sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Hipotireoidismo no idoso

Hipotireoidismo no idoso
 

Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
 
A idade reduz todas as funções do corpo humano, física, mental, intelectual, e predominantemente, a  hormonal.
Dentre os distúrbios hormonais, a redução da atividade da tireóide está presente em até 3% dos pacientes acima de 65 anos, se considerarmos o hipotireoidismo subclínico, a prevalência pode alcançar até 6%, subindo para até 20% em pacientes acima de 80 anos. Muito mais comuns em pacientes de raça branca e do sexo feminino. Tendo como causa mais freqüente a tireoidite auto imune,  dita de Hashimoto, ou ainda o uso de alguns medicamentos, sendo o mais comum a amiodarona,  usada em arritimias cardíacas.
O hipotireoidismo subclínico, talvez preceda o clínico, cursando com transtorno no humor, déficit cognitivo, redução de memória, elevação nos lípides sanguíneos, colesterol, LDL colesterol, distúrbios no sistema cardiovascular levando a um aumento da mortalidade.
Pode ser transitório, pós tireoidite, ou pós cirúrgico, quando, se remove a glândula, por exemplo, nos casos de carcinomas.
O hipotireoidismo apresenta como principais sintomas clínicos a fadiga persistente e que não cede a longos períodos de repouso, de difícil restauração. Aumento progressivo de peso, embora o apetite diminua, com dificuldade de perda ou manutenção, por alterações metabólicas.
Pele seca, cabelos ásperos, por acúmulo de ácido hialurônico, substância que retém líquidos, dado aspecto grosseiro a pele do paciente principalmente, próximo aos olhos, que tem o nome de mixedema.
Intolerância exacerbada ao frio, por alterações nos mecanismos termo regulatórios. Constipação intestinal, também por redução no metabolismo basal. Assim como bradicardia, que é a redução dos batimentos cardíacos, a insuficiência cardíaca e a hipertensão, e forte aumento de risco para infarto e aterosclerose.
A gota, que é o aumento das taxas sanguíneas de ácido úrico. O aumento do colesterol total e do LDL.
A perda auditiva e rouquidão, por edemas em cordas vocais.
Síndrome do túneo do carpo, artralgias, dores articulares, dormências, caimbras, e mialgias, dores musculares. 
Anemia. Edemas. Sudorese reduzida.
A depressão, ansiedade, lentidão no raciocínio, letargia e a diminuição da memória , imitando muitas vezes um quadro de demência  reversível nos idosos, devem ser considerados, pois, muitas vazes podem confundir o diagnóstico, levando a se pensar que perdas secundárias de memória se devam a patologia primária, caso da Demência de Alzheimer.
O diagnóstico é realizado com as dosagens de T3 e T4, hormônios tireoidianos, com destaque para o TSH, e os anticorpos antitireoperoxidase, e antitireoglobulina, que vão determinar os ajustes evolutivos no tratamento do hipotireoidismo.
O ultra-som de tireóide deve ser considerado, quando há suspeita de nódulos tireoidianos, também freqüente achado nesta patologia.
O tratamento com levotiroxina em doses baixas, progressivas no inicio do tratamento, ajustes constantes nos idosos e com conseqüente redução de acordo com o avançar da idade.
O cálcio, ferro, medicamentos gastro protetores, reduzem a absorção; antibióticos, antidepressivos, anticonvulsivantes, amiodarona aumentam a excreção da levotiroxina, interferindo de maneira importante na efetividade do tratamento.
Rastreamento realizado, por qualquer medico, estabelecido o diagnóstico de hipotireoidismo no idoso a sugestão é que o segmento seja feito por um especialista da área, o endocrinologista é o profissional de eleição para esta patologia.
JMS

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