segunda-feira, 3 de junho de 2013

Esses moços, pobres moços...
 
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
 
Como posso envelhecer mais lentamente?
Com que qualidade de vida?
Qual a estética deste envelhecimento?
Qual o motivo de minha insatisfação, comigo mesma/o, com os outros e principalmente com esse defeito físico e ou mental,  que só eu percebo, ou valorizo?!
O que uma coluna geriátrica tem haver com os moços???  
Cada vez é maior a clientela muito jovem, que nos procuram em busca de orientação e correção de “modus vivendi”, com comprometimento no entendimento de que o que esta errado são os valores aplicados.
Em sua maioria estão absolutamente desorientados e lábeis quanto as idéias e ideais. Quase todos tem uma muito bem estabelecida e confortável  situação financeira, algumas vezes comprometida por gerencias individuais de recursos completamente equivocadas, provocada em sua maioria  por atitudes compulsivas do ter em detrimento do ser, em resumo não sou eu quem conquisto e sim o carro  que estou dirigindo, ou a grife da roupa, bolsa ou cirurgião e ou médico ao qual freqüento.?!!?
Estamos num eixo de sociedade de consumo absoluto, onde não bastam mais os bens objetos de desejos, consumir serviços também gera recompensa e motivação porem no ritmo em que a coisa anda, a frustração gerada na seqüência, é brutal e o moto contínuo, talvez não possa ser sustentado em seu frenesi. Onde vai parar essa espiral consumista? A quem interessa?  
Que valores devemos incutir nos mais jovens para que eles recuperem um pouco da sua estima abandonada, o que dizer com eufimismo que mesmo tendo que adiar um sonho, a felicidade é possível e que viver é uma constante ordenação de sonhos, realização de projetos , exeqüíveis ou não, não importam muito os destinos, desde que você realmente repare no caminho. 
Um alpinista no topo de uma montanha só pode descer, ou seja reverte seu caminho, objetivo, expectativa!
O objetivo alcançado evanesce! Dinâmico e mutável assim é viver!
“Uma boa vida, tem como base o sentido do que queremos para nós, em cada momento e daquilo que realmente vale como principal.” Guerdjef, pensador russo do século passado, que já valorizava a qualidade como fator indispensável.   
O aumento no descaso por valores morais, como cita Henry Kissinger, se exacerbam em períodos em que cínicos e usurpadores ditam regras e os relativizam, de acordo com interesses de momento, e objetivos normalmente impublicáveis, isso os diferenciam dos estadistas, pois esses se baseiam,  se norteiam e diria mais, acreditam, nos conceitos morais e na grandeza que esta prática gera.
Vivemos também do exemplo de uns aos outros, quando se relativizam valores, estabelecem-se salvo condutos, morais e comportamentais, onde isso não pode para todos, mas para os que detém o poder pode!?!? Para os que pagam, pode!?! Quando o escracho quanto aos valores vem de cima fica muito difícil para os mais jovens se submeterem a limites, principalmente quando tão tênues quanto os que permeiam o comportamento e o relacionamento. Onde realmente cessa o meu direito e começa o seu??
Recuperar valores para tentar suprir a auto estima, lembrando que a conduta deve ser reta e os desvios não tolerados, que ler e se culturar embora dê dor de cabeça em alguns deve ser a regra e não a exceção. Que ter posição política, não é fazer lobby, para levar vantagens, e sim se posicionar em relação a temas e problemas em que muitas vezes pareçam não nos dizer respeito.
Como cita o grande Hebert Vianna, em recente e indignado texto, “ Deus é auto imagem. Religião é dieta. Ritual é malhação. “
Como se o amor e o sentimento estivessem fora de moda. Gordura, peso, celulite, rugas e estrias beiram a falta de educação e a contravenção!!!
Roubar é permitido ser obeso ou largado, é crime federalizado. Cultuam-se o contato, não as amizades, as relações são motivadas muito mais pelo que ela possa representar de vantagens, do que pelo prazer de estar e se divertir junto. Racionalizam-se contatos!
Que conselho então dar a quem busca, noções de valores? Que imagem o jovem deve buscar?    Tenho pensado com muito empenho nessa resposta e  a que melhor me ocorre,  também vem de um poema, de Clarice Lispector, eu diria que a solução esta na forma do olhar, de se enxergar com outros olhos, refletir!? Ocupar a posição do próximo! Ser o próximo! Semelhança! Transcender a si! Na integra:
 “ O encontro de dois, olho a olho, cara a cara, e quando estiveres perto eu arrancarei teus olhos e os colocarei no lugar dos meus, e tu arrancará os meus  olhos e os colocará no lugar dos teus. Então eu te olharei com os teus olhos, e tu me olharás com os meus.”
JMS

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