sexta-feira, 2 de maio de 2014

O idoso com câncer



O idoso com câncer 

Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br
 
Paciente de qualquer idade com diagnóstico de qualquer doença, fica tenso, preocupado, inseguro...
O geronte muito mais, e pior quando o diagnóstico versa sobre o câncer, doença temida e estigmatizada, como final dos tempos entre os mais idosos! Compreensível , pois, há bem pouco tempo esta assertiva correspondia a uma sentença, recheada de sofrimentos pessoais e familiares.
Existe uma máxima em gerontologia que diz que se todos os idosos vivessem até os cem anos, os de sexo masculino, teriam câncer de próstata, e as do sexo feminino o de mama. Logo estes  relacionam-se com o envelhecimento de tecidos e são esperados, portanto, previsíveis!
Talvez a maior incidência de câncer em idades avançadas esteja vinculada ao lento e progressivo declínio de sua condição de vigilância imunológica. Condições genéticas, e lesões no DNA celular entre outras causas!
Os principais tipos de câncer incidentes nos idosos, são  colo-retal, pulmão, leucemia, principalmente a mielóide aguda, os linfomas de Hodgkin, e não-Hodgkin, alem do ginecológico e de mamas em mulheres, e de próstata em homens. Lembrar que homens também podem ter câncer de mamas!
Os fatores que interferem nas condições de tratamento e recuperação do paciente idoso com câncer, passam pela função renal e hepática, devido a filtração e excreção de metabólitos, a função cardio-pulmonar, devido ao condicionamento físico, fator importante na tolerância das terapêuticas! A integridade de mucosas, para agilizar processos cicatriciais. A função neurológica, já que os quadros de delírios secundários são comuns na vigência do tratamento!  
O tratamento, tem como objetivo a cura, a paliação, ou o simples alívio dos sintomas! Esses vão determinar sua agressividade e quanta toxidade será aceitável. A escolha  passa pela quimioterapia, hormonal, biológica ou imunológica, a radioterapia, e a cirurgia. Além da combinação de todas estas abordagens, dependendo da estratégia adotada! A escolha e adaptação adequadas da terapêutica proposta vai ter influencia direta no sucesso ou no fracasso deste, sempre se levando em conta que o idoso é usuário de em média quatro medicações o que reduz e interfere no seu índice de tolerância a novas medicações administradas.
Atentar que o geronte sendo parte ativa e interessada de seu tratamento, estando lúcido, deve ser consultado e informado sobre as estratégias a que vamos submete-los! Inclusive sobre os efeitos indesejáveis inerentes!  Nunca trate o paciente na terceira pessoa, como se  sua opinião não fosse a principal, pois, sua motivação e engajamento são decisivos no êxito de qualquer tentativa de superação!
Humanizar a relação com os pacientes deve ser norma na pratica médica, de sobre maneira no paciente oncológico!  
JMS            

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