quinta-feira, 6 de setembro de 2012


Andropausa: limite preventivo

Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
O período de instalação da insuficiência hormonal masculina é um divisor de águas na vida e no dia a dia do homem. Se caracteriza diferentemente da mulher, por um processo progressivo, e longo, onde gradualmente vão se reduzindo os níveis de hormônio circulante, a partir da quinta década de vida até a sétima onde se estabiliza em níveis mínimos, em cerca de um terço em relação ao um homem de 40 anos. 
As causas são a redução de produção graduada pelo sistema hipotálamo, hipófise, testicular, ou seja, multifatorial endocrinológico.
Os sintomas são também progressivos, pois vão depender de ritmo individual de redução do aporte hormonal, mas cursam com diminuição da força muscular, com perda de massa muscular. Há um evolutivo aumento na gordura total, em especial a visceral, extremamente perniciosa a manutenção da saúde. As alterações no sistema nervoso central, levam a sintomas similares aos femininos como os “fogachos” que são sensações de calores, provocados, por distúrbios no sistema termo regulador, além comprometimento cognitivo, com redução da memória, redução da fluência verbal, e raciocínio espacial, são comuns os sintomas depressivos, e crises de ansiedade.
Raramente ocorre uma discreta redução do volume testicular.
 A função sexual vai declinando, há uma diminuição na libido, na ereção noturna e espontânea, e da manutenção da ereção!
No sistema ósseo ocorre redução na densidade mineral, levando a baixa densidade óssea e a conseqüente osteoporose, já que com a redução da testosterona reduz-se por conseqüência o estrógeno circulante, que é um subproduto desta.
A fadiga crônica, irritabilidade e uma forte baixa de autoestima, principalmente devido aos sintomas relacionados à sexualidade estão regularmente presentes!
O diagnóstico da andropausa, além do quadro clínico já descrito, se faz com a demonstração laboratorial de baixos níveis da testosterona sérica. A dificuldade esta em determinar níveis de deficiência já que estes são absolutamente relativos, ou seja, o que é baixo para uns funciona para outros. A testosterona total, sob a ação da sua enzima ligadora a SHBG, liberam a testosterona livre, que é ligada a albumina e é a efetivamente ativa, muitas vezes dosagens apenas da testosterona total, falseia o diagnóstico. 
Os exames devem ser colhidos pela manhã para se obedecer seu ciclo circadiano de excreção.
O tratamento de reposição hormonal tardio tem os seguintes objetivos: prevenção e/ou tratamento da perda de massa óssea (osteoporose). Melhora da função sexual e da libido. Melhora da qualidade de vida, com bem estar, força muscular, e elevação da autoestima. O tratamento pode ser feito por suplementação oral, transdérmicos, injetáveis, ou subcutâneos estes com duração de até seis meses. Os injetáveis de depósito podem durar de 2 a 3 meses. Os demais de uso diário são os mais seguros, pois podem ser descontinuados rapidamente quando necessário. Os transdérmicos são os mais fisiológicos.
Os efeitos colaterais da reposição androgênica, vão desde ao aumento de oleosidade da pele, acne, edemas por retenção hídrica, aumento na agressividade. Piora em doenças prostáticas, ginecomastia, aumento das mamas, apnéia do sono, risco de hepatoxidade, mais comum nos tratamentos orais, alterações nos lipídios circulantes, sobremodo a redução do HDL colesterol, e a policitemia, que é uma exacerbação na produção de um tipo de célula sanguíneas, mais que outras levando a maior concentração.
As principais contra indicações são divididas em absolutas, que é a história ou presença de câncer de próstata, e relativas que é PSA aumentado, toque retal anormal, história familiar de carcinoma prostático, e sintomas graves de obstrução do fluxo urinário. O zelo e o bom senso devem ser anteparos protetores ao paciente e aos médicos que lidam com este tratamento
O controle deve ser feito através da clinica do paciente, e de exames laboratoriais e do toque retal. Hemograma completo, PSA e testosterona, totais e livres e enzima SHBG.
Desta forma melhoramos qualidade de vida, com noção preventiva e danos mínimos.                    

JMS

 

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