sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Hipertensão no idoso

Hipertensão no idoso
 



Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
 
Doença de causas desconhecidas em 95% dos casos, por isso mesmo dita essencial, afeta pacientes de ambos os sexos principalmente após os 40 anos, com predominância nas mulheres.
Pode passar desapercebida, assintomática ou causar  dores de cabeça, tonturas, aperto no peito, palpitações, e se severa, levar a morte, quer por causas cardiológicas, quer por trombose ou derrame, o acidente vascular cerebral,  evento mais comum em hipertensos, sobretudo, em hipertensão sistólica isolada, que é o aumento apenas da pressão máxima.
Associa-se ao stress, sedentarismo, tabagismo, alcoolismo crônico, uso abusivo de sal, gorduras, sobretudo as trans e oxidadas, presentes em frituras e aditivos alimentares.
O sistema circulatório é um perfeito e ajustado modelo hidraulico estanque, com regulação e modulação por contrações e dilatações vasculares, de acordo com liberações neuro-endócrinas de substâncias vasoativas, que agem na elasticidade dos vasos como fator de aumento ou redução de níveis pressóricos, conforme as necessidedes de momento. 
O envelhecimento e o aumento da rigidez vascular interferem nestas regulações, portanto a idade é por si só, um agente hipertensivo.
Acomete 65% dos idosos, e 80% das mulheres acima de 75 anos., mais os negros,  obesos, e diabéticos.
Diagnosticada por medições seqüenciais e exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, ergometria, monitorização contínua e domiciliar da pressão arterial, assim como, exames laboratoriais, procede-se a tentativas terapêuticas.
Casos leves e moderados, em uma primeira intervenção tentar o controle de stress, alimentar, prática de atividade física e  reavaliar.
Utilizar equipe multiprofissional, composta de assistentes sociais, farmacêuticos, psicólogos, nutricionistas, enfermeiros, educadores físicos,  expandindo a abordagem e o controle, dando a justa ênfase ao paciente da importância de sua participação nos cuidados com sua saúde.
A hipertensão noturna, com ou sem crises de apnéia do sono é fator agravante.
Quando da terapia medicamentosa considerar: diuréticos, betabloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio, inibidores da enzima conversora da angiotensina, antagonistas da angiotensina II, os novos inibidores da renina, simpatolíticos de ação central e alfabloqueadores  que são  drogas disponíveis para uso isolado ou em associações, individualizando  cada hipertenso.
A ablação ultrassonica da arteria renal, parece um procedimento promissor na estabilização de casos reno vasculares!
A pressão nunca deve ser reduzida de forma abrupta, devendo ser um trabalho de extrema paciência e persistência, prevendo ajustes, até a obtenção das metas pré estabelecidas.
A avaliação de comorbidades, doenças associadas auxiliam muito a estabilização dos quadros hipertensivos, a hiperuricemia, ácido úrico elevado, gota, o colesterol, triglicerideos, e a glicemia, nos diabeticos.
Medicamentos como os corticóides, e certos antiinflamatórios agravam a hipertensão.
O segmento e avaliação de risco de órgãos alvos, coração, infartos e insuficiência, rins, insuficiência, cérebro, isquemia, retinopatia hipertensiva e adesão à terapia proposta, complementam o trabalho do profissional!
Valorizar a ansiedade, o stress, associado como causa ou conseqüência da hipertensão, colabora com o tratamento, tornando possível a redução e até a retirada de medicamentos.
A participação do idoso hipertenso em programas contínuos de controle, devolvem a segurança, dão manejo ao paciente sobre sua doença.
A hipertensão ainda não tem cura, apenas tratamento, provavelmente, para toda vida.
As medidas domiciliares devem ser estimuladas com cautela e controle, principalmente, em relação ao medidor e ao aparelho que vai medir.
A utilização de terapias alternativas e milacrias devem ser vista com reservas, chás de xuxu quebra pedra etc, podem retardar a terapêutica adequada.
Hipertensão é doença crônica e multifatorial e como tal deve ser abordada, a humanização e individualização como regra reduz o risco de fracasso terapeutico!
JMS

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