sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Hipoglicemia no Idoso


Hipoglicemia no Idoso
 


 

 
 
 


Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol

 

Redução de açúcar na corrente sanguínea, abaixo de 70mg/dl, é considerado nível de diagnostico deste que é um sintoma incidente em milhares de gerontes, sejam diabéticos, usuários de insulina ou não!
As causas mais comuns devem-se a utilização muito rápida da glicose do organismo, ou sua liberação muito lenta, ou finalmente quando ha liberação de insulina em excesso!
Pessoas não diabéticas podem ter hipoglicemia por doenças hepáticas, cardíacas ou renais, ingestão desproporcional de bebidas alcoólicas, ou insulinomas, que são tumores na maioria das vezes pancreáticos, hiper secretores de insulina.
Também alguns medicamentos utilizados no tratamento da Diabetes, com as sulfoniluréias e a própria insulina!
A insulina é o hormônio produzido no pâncreas, e liberado em resposta a níveis altos de glicose, responsável pela metabolização e aproveitamento da glicose em energia para o corpo humano. Quando em equilíbrio o sistema é perfeito, pois a insulina promove a entrada da glicose nas células, produzindo energia.
Atletas de alta performance se utilizam de carboidratos de rápida absorção antes de competições gerando alta quantidade calórica e respostas físicas exemplares.
O problema ocorre quando se rompe esse equilíbrio. Os hormônios contra reguladores, como glucagon, do crescimento, cortisol e adrenalina, se reduzem e a insulina reduz a glicose alimentar, depois, a muscular, e finalmente a cerebral.  
Pacientes muito obesos ou emagrecidos, em hiperinsulinemia, com resistência insulínica, pós cirurgia de redução de estomago, pré diabetes, ou mesmo Diabetes, tipo 1 ou 2, passam por fases de desregulação da produção de insulina.
No primeiro momento ocorre o consumo de carbohidratos que virarão glicose, açúcar, na corrente sanguínea, logo, estímulos endócrinos e neuro hormonais, liberam o hormônio insulina, só que ao invés de liberar uma quantidade proporcional ao açúcar, consumido libera de 2 a 8 vezes acima do necessário, levando aos sintomas da hipoglicemia.
No primeiro estágio: súbito, tremores, tonturas, palidez, indisposição, suor frio, nervosismo, palpitações, taquicardia, náuseas, vômitos e muita fome, para compensar a falta de glicose circulante.
No segundo estágio: confusão mental, alteração do nível de consciência, perturbações visuais, e de comportamento, o paciente parece bêbado, cansaço, fadiga, sensação de desmaio, síncope, convulsões, coma e morte!
Isso mesmo a hipoglicemia leva a morte e em sua maioria, durante o sono!
A hipoglicemia pode ser classificada como leve, ou grave sendo a primeira aquela que é revertida pelo próprio paciente, e a segunda quando necessita de auxilio de terceiros para reversão!
Trabalhos recentes quando se faz exames cardíacos como a MAPA, para avaliação curva pressórica, Holter, para avaliação do ritmo cardíaco,  Polissonografia, para estudo do sono, mostraram quando se mediu em conjunto as glicemias em momentos de eventos, sejam hipertensivos, arrítmicos, ou despertares durante o sono, a estreita ligação da queda da glicose sanguínea com estes fenômenos, determinando a importância de um controle adequado dos diabéticos sejam do tipo I ou II, sejam os resistentes a insulina, ou os reativos!
Eventos como Acidente Vascular Cerebral, Infarto Agudo do Miocárdio tem sua ocorrência facilitada durante uma hipoglicemia, pois esta favorece a hipoxia celular ajudando o  sinistro.
Medidas preventivas passam por controle de infecções, redução do espaçamento das refeições, reforço alimentar pré exercício físico, e uma refeição noturna leve a base de carbohidratos e proteínas antes de dormir. O controle do consumo de álcool e a atividade física regular parecem ter bom resultado.
O tratamento depende da causa, se tumoral tira-se o tumor, se por medicamentos ajusta-se escolhendo drogas com menor potencial hipoglicemico, se for  reativa restrige-se o consumo de carbohidratos.
Uma vez instalada a hipoglicemia deve-se estimular o consumo de açucares, suco de laranja adoçado, água com açúcar, uma bala, por exemplo! Alguns diabéticos chegam a deixar ficar em hipoglicemia para poderem comer algo doce, única exceção concedida em sua dieta!
Caso o nível de consciência esteja comprometido é fundamental levar o paciente a um ambiente hospitalar para reversão com soro glicosado.
Auxiliando os eventos da Variabilidade Glicêmica, que é a exagerada labilidade metabólica da glicose, oras muito alta, outras vezes muito baixas, três novidades em gestação para os smartfones, conectado a um sensor subcutâneo, monitora a glicemia e liberação de uma bomba de insulina em tempo real, na quantidade exata à necessidade daquele momento.
Ligado a um sensor espirométrico, tipo bafômetro, poderá fazer leituras cetônicas sobre níveis glicêmicos e de células oncológicas!
Finalmente em breve os fones inteligentes farão em tempo real, eletrocardiogramas contínuos monitorando seu coração e mantendo seu médico avisado quando houver alguma alteração mais grave! Vida sem emoção!
Todas as alterações são comuns a qualquer paciente, porem em pacientes idosos, são muito mais significativas e parecem estar intimamente relacionadas as alterações emocionais e cognitivas, pelas lesões microavasculares cerebrais!
JMS

 

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