Hipotireoidismo no idoso
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
A idade reduz
todas as funções do corpo humano, física, mental, intelectual, e
predominantemente, a hormonal.
Dentre os
distúrbios hormonais, a redução da atividade da tireóide está presente em até
3% dos pacientes acima de 65 anos, se considerarmos o hipotireoidismo subclínico,
a prevalência pode alcançar até 6%, subindo para até 20% em pacientes acima de
80 anos. Muito mais comuns em pacientes de raça branca e do sexo feminino.
Tendo como causa mais freqüente a tireoidite auto imune, dita de Hashimoto, ou ainda o uso de alguns
medicamentos, sendo o mais comum a amiodarona, usada em arritimias cardíacas.
O hipotireoidismo
subclínico, talvez preceda o clínico, cursando com transtorno no humor, déficit
cognitivo, redução de memória, elevação nos lípides sanguíneos, colesterol, LDL
colesterol, distúrbios no sistema cardiovascular levando a um aumento da mortalidade.
Pode ser
transitório, pós tireoidite, ou pós cirúrgico, quando, se remove a glândula,
por exemplo, nos casos de carcinomas.
O hipotireoidismo
apresenta como principais sintomas clínicos a fadiga persistente e que não cede
a longos períodos de repouso, de difícil restauração. Aumento progressivo de
peso, embora o apetite diminua, com dificuldade de perda ou manutenção, por
alterações metabólicas.
Pele seca,
cabelos ásperos, por acúmulo de ácido hialurônico, substância que retém
líquidos, dado aspecto grosseiro a pele do paciente principalmente, próximo aos
olhos, que tem o nome de mixedema.
Intolerância
exacerbada ao frio, por alterações nos mecanismos termo regulatórios.
Constipação intestinal, também por redução no metabolismo basal. Assim como
bradicardia, que é a redução dos batimentos cardíacos, a insuficiência cardíaca
e a hipertensão, e forte aumento de risco para infarto e aterosclerose.
A gota, que é o
aumento das taxas sanguíneas de ácido úrico. O aumento do colesterol total e do
LDL.
A perda auditiva
e rouquidão, por edemas em cordas vocais.
Síndrome do túneo
do carpo, artralgias, dores articulares, dormências, caimbras, e mialgias, dores
musculares.
Anemia. Edemas.
Sudorese reduzida.
A depressão,
ansiedade, lentidão no raciocínio, letargia e a diminuição da memória ,
imitando muitas vezes um quadro de demência
reversível nos idosos, devem ser considerados, pois, muitas vazes podem
confundir o diagnóstico, levando a se pensar que perdas secundárias de memória
se devam a patologia primária, caso da Demência de Alzheimer.
O diagnóstico é
realizado com as dosagens de T3 e T4, hormônios tireoidianos, com destaque para
o TSH, e os anticorpos antitireoperoxidase, e antitireoglobulina, que vão
determinar os ajustes evolutivos no tratamento do hipotireoidismo.
O ultra-som de
tireóide deve ser considerado, quando há suspeita de nódulos tireoidianos,
também freqüente achado nesta patologia.
O tratamento com
levotiroxina em doses baixas, progressivas no inicio do tratamento, ajustes
constantes nos idosos e com conseqüente redução de acordo com o avançar da
idade.
O cálcio, ferro,
medicamentos gastro protetores, reduzem a absorção; antibióticos,
antidepressivos, anticonvulsivantes, amiodarona aumentam a excreção da
levotiroxina, interferindo de maneira importante na efetividade do tratamento.
Rastreamento
realizado, por qualquer medico, estabelecido o diagnóstico de hipotireoidismo
no idoso a sugestão é que o segmento seja feito por um especialista da área, o
endocrinologista é o profissional de eleição para esta patologia.
JMS

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