sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Hipertensão e Depressão
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
Algumas patologias são de muito difícil dissociação, ultimamente os estudos tem se focado em quanto é comum o surgimento e a persistência da alterações da pressão arterial,  secundarizando os processos emocionais, como pânicos, transtornos de ansiedade generalizada, e principalmente os quadros depressivos.
Quadros psiquiátricos, e de dependência química, também são usuais porem condicionados ao volume de consumo!
Cada vez mais freqüentes pacientes idosos, com refratariedade ao tratamento da hipertensão, que estudados com olhos detalhados revelam uma associação diagnóstica destas duas patologias, tornando inadequada terapias que premiem o aumento das drogas anti hipertensivas, e ajustando os níveis de pacientes que se submetem a terapias conjuntas!
Todo clinico, geriatra, ou cardiologista devem ter manejo, mesmo que rudimentares, para a terapia dos quadros psiquiátricos ou psicológicos que se apresentarem, gerenciando as prioridades em seu atendimento, com a restauração de sua segurança, a redução de sua ansiedade, para que na seqüência encaminhem estes pacientes aos especialistas necessários.
Sinais como, redução no prazer de execução de tarefas antes prazerosas, sensação de infelicidade recorrente, hipersonia, que é o aumento do sono, ou a falta de sono, insônia! Adinamia, com cansaço desproporcional ou injustificado, sentindo-se incapaz para consigo e com seus familiares, déficit de concentração, atenção, e fixação de fatos, tarefas ou atividades rotineiras, lentificação ou aceleração de movimentos, pensamentos mórbidos, ou de auto flagelação, devem ser muito valorizados como subsídios da associação do quadro depressivo!
Avalia-se também a possibilidade de depressão ser reacional, temporária e auto limitada, devido a uma perda humana ou material recente o que possivelmente não poderá ser responsabilizada pela piora permanente da hipertensão.
A conjunção de doenças pode levar a um quadro chamado de pseudo hipertensão arterial, principalmente em portadores de síndrome de pânico, onde os surtos de taquicardia adrenérgica, também são muito freqüentes!
O diagnóstico da hipertensão estará firmado, pelo seqüencial de medidas e pela adoção de exames complementares que mostrem cargas superiores as normais, como no caso do MAPA, monitorização ambulatorial da pressão arterial, onde se passam 24 horas monitorando as medidas, traçando-se curvas, onde a normalidade é superada. A MRPA onde se faz quase a mesma monitorização porem sem ser de forma contínua, mas seqüencial, e a Ergometria, que mostrará se houver, a reatividade da pressão arterial ao exercício!
Uma vez estabelecida a existência das duas patologias, tentar estratégias terapêuticas, onde se possa otimizar a estabilização do quadro emocional com sobras de ação na redução ao menos na hiper reatividade tensional, minorando ao máximo a utilização de anti hipertensivos. Equilibrando a equação ansiedade, estresse, vaso constrição, hipertensão...., eventos cardiovasculares!
Existem casos limítrofes, onde ao se instituir a terapia e o suporte psicológico, o quadro da pressão, se estabiliza de tal forma que se pode reduzir, ou retirar a maioria dos fármacos anti hipertensivos em uso! A abordagem como em tudo na medicina atual, deve ser multidisciplinar envolvendo o educador físico, o serviço de nutrição, enfermagem, psicologia, e os médicos de áreas afins como cardiologistas e psiquiatras.       
A utilização de antidepressivos, ansiolíticos, anti hipertensivos devem fazer parte do arsenal terapêutico dos profissionais envolvidos, porem como sempre o bom senso deve ser o maior conselheiro na hora de se formular a proposta terapêutica! Mas lembrar sempre que pressão arterial de controle difícil, rebelde, pode conter outra doença em conjunto!!            
JMS

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