sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


Incontinências e constipação intestinais

 

Dr. João Mariano Sepúlveda

Cárdio Geriatra

@no_formol

www.medicareclinica.com.br

 

O envelhecimento traz dia a dia em sua evolução natural limitações e restrições que minam progressivamente a dignidade dos mais velhos.
A incontinência fecal menos comum, porem extremamente constrangedora ao idoso, esta na maioria das vezes relacionada a alterações neurológicas, seqüelas cirúrgicas, compressões por tumores, doenças desabsortivas, efeitos colaterais de medicamentos, entre outros. A urgência para defecar, aliada a flacidez dos tecidos levam  a permissão evacuatória com efeitos devastadores para o convívio social.
O equilíbrio da flora intestinal, a regulação do quadro nutricional, o controle da irritabilidade intestinal, o combate as verminoses e infecções, o tratamento das seqüelas neurológicas, e a prática de continua fisioterapia para musculatura pélvica podem e devem ser tentados mesmo   quando aparentemente não estejam surtindo efeito, como pode parecer num primeiro momento.
A hidratação, o uso de constipantes com ou sem a associação de liofilizados biológicos de lactobacilos que competem e inibem o crescimento de bactérias patológicas, reduzindo os quadros de hiper reatividade intestinal. Os agonistas serotoninérgicos, os anti espasmódicos músculo trópicos, o caulim, e o carvão ativado, são opções que devem ser consideradas.
A constipação intestinal por outro lado extremamente mais comum, ocorre mais freqüentemente em mulheres, porem não é rara em homens e se agrava no idoso por redução fisiológica dos movimentos peristálticos regulares do intestino.  Definida como menos de três evacuações por semana, ou com sensação de evacuação incompleta ou insatisfatória.
As causas podem ser: dietéticas, baixa ingesta calórica, de líquidos, fibras, alta ingesta de gorduras e alimentos refinados, problemas de deglutição e de dentição.
Psicológicas como depressão, confusão, e estresse emocional.
Funcionais, imobilidade, sedentarismo, maus hábitos intestinais, e até banheiros inadequados.
Distúrbio anorretais e de cólon, tumores, volvo, fissuras, fístulas, abscessos, hemorróidas, obstrução pós cirúrgica, ou radiação, isquemia, retocele ou prolapso retal, constrição, aumento prostático, diverticulose, maga cólon na doença de Chagas.
Distúrbios neurológicos, lesões de medula espinhal, demência, Parkinson, acidentes cérebro vasculares.
Endocrinológicos e metabólicos, como diabetes, hipotiroidismo, hiperparatiroidismo, hipocalemia, hipercalcemia.
Alem de doenças, medicamentos também são responsáveis por aumento de estado constipatório, suplementos com ferro, sedativos, opiáceos, fenotiazinas, diuréticos, cálcio, e bloqueadores de cálcio, bismuto, alumínio, anti psicóticos, anti lipêmicos, anti parkinsonianos, anti espasmódicos, antidepressivos, anticonvulsivantes, antiinflamatórios, anti histamínicos, e anti hipertensivos.
Estabelecidos os principais motivos de constipação proceder aos exames físicos, como avaliação oral, do abdomem, e da região ano-retal. Presença de dores, massas, são de grande ajuda.
A avaliação de possível impactação fecal, com formação de fecaloma, que é como uma massa de fezes, na luz do intestino, podem desenvolver magacólon, que é o aumento excessivo de certa região intestinal, ou volvo que é a torção do intestino sobre si mesmo.
O esforço para defecar, sobretudo no idoso frágil, pode afetar a circulação cerebral e coronariana, desencadeando, ataques isquêmicos transitórios e síncopes. A constipação crônica é fator de risco para carcinoma de cólon e retal.
Exames laboratoriais para avaliar o quadro metabólico, hepático e pancreático, e prever doenças associadas ou desencadeantes, marcadores tumorais, exame de fezes! 
Radiografia, ultrassonografia, e tomografia de abdômen, colonoscopia e verificação do transito intestinal.
O tratamento da constipação se inicia pela verificação de qualquer medicação que possa estar contribuindo para a mesma, inclusive laxantes.
O esvaziamento do cólon com uso de enemas, ajuda no inicio do processo de reeducação intestinal.
O aumento do consumo de líquidos, quando não houver contra indicações.
O aumento de fibras na dieta deve ser gradual.
A prática de atividade física.
A introdução de uma rotina, com pelo menos 10 minutos no dia de privacidade para tentar evacuar. Estabelecer um horário fixo, principalmente, apos alimentação, quando o reflexo gastrocólico, esta mais acentuado.
Escolher uma boa e confortável posição. No tratamento levar em conta, as preferências do paciente, a causa do problema, o custo, o tipo de constipação.
Lembrar sempre que o intestino é o principal produtor de serotonina e quando alterado interfere agudamente no lado comportamental, o intestino preso, deixa o paciente enfezado, ou seja, cheio de fezes!  As alergias alimentares e as intolerâncias interferem no bom funcionamento gastrintestinal e devem ser consideradas.
Para a terapia deve-se considerar após esgotadas medidas dietéticas e de suporte já citadas o uso de laxantes. Os de volume são aqueles que absorvem água e se demorar a tomar vira um gel dentro do copo.
Os osmóticos ou salinos, como a lactulose e o sorbitol, atraem a água para o intestino.
Os laxantes emolientes tipo óleo mineral devem ser evitados nos mais idosos por interferirem na absorção de vitaminas lipossolúveis. Os irritativos ou estimulantes podem causar danos no cólon, óleo de rícino, babosa, cáscara sagrada e chá de sena. O bisacodil e o supositório de glicerina podem ser usados ocasionalmente, não constantemente. Os enemas ou clisteres devem ser reservados para casos resistentes.
No idoso o equilíbrio intestinal, reflete em sua qualidade de vida!

JMS

 

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