A integridade de mucosas, para agilizar processos
cicatriciais. A função neurológica, já que os quadros de delírios secundários
são comuns na vigência do tratamento!
O tratamento, tem como objetivo a cura, a
paliação, ou o simples alívio dos sintomas! Esses vão determinar sua
agressividade e quanta toxidade será aceitável. A escolha passa pela quimioterapia, hormonal, biológica
ou imunológica, a radioterapia, e a cirurgia. Além da combinação de todas estas
abordagens, dependendo da estratégia adotada! A escolha e adaptação adequadas
da terapêutica proposta vai ter influencia direta no sucesso ou no fracasso
deste, sempre se levando em conta que o idoso é usuário de em média quatro
medicações o que reduz e interfere no seu índice de tolerância a novas
medicações administradas.
Atentar que o geronte sendo parte ativa e
interessada de seu tratamento, estando lúcido, deve ser consultado e informado
sobre as estratégias a que vamos submete-los! Inclusive sobre os efeitos
indesejáveis inerentes! Nunca trate o
paciente na terceira pessoa, como se sua
opinião não fosse a principal, pois, sua motivação e engajamento são decisivos
no êxito de qualquer tentativa de superação!
Humanizar a relação com os pacientes deve
ser norma na pratica médica, de sobre maneira no paciente oncológico!
JMS
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