Síndrome Vasovagal
Dr. Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
Quem jamais
desmaiou ou sentiu-se próximo a isso certamente o fará, pois é muito comum o
ser humano eventualmente e por motivos diversos sentirem esse incômodo e desfalecer!
Atinge até
setenta por cento da população em geral e se caracteriza pela perda súbita e
transitória da consciência. Síncope!!
A síncope
vasovagal, que envolve reflexos mediados pelo sistema nervoso, é tida como
responsável por mais de 55% dos casos!
Caso isso ocorra
com muita freqüência, ou até duas vezes em seis meses, devemos considerar o diagnostico
de nosso título, também chamada de Síncope
Neurcardiogênica, desencadeada por falta de compensação vascular pós
movimentos súbitos, e ou permanência por longos períodos na mesma posição, em
filas, por exemplo, ou locais com muita aglomeração de pessoas, shows,
casamentos, enterros, ou pós quadros agudos de estresse!
Processo
eminentemente vascular ocorre quando o sistema tem de fazer uma compensação, de
enchimento de vasos cerebrais, similar a uma garrafa quase cheia, quando
deitada o liquido supre a maior parte do recipiente, quando em pé o liquido
desce por efeito da gravidade! No ser humano quando isso ocorre os sistemas
simpático e parassimpático entram em ação para que os músculos periféricos se
contraiam e forcem o sangue a subir mantendo irrigados e oxigenados coração e
cérebro, mantendo normal o fluxo!
No paciente vaso
vagal isso não ocorre e como o sistema circulatório é interligado para evitar a
eminente falência de oxigenação que causariam danos em órgãos alvos, como se
fosse um disjuntor elétrico sobrecarregado, o sistema se desliga provocando a
síncope e ou desmaio como uma defesa orgânica!
Quando o corpo
cai o sangue se redistribui e a consciência é restaurada fisiologicamente!
Doar sangue,
calor intenso, exercícios extenuantes, desidratação, fome, exames e tratamentos
ou pequenas cirurgias, também são causas frequentes de síncopes.
Sintomas como
tonturas, mal estar, calores, enjôos, palpitações, suor frio, palidez, pressão
baixa, pulsação lenta, escurecimento de vista, sensação eminente de morte, e
pânico, podem cursar antes, durante ou após as síncopes!
A Síndrome
Vasovagal faz diagnóstico diferencial, se confunde, com epilepsia, labirintite,
hipoglicemia, hipo ou hipertensão, e síndrome do pânico!
O sistema nervoso
autônomo controla tudo aquilo que tem funcionamento automático, como
respiração, batimentos cardíacos, temperatura e digestão.
Divididos em
sistemas simpático e parassimpáticos, opostos que se equilibram, por exemplo,
um acelera o outro reduz os batimentos cardíacos, um dilata o outro contrai os
vasos sanguíneos!
Neste sistema
existe o nervo vago que inerva o coração, esôfago, estômago intestino, bexiga, pulmões,
vasos sanguíneos, pupilas, glândulas sudoríparas e salivares. Subordinados ao
sistema nervoso central, podem ser desencadeados por emoções intensas!
Raramente se
agrava, porem casos excepcionais, em associação à arritmias podem levar ao
óbito!
O diagnostico
pode ser clinico ou por exclusão de outras patologias, mas o padrão ouro é o
Teste da mesa inclinada, ou Tilt Test, onde se submetem os pacientes a
estímulos similares aos que provocam e desencadeiam os desmaios!
O resultado pode
apresentar:
Resposta vaso
vagal Clássica, com hipotensão
súbita com ou sem redução dos batimentos cardíacos.
Disautonômica, onde ocorrem quedas graduais de
pressão, sistólica e diastólica!
Psicogênica ou psicossomática, onde não verificamos alterações em pressão ou
batimentos cardíacos!
De acordo com
resultados teremos os seguintes tipos de exames;
Resposta Mista onde estão envolvidas alterações
em pressão e freqüência cardíaca!
Resposta Cardioinibidora, mais envolvida
com o ritmo e a freqüência cardíaca!
Resposta vasopressora pura, onde somente a
pressão estas envolvida!
Qualquer que seja
o tipo de resposta o diagnóstico precoce e as medidas preventivas são cruciais
no segmento deste quadro.
Aos portadores
recomendamos, quando sentir que vai desmaiar, sente-se ou deite-se no chão ou
sofá, não tentem ficar de pé, tracionem as pernas de encontro ao tronco para
forçar o retorno venoso e bombeie o sangue das extremidades para o centro,
abrindo e fechando as mãos, contraindo as panturrilhas, batatas das pernas.
Evite permanecer por longos períodos em pé, beba muitos líquidos e pratique
exercícios progressivos que aumentem a tolerância a longos períodos em pé, use
meias de compressão vascular que auxiliem no retorno venoso central.
O tratamento
passa pela orientação do paciente, consciência do que ocorre,
betabloqueadores,
como o metoprolol, ou propranolol, a
hidrofluorocortisona (mineralocorticóide), nos mais jovens e nos mais velhos.
Disopiramida,
escopolamina transdérmica, teofilina, fluoxetina
efedrina, a
etilefrina, a diidroergotamina, a pseudoefedrina e a midodrina também são
drogas utilizadas!
O implante de
marca passo pode ser necessário quando a causa for
ritmogênica, a
mais grave e responsavel por morte súbita.
As pessoas
acometidas por essa síncope provavelmente apresentam uma disfunção autonômica
representada, por exemplo, por uma hipersensibilidade localizada em algum ponto
("receptor") desse arcoreflexo. Em situações especiais e transitórias
("gatilhos"), ocorre o desencadeamento paroxístico e paradoxal da
resposta hipotensora e/ou bradicardizante levando a síncope e as inevitáveis
quedas!
JMS

Nenhum comentário:
Postar um comentário