Incontinências e constipação intestinais
Dr. João Mariano
Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br
O envelhecimento
traz dia a dia em sua evolução natural limitações e restrições que minam
progressivamente a dignidade dos mais velhos.
A incontinência
fecal menos comum, porem extremamente constrangedora ao idoso, esta na maioria
das vezes relacionada a alterações neurológicas, seqüelas cirúrgicas, compressões
por tumores, doenças desabsortivas, efeitos colaterais de medicamentos, entre
outros. A urgência para defecar, aliada a flacidez dos tecidos levam a permissão evacuatória com efeitos devastadores
para o convívio social.
O equilíbrio da
flora intestinal, a regulação do quadro nutricional, o controle da
irritabilidade intestinal, o combate as verminoses e infecções, o tratamento
das seqüelas neurológicas, e a prática de continua fisioterapia para
musculatura pélvica podem e devem ser tentados mesmo quando aparentemente não estejam surtindo
efeito, como pode parecer num primeiro momento.
A hidratação, o
uso de constipantes com ou sem a associação de liofilizados biológicos de
lactobacilos que competem e inibem o crescimento de bactérias patológicas, reduzindo
os quadros de hiper reatividade intestinal. Os agonistas serotoninérgicos, os
anti espasmódicos músculo trópicos, o caulim, e o carvão ativado, são opções
que devem ser consideradas.
A constipação
intestinal por outro lado extremamente mais comum, ocorre mais freqüentemente
em mulheres, porem não é rara em homens e se agrava no idoso por redução
fisiológica dos movimentos peristálticos regulares do intestino. Definida como menos de três evacuações por
semana, ou com sensação de evacuação incompleta ou insatisfatória.
As causas podem
ser: dietéticas, baixa ingesta calórica, de líquidos, fibras, alta ingesta de
gorduras e alimentos refinados, problemas de deglutição e de dentição.
Psicológicas como
depressão, confusão, e estresse emocional.
Funcionais,
imobilidade, sedentarismo, maus hábitos intestinais, e até banheiros
inadequados.
Distúrbio
anorretais e de cólon, tumores, volvo, fissuras, fístulas, abscessos,
hemorróidas, obstrução pós cirúrgica, ou radiação, isquemia, retocele ou
prolapso retal, constrição, aumento prostático, diverticulose, maga cólon na doença
de Chagas.
Distúrbios
neurológicos, lesões de medula espinhal, demência, Parkinson, acidentes cérebro
vasculares.
Endocrinológicos
e metabólicos, como diabetes, hipotiroidismo, hiperparatiroidismo, hipocalemia,
hipercalcemia.
Alem de doenças,
medicamentos também são responsáveis por aumento de estado constipatório, suplementos
com ferro, sedativos, opiáceos, fenotiazinas, diuréticos, cálcio, e
bloqueadores de cálcio, bismuto, alumínio, anti psicóticos, anti lipêmicos,
anti parkinsonianos, anti espasmódicos, antidepressivos, anticonvulsivantes,
antiinflamatórios, anti histamínicos, e anti hipertensivos.
Estabelecidos os
principais motivos de constipação proceder aos exames físicos, como avaliação oral,
do abdomem, e da região ano-retal. Presença de dores, massas, são de grande
ajuda.
A avaliação de
possível impactação fecal, com formação de fecaloma, que é como uma massa de
fezes, na luz do intestino, podem desenvolver magacólon, que é o aumento
excessivo de certa região intestinal, ou volvo que é a torção do intestino
sobre si mesmo.
O esforço para
defecar, sobretudo no idoso frágil, pode afetar a circulação cerebral e
coronariana, desencadeando, ataques isquêmicos transitórios e síncopes. A
constipação crônica é fator de risco para carcinoma de cólon e retal.
Exames
laboratoriais para avaliar o quadro metabólico, hepático e pancreático, e
prever doenças associadas ou desencadeantes, marcadores tumorais, exame de
fezes!
Radiografia,
ultrassonografia, e tomografia de abdômen, colonoscopia e verificação do
transito intestinal.
O tratamento da
constipação se inicia pela verificação de qualquer medicação que possa estar
contribuindo para a mesma, inclusive laxantes.
O esvaziamento do
cólon com uso de enemas, ajuda no inicio do processo de reeducação intestinal.
O aumento do
consumo de líquidos, quando não houver contra indicações.
O aumento de fibras
na dieta deve ser gradual.
A prática de
atividade física.
A introdução de
uma rotina, com pelo menos 10 minutos no dia de privacidade para tentar
evacuar. Estabelecer um horário fixo, principalmente, apos alimentação, quando
o reflexo gastrocólico, esta mais acentuado.
Escolher uma boa
e confortável posição. No tratamento levar em conta, as preferências do
paciente, a causa do problema, o custo, o tipo de constipação.
Lembrar sempre
que o intestino é o principal produtor de serotonina e quando alterado
interfere agudamente no lado comportamental, o intestino preso, deixa o
paciente enfezado, ou seja, cheio de fezes! As alergias alimentares e as intolerâncias
interferem no bom funcionamento gastrintestinal e devem ser consideradas.
Para a terapia deve-se
considerar após esgotadas medidas dietéticas e de suporte já citadas o uso de laxantes.
Os de volume são aqueles que absorvem água e se demorar a tomar vira um gel
dentro do copo.
Os osmóticos ou
salinos, como a lactulose e o sorbitol, atraem a água para o intestino.
Os laxantes
emolientes tipo óleo mineral devem ser evitados nos mais idosos por
interferirem na absorção de vitaminas lipossolúveis. Os irritativos ou
estimulantes podem causar danos no cólon, óleo de rícino, babosa, cáscara
sagrada e chá de sena. O bisacodil e o supositório de glicerina podem ser
usados ocasionalmente, não constantemente. Os enemas ou clisteres devem ser
reservados para casos resistentes.
No idoso o
equilíbrio intestinal, reflete em sua qualidade de vida!
JMS
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