Alzheimer
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
Nenhuma patologia geriátrica é tão desconcertante em seu diagnóstico tanto para a família, quanto para o médico, descrita em 1906, pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, apresenta aumento exponencial devido ao envelhecimento da população mundial (4,6 milhões de pessoas por ano), hoje 15 milhões de portadores e em 2025 serão 34 milhões, com predominância nos países em desenvolvimento, e incide mais, quanto mais velho é o paciente; 1,6% dos 60 aos 65 anos e 38,9% acima dos 85 anos, sem características familiares.
Doença neurológica, degenerativa, progressiva, que se manifesta por deterioração da cognição e da memória, com alteração nas atividades diárias, manifestações de sintomas neuropsiquiátricos e distúrbios comportamentais.
A doença causa atrofia cerebral, alterações na produção e mediação no cérebro, de proteínas chamadas “tau proteínas” as quais se modificam formando “grumos” se depositando nos tecidos provocando a morte e/ou o mau funcionamento neuronal com alterações no ciclo de alguns neurorreguladores (acetilcolina e glutamato) que exacerbam a presença de substâncias tóxicas de depósito (beta amiloides) acelerando a morte celular dos neurônios o que leva ao déficit de memória! Sua causa não é conhecida, entre seus fatores de risco, o principal parece ser o envelhecimento.
Outras causas possíveis são: a síndrome de Down, a baixa escolaridade, o trauma craniano e os ligados a doenças vasculares como tabagismo, obesidade, hipertensão, arteriosclerose, doença coronariana, hipercolesterolemia e diabetes.
Pode também acometer indivíduos após os 40 anos na sua forma pré-senil que é também a forma de evolução mais agressiva e rápida!
Seu diagnóstico de presunção é ajudado pelo teste neuropsicológico e as imagens da Tomografia e a Ressonância Magnética de crânio, porem seu diagnóstico definitivo apenas “post mortem” por autópsia.
Exames laboratoriais complementares para se afastar possíveis patologias que também levam a redução de memória como, por exemplo, a hipovitaminose B12, que se vê dosando a mesma, o hipo-tireoidismo que se investiga dosando os hormônios tireoidianos, a dosagem da uréia para ver possível uremia, a pesquisa para sífilis para possível demência desta doença.
Deve-se ter em mente que nem todo esquecimento é Alzheimer, há o esquecimento normal do envelhecimento, que perde parte do evento e não o evento em si, com freqüente recuperação posterior do que foi esquecido, inclusive espontâneo. De características não progressiva e que se compensam mediante utilização de pistas, lembretes, e estratégias analógicas.
Cito uma frase do Dr. Dan Blazer:
“O adulto normal esquece, lembra-se de que esqueceu e mais tarde lembra o que esqueceu. O portador de Alzheimer, esquece, esquece que esqueceu e não esta preocupado com isso segundos depois”.
O diagnóstico de Alzheimer é uma sentença, muito mais para família, mas também para o idoso, portanto deve sempre ser dado como diagnóstico provável e sempre com a possibilidade de uma segunda opinião medica, devido à importância do mesmo!
Os cuidados com o diagnóstico se justificam pelo tratamento, pois não há terapêutica efetiva para a doença ou prevenção possível.
O tratamento se divide em dois, o não medicamentoso, que inclui a terapia nutricional, fisioterápica, atividade física, terapias de reminiscências, cognitivo comportamental e de reabilitação cognitiva, assim como o principal: a atenção ao cuidador, o interlocutor do médico junto ao paciente e a evolução da doença, absolutamente individual em cada caso!
O tratamento medicamentoso inclui dois grupos farmacológicos, os inibidores da enzima acetilcolinesterase, rivastigmina, donazepil, galantamina, e os inibidores glutamatérgicos, a memantina. A grande evolução apresentada tem sido a forma de uso destas drogas, em dose única diária, ou em apresentação trans dérmica o que facilita a adesão e o trabalho dos cuidadores.
Na prática diária também se utiliza com freqüência antipsicóticos em baixas doses, ansiolíticos e antidepressivos e estabilizadores do humor, quando indicados, para cada caso.
Futuramente talvez contemos com novas possibilidades, como moduladores da enzima secretase, e A beta, os anti-tau proteinas, a imunoterapia A beta, fator de crescimento neural, células tronco, antioxidantes, anti-inflamatórios, estrógenos, agentes redutores de colesterol e de glicose. A vacina abandonada e retomada encontra-se bem avançada.
Lembramos sempre que Alzheimer é uma doença da família, e em 80% dos casos, o cuidador é um membro dela, sendo muitas vezes o cônjuge, também senil ou idoso e que gera responsabilidades 24 horas por dia, 7 dias por semana, a quem cuida, além de um astronômico impacto financeiro, nem de perto, compensado pelos órgãos públicos responsáveis.
O único bem que esta doença pode causar no paciente, é quanto a extinção da saudade, que se vai quando ela se instala!
JMS

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