O equilíbrio do idoso
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
Freqüente motivo
de consultas geriátricas os distúrbios de equilíbrio, são fantasmas que
constantemente assombram, e muitas vezes derrubam, literalmente, aos mais
velhos, provocando quedas, com seqüelas, físicas algumas vezes, e fortes conseqüências
psíquicas, que vão de uma ligeira insegurança até um quadro de pânico, com
prejuízo a mobilidade e a independência dos gerontes.
Aproximadamente
10 por cento de todas as consultas clinicas, e 20 por cento das neurológicas, e
otorrinolarigológicas tem como queixa principal a tontura. Sintoma nobre que se
transmuta em doença.
Na maioria das
vezes benignas e de compensação natural, as tonturas também podem ser o
primeiro sinal de processos de maior gravidade, como, acidente vascular cerebral
(AVC) ou tumores. De suma importância, o histórico e a pesquisa tem por
finalidade direcionar aos diagnósticos possíveis do motivo das tonturas.
Tontura se define como a ilusão de
movimento que pode adquirir características
diversas, como, flutuação, vertigem desequilíbrio, lateropulsão etc. é a principal manifestação das vestibulopatias,
porém nem sempre sua origem, provém do labirinto, podendo ser conseqüência de
problemas neurológicos, visuais, cervicais, somotossensoriais ou uma
manifestação de processo clínico sistêmico.
O paciente chama de tontura uma enorme gama de
sensações relacionadas à percepção de seu corpo no espaço que ele próprio não
sabe definir e, muitas vezes, nem mesmo entende. Alem do mais, por ser um
sintoma subjetivo, não mensurável, torna-se um desafio diagnóstico.
A persistência
dos sintomas no portador de distúrbios do equilíbrio corporal, desencadeia a
falta de segurança na locomoção, medo de sair à rua, dirigir, utilizar ônibus
etc.
O medo limita a
vida domestica e acaba resultando no afastamento familiar, depressão e
isolamento.
As tonturas se
dividem em cinco grandes grupos.
Vertigem, sensação de rotação, súbita, em surtos,
tem gatilhos que podem desencadear, pode vir acompanhada de náuseas e vômitos e
pode afetar a marcha.
Pré-síncope, sensação de desmaio iminente, pode
cursar com escurecimento ou turvação de vista, e estar associada a isquemia
difusa, ou a falta de nutrientes no sistema nervoso central, se associa a distúrbios
cardiovasculares, hipotensão postural ou hipoglicemia.
Desequilíbrio, dificuldade na manutenção da postura
com envolvimento do corpo. Não cursa com tontura. Quando isolado sugere
problema neuromuscular. Está presente nos parkinsonianos.
Flutuação agrega sensações mal definidas, e não
inclusas nas descrições anteriores. São também definidas como “zonzeiras”,
“cabeça leve” ou “cabeça pesada”, estão ligadas a síndromes emocionais ou
hiperventilação, efeito colateral de drogas, disfunções hormonais ou metabólicas.
Síndrome multissensorial, típica do idoso,
agrupa vários tipos de tonturas e ocorrem em resposta à associação de vários
fatores etiológicos, neurovascular, psiquiátrico e polifarmacoterapia.
A mais famosa
síndrome vertiginosa, é a labirintite,
que vem após infecção do ouvido médio,
com hipoacusia. Verificamos que a patologia que fornece o nome ao sintoma, não
é nem de longe a mais comum, e sim a de Méniere, uma doença cócleo-vestibular, otorrinolaringológica,
que quase sempre, cursa com sensação do
ouvido cheio.
A síndrome de
pânico pode simular uma crise labiríntica, exacerbada por sintomas somáticos,
emocionais, distônicos, como boca seca, cefaléias, palpitações, falta de ar,
dores no peito, acompanhados da vertigem, e a sensação de atrair coisas ruins.
Paradoxo, pois o
pânico leva a vertigem, e esta leva ao pânico. A ansiedade e a agorafobia recuperam memórias de
desequilíbrios prévios, tornando recorrente o sintoma.
O desequilíbrio e
as tonturas nos idosos, tem as mais variadas causas e origens, entre as quais,
as oftalmológicas, já que distúrbios visuais de refração, de acuidade, de profundidade
também provocam o desequilíbrio.
Problemas
gástricos, digestivos ou de vesícula biliar atestam a diversidade de causas
possíveis para tal síndrome, logo, quando se vai avaliar um paciente com esse
sintoma temos que abrir a mente as mais diversas possibilidades.
As cinetoses,
também chamada de mal do movimento estão ligadas a produção das tonturas, em
presença de deslocamento, principalmente, por meios de transportes, brinquedos
em parques de diversão, e podem ocorrer mesmo de olhos fechados e durante o
sono, e cursam com vômitos, náuseas, sonolência, fraqueza.
O uso de
medicamentos e suas interações devem ser
muito bem avaliados.
O tratamento vai
sempre depender da etiologia da tontura. Causas
como a hipertensão arterial, que via de regra pode apresentar forte tontura
nas crises, só cederão totalmente quando o nível pressórico for adequadamente
reduzido.
A reabilitação
vestibular, tipo de fisioterapia do equilíbrio, deve ser considerada.
O tratamento
sintomatológico se faz com uso de vasodilatadoras cerebrais,
vásculo-relaxantes, anti-eméticos e benzodiazepinicos em casos mais graves.
Os cuidados
alimentares com restrições de alimentos estimulantes, e que agem como gatilhos
são de muita importância, alimentos como café, chás, álcool, chocolate.
O apoio
psicológico, com a restituição da confiança deteriorada, deve ser norma.
Tudo é uma
questão de manter a mente quieta, a coluna ereta, e o coração tranqüilo.
JMS

Nenhum comentário:
Postar um comentário