Hipoglicemia no Idoso
Dr. João
Mariano Sepúlveda
Cárdio
Geriatra
@no_formol
Redução de açúcar
na corrente sanguínea, abaixo de 70mg/dl, é considerado nível de diagnostico
deste que é um sintoma incidente em milhares de gerontes, sejam diabéticos,
usuários de insulina ou não!
As causas mais
comuns devem-se a utilização muito rápida da glicose do organismo, ou sua
liberação muito lenta, ou finalmente quando ha liberação de insulina em
excesso!
Pessoas não
diabéticas podem ter hipoglicemia por doenças hepáticas, cardíacas ou renais,
ingestão desproporcional de bebidas alcoólicas, ou insulinomas, que são tumores
na maioria das vezes pancreáticos, hiper secretores de insulina.
Também alguns
medicamentos utilizados no tratamento da Diabetes, com as sulfoniluréias e a
própria insulina!
A insulina é o
hormônio produzido no pâncreas, e liberado em resposta a níveis altos de
glicose, responsável pela metabolização e aproveitamento da glicose em energia
para o corpo humano. Quando em equilíbrio o sistema é perfeito, pois a insulina
promove a entrada da glicose nas células, produzindo energia.
Atletas de alta
performance se utilizam de carboidratos de rápida absorção antes de competições
gerando alta quantidade calórica e respostas físicas exemplares.
O problema ocorre
quando se rompe esse equilíbrio. Os hormônios contra reguladores, como
glucagon, do crescimento, cortisol e adrenalina, se reduzem e a insulina reduz
a glicose alimentar, depois, a muscular, e finalmente a cerebral.
Pacientes muito
obesos ou emagrecidos, em hiperinsulinemia, com resistência insulínica, pós cirurgia
de redução de estomago, pré diabetes, ou mesmo Diabetes, tipo 1 ou 2, passam
por fases de desregulação da produção de insulina.
No primeiro
momento ocorre o consumo de carbohidratos que virarão glicose, açúcar, na
corrente sanguínea, logo, estímulos endócrinos e neuro hormonais, liberam o
hormônio insulina, só que ao invés de liberar uma quantidade proporcional ao
açúcar, consumido libera de 2 a
8 vezes acima do necessário, levando aos sintomas da hipoglicemia.
No primeiro estágio:
súbito, tremores, tonturas, palidez, indisposição, suor frio, nervosismo,
palpitações, taquicardia, náuseas, vômitos e muita fome, para compensar a falta
de glicose circulante.
No segundo
estágio: confusão mental, alteração do nível de consciência, perturbações
visuais, e de comportamento, o paciente parece bêbado, cansaço, fadiga, sensação
de desmaio, síncope, convulsões, coma e morte!
Isso mesmo a
hipoglicemia leva a morte e em sua maioria, durante o sono!
A hipoglicemia
pode ser classificada como leve, ou grave sendo a primeira aquela que é
revertida pelo próprio paciente, e a segunda quando necessita de auxilio de
terceiros para reversão!
Trabalhos
recentes quando se faz exames cardíacos como a MAPA, para avaliação curva
pressórica, Holter, para avaliação do ritmo cardíaco, Polissonografia, para estudo do sono, mostraram
quando se mediu em conjunto as glicemias em momentos de eventos, sejam
hipertensivos, arrítmicos, ou despertares durante o sono, a estreita ligação da
queda da glicose sanguínea com estes fenômenos, determinando a importância de
um controle adequado dos diabéticos sejam do tipo I ou II, sejam os resistentes
a insulina, ou os reativos!
Eventos como
Acidente Vascular Cerebral, Infarto Agudo do Miocárdio tem sua ocorrência facilitada
durante uma hipoglicemia, pois esta favorece a hipoxia celular ajudando o sinistro.
Medidas
preventivas passam por controle de infecções, redução do espaçamento das
refeições, reforço alimentar pré exercício físico, e uma refeição noturna leve
a base de carbohidratos e proteínas antes de dormir. O controle do consumo de
álcool e a atividade física regular parecem ter bom resultado.
O tratamento
depende da causa, se tumoral tira-se o tumor, se por medicamentos ajusta-se
escolhendo drogas com menor potencial hipoglicemico, se for reativa restrige-se o consumo de
carbohidratos.
Uma vez instalada
a hipoglicemia deve-se estimular o consumo de açucares, suco de laranja
adoçado, água com açúcar, uma bala, por exemplo! Alguns diabéticos chegam a
deixar ficar em hipoglicemia para poderem comer algo doce, única exceção
concedida em sua dieta!
Caso o nível de
consciência esteja comprometido é fundamental levar o paciente a um ambiente
hospitalar para reversão com soro glicosado.
Auxiliando os
eventos da Variabilidade Glicêmica, que é a exagerada labilidade metabólica da
glicose, oras muito alta, outras vezes muito baixas, três novidades em gestação
para os smartfones, conectado a um sensor subcutâneo, monitora a glicemia e
liberação de uma bomba de insulina em tempo real, na quantidade exata à
necessidade daquele momento.
Ligado a um
sensor espirométrico, tipo bafômetro, poderá fazer leituras cetônicas sobre
níveis glicêmicos e de células oncológicas!
Finalmente em
breve os fones inteligentes farão em tempo real, eletrocardiogramas contínuos
monitorando seu coração e mantendo seu médico avisado quando houver alguma
alteração mais grave! Vida sem emoção!
Todas as
alterações são comuns a qualquer paciente, porem em pacientes idosos, são muito
mais significativas e parecem estar intimamente relacionadas as alterações
emocionais e cognitivas, pelas lesões microavasculares cerebrais!
JMS

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