sexta-feira, 17 de maio de 2013

O equilíbrio do idoso
 
 
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
 
Freqüente motivo de consultas geriátricas os distúrbios de equilíbrio, são fantasmas que constantemente assombram, e muitas vezes derrubam, literalmente, aos mais velhos, provocando quedas, com seqüelas, físicas algumas vezes, e fortes conseqüências psíquicas, que vão de uma ligeira insegurança até um quadro de pânico, com prejuízo a mobilidade e a independência dos gerontes.
Aproximadamente 10 por cento de todas as consultas clinicas, e 20 por cento das neurológicas, e otorrinolarigológicas tem como queixa principal a tontura. Sintoma nobre que se transmuta em doença.
Na maioria das vezes benignas e de compensação natural, as tonturas também podem ser o primeiro sinal de processos de maior gravidade, como, acidente vascular cerebral (AVC) ou tumores. De suma importância, o histórico e a pesquisa tem por finalidade direcionar aos diagnósticos possíveis do motivo das tonturas.
Tontura se define como a ilusão de movimento que pode adquirir   características diversas, como, flutuação, vertigem desequilíbrio, lateropulsão etc. é a    principal manifestação das vestibulopatias, porém nem sempre sua origem, provém do labirinto, podendo ser conseqüência de problemas neurológicos, visuais, cervicais, somotossensoriais ou uma manifestação de processo clínico sistêmico.
 O paciente chama de tontura uma enorme gama de sensações relacionadas à percepção de seu corpo no espaço que ele próprio não sabe definir e, muitas vezes, nem mesmo entende. Alem do mais, por ser um sintoma subjetivo, não mensurável, torna-se um desafio diagnóstico.
A persistência dos sintomas no portador de distúrbios do equilíbrio corporal, desencadeia a falta de segurança na locomoção, medo de sair à rua, dirigir, utilizar ônibus etc.
O medo limita a vida domestica e acaba resultando no afastamento familiar, depressão e isolamento.
As tonturas se dividem em cinco grandes grupos.
Vertigem, sensação de rotação, súbita, em surtos, tem gatilhos que podem desencadear, pode vir acompanhada de náuseas e vômitos e pode afetar a marcha.
Pré-síncope, sensação de desmaio iminente, pode cursar com escurecimento ou turvação de vista, e estar associada a isquemia difusa, ou a falta de nutrientes no sistema nervoso central, se associa a distúrbios cardiovasculares, hipotensão postural ou hipoglicemia.
Desequilíbrio, dificuldade na manutenção da postura com envolvimento do corpo. Não cursa com tontura. Quando isolado sugere problema neuromuscular. Está presente nos parkinsonianos.
Flutuação agrega sensações mal definidas, e não inclusas nas descrições anteriores. São também definidas como “zonzeiras”, “cabeça leve” ou “cabeça pesada”, estão ligadas a síndromes emocionais ou hiperventilação, efeito colateral de drogas, disfunções hormonais ou metabólicas.
Síndrome multissensorial, típica do idoso, agrupa vários tipos de tonturas e ocorrem em resposta à associação de vários fatores etiológicos, neurovascular, psiquiátrico e polifarmacoterapia.
A mais famosa síndrome vertiginosa, é a labirintite, que vem após infecção  do ouvido médio, com hipoacusia. Verificamos que a patologia que fornece o nome ao sintoma, não é nem de longe a mais comum, e sim a de Méniere,  uma doença cócleo-vestibular, otorrinolaringológica, que quase sempre, cursa com  sensação do ouvido cheio.
A síndrome de pânico pode simular uma crise labiríntica, exacerbada por sintomas somáticos, emocionais, distônicos, como boca seca, cefaléias, palpitações, falta de ar, dores no peito, acompanhados da vertigem, e a sensação de atrair coisas ruins.
Paradoxo, pois o pânico leva a vertigem, e esta leva ao pânico. A ansiedade  e a agorafobia recuperam memórias de desequilíbrios prévios, tornando recorrente o sintoma.
O desequilíbrio e as tonturas nos idosos, tem as mais variadas causas e origens, entre as quais, as oftalmológicas, já que distúrbios visuais de refração, de acuidade, de profundidade também provocam o desequilíbrio.
Problemas gástricos, digestivos ou de vesícula biliar atestam a diversidade de causas possíveis para tal síndrome, logo, quando se vai avaliar um paciente com esse sintoma temos que abrir a mente as mais diversas possibilidades.
As cinetoses, também chamada de mal do movimento estão ligadas a produção das tonturas, em presença de deslocamento, principalmente, por meios de transportes, brinquedos em parques de diversão, e podem ocorrer mesmo de olhos fechados e durante o sono, e cursam com vômitos, náuseas, sonolência, fraqueza.
O uso de medicamentos e suas interações  devem ser muito bem avaliados.
O tratamento vai sempre depender da etiologia da tontura. Causas  como a hipertensão arterial, que via de regra pode apresentar forte tontura nas crises, só cederão totalmente quando o nível pressórico for adequadamente reduzido.
A reabilitação vestibular, tipo de fisioterapia do equilíbrio, deve ser considerada.
O tratamento sintomatológico se faz com uso de vasodilatadoras cerebrais, vásculo-relaxantes, anti-eméticos e benzodiazepinicos em casos mais graves.
Os cuidados alimentares com restrições de alimentos estimulantes, e que agem como gatilhos são de muita importância, alimentos como café, chás, álcool, chocolate.
O apoio psicológico, com a restituição da confiança deteriorada, deve ser norma.
Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a coluna ereta, e o coração tranqüilo.
JMS

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