Envelhecimento produtivo
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
Trabalhar
envelhece?
Constantemente
aconselhamos nossos pacientes a buscarem fazer o que melhor se adapte ao que
gostem, sintam prazer, realizações, motivação pessoal, social, familiar, entre
outros!
Que busquem
aquilo que os remunerem condignamente, mas que também traga uma dose de
endorfinas prazerosas, do bom dever cumprido!
Somos
sistematicamente testemunhos de pessoas que surtam mediante as intempéries de
seus afazeres, seja, por sobrecarga laboral, desproporção da responsabilidade
com sua remuneração, ou pelo acúmulo de labores, e mesmo ainda a reciclagem
emocional a profissionais que lidam com o stress alheio!
Afrontas a estes
princípios quase sempre adoecem os cidadãos, por aumento de frustrações,
incidência de stress crônico, déficit imunológico, injúria celular com mutação
do DNA, aumento da formação de radicais livres, com conseqüente envelhecimento
precoce, e possibilidade de redução da expectativa de vida! Algumas profissões
e nichos profissionais são mais suscetíveis que outras, porem, dependendo do
ambiente quase todas podem estar sujeitas!
Podendo instalar
a chamada Síndrome de Bournout, doença de quem vive no limite no trabalho!
A forma de se
encarar essa relação por parte do profissional, também pode determinar uma
maior ou menor influencia no processo!
Controladores de
vôos, pilotos de teste, operadores de maquinas de precisão, motoristas de rotas
com horários rígidos, caixas e/ou tesoureiros bancários, petroleiros
embarcados, são exemplos extremos de profissões estressantes.
Entre as
categorias mais afetadas por estas relações viciadas, os médicos, prestadores
de serviços a seguradoras e/ou cooperativas médicas, encontram-se entre os mais
desmotivados, frustrados, e decepcionados com o curso de seu labor! Fora parte
a remuneração ridícula, interlocutores classistas permissivos e submissos, como
a maioria dos políticos, que imagino similares aqueles policiais “arregados” do
filme Tropa de Elite, as constantes alterações das normas e regras do jogo,
seguem inviabilizando um melhor projeto profissional!
Condições
similares as frustrações do bom advogado, que mesmo bem remunerado, vive a
lentidão do ganho de seu cliente, que depende de tramites anacrônicos!
Analogicamente
sobre o trabalho sob pressão, com envelhecimento, e até mesmo a extinção de
populações indígenas, no Congo Belga e na Amazônia Peruana, com inserções na
Brasileira, no inicio do século passado de 1905 a 1920, refiro o livro
do Nobel peruano, Mario Vargas Llosla, O Sonho do Celta, no qual, o narrador, descreve os horrores a
que são submetidos, povos extrativistas de látex, dos seringais, para produção
da borracha, novidade necessária, principalmente na industria da guerra, submetidos a cotas,
progressivas e inalcançáveis, e sua não obtenção punidas com espancamentos,
chicotadas, seqüestro de entes próximos, enfim, um sem número de barbáries em
nome do desenvolvimento e da culturação de povos!
Os relatos do
estado de inanição, da desorientação frente a violência gratuita e
injustificada, a precocidade do desgaste físico, redução de sua utilidade e
descarte, estarrecem!
Seria então uma
obra histórica de tempos remotos, com fatos absolutamente superados? Estamos
livres de tamanho ultraje? Será? Não
parece bem assim, quando nos imaginamos evoluídos, recrudescem os instintos
mais primitivos da exploração do homem, por seu semelhante!
Recentemente
acompanhando um noticiário em TV por assinatura, ouvi que em uma plantação de
cana de açúcar, no estado de Mato Grosso, um cacique de uma reserva próxima,
sublocava o trabalho de menores indígenas aos agricultores, que pagavam, a ele,
algo irrisório e os obrigavam, a um comportamento submisso, subserviente, enfim
quase (?) escravo! Esta noticia data da semana de 19 a 26/09/11! Cem anos depois
tudo como dantes...
A qual escravidão
estamos nos submetendo, qual a fábrica de frustrações andamos freqüentando, que
estado moderno estamos construindo? O que realmente aprendemos com nossos indignos
erros passados? Que projeto encaparemos para envelhecer sem presas?
Que projeto de
felicidade buscamos em nosso campo profissional, quantos de nós, não somos
escravos de nossas escolhas, opções, ou rumos profissionais, aquilo que nos
obrigamos, mês a mês, para honrarmos nossos cada vez maiores financiamentos,
que viabilizam sonhos e necessidades?
Será o nosso sistema bancário, uma versão moderna dos antigos donos de
seringais, senhores de engenhos...?! Quantos mártires mais serão necessários?
Como diz o citado autor “... a vida não tem
algo de absurdo, como uma espécie de drama que de repente vira farsa?”
Trabalhar não
envelhece, fazer obrigado o que não se gosta, adoece!
JMS
Nenhum comentário:
Postar um comentário