Hipertensão e Depressão
Dr.
João Mariano Sepúlveda
Cárdio
Geriatra
@no_formol
Algumas
patologias são de muito difícil dissociação, ultimamente os estudos tem se
focado em quanto é comum o surgimento e a persistência da alterações da pressão
arterial, secundarizando os processos
emocionais, como pânicos, transtornos de ansiedade generalizada, e
principalmente os quadros depressivos.
Quadros
psiquiátricos, e de dependência química, também são usuais porem condicionados
ao volume de consumo!
Cada vez mais freqüentes
pacientes idosos, com refratariedade ao tratamento da hipertensão, que estudados
com olhos detalhados revelam uma associação diagnóstica destas duas patologias,
tornando inadequada terapias que premiem o aumento das drogas anti hipertensivas,
e ajustando os níveis de pacientes que se submetem a terapias conjuntas!
Todo clinico,
geriatra, ou cardiologista devem ter manejo, mesmo que rudimentares, para a
terapia dos quadros psiquiátricos ou psicológicos que se apresentarem, gerenciando
as prioridades em seu atendimento, com a restauração de sua segurança, a redução
de sua ansiedade, para que na seqüência encaminhem estes pacientes aos especialistas
necessários.
Sinais como,
redução no prazer de execução de tarefas antes prazerosas, sensação de
infelicidade recorrente, hipersonia, que é o aumento do sono, ou a falta de
sono, insônia! Adinamia, com cansaço desproporcional ou injustificado, sentindo-se
incapaz para consigo e com seus familiares, déficit de concentração, atenção, e
fixação de fatos, tarefas ou atividades rotineiras, lentificação ou aceleração
de movimentos, pensamentos mórbidos, ou de auto flagelação, devem ser muito
valorizados como subsídios da associação do quadro depressivo!
Avalia-se também
a possibilidade de depressão ser reacional, temporária e auto limitada, devido
a uma perda humana ou material recente o que possivelmente não poderá ser responsabilizada
pela piora permanente da hipertensão.
A conjunção de
doenças pode levar a um quadro chamado de pseudo hipertensão arterial, principalmente
em portadores de síndrome de pânico, onde os surtos de taquicardia adrenérgica,
também são muito freqüentes!
O diagnóstico da
hipertensão estará firmado, pelo seqüencial de medidas e pela adoção de exames
complementares que mostrem cargas superiores as normais, como no caso do MAPA,
monitorização ambulatorial da pressão arterial, onde se passam 24 horas monitorando
as medidas, traçando-se curvas, onde a normalidade é superada. A MRPA onde se
faz quase a mesma monitorização porem sem ser de forma contínua, mas seqüencial,
e a Ergometria, que mostrará se houver, a reatividade da pressão arterial ao
exercício!
Uma vez
estabelecida a existência das duas patologias, tentar estratégias terapêuticas,
onde se possa otimizar a estabilização do quadro emocional com sobras de ação
na redução ao menos na hiper reatividade tensional, minorando ao máximo a
utilização de anti hipertensivos. Equilibrando a equação ansiedade, estresse, vaso
constrição, hipertensão...., eventos cardiovasculares!
Existem casos
limítrofes, onde ao se instituir a terapia e o suporte psicológico, o quadro da
pressão, se estabiliza de tal forma que se pode reduzir, ou retirar a maioria dos
fármacos anti hipertensivos em uso! A abordagem como em tudo na medicina atual,
deve ser multidisciplinar envolvendo o educador físico, o serviço de nutrição,
enfermagem, psicologia, e os médicos de áreas afins como cardiologistas e psiquiatras.
A utilização de
antidepressivos, ansiolíticos, anti hipertensivos devem fazer parte do arsenal
terapêutico dos profissionais envolvidos, porem como sempre o bom senso deve
ser o maior conselheiro na hora de se formular a proposta terapêutica! Mas
lembrar sempre que pressão arterial de controle difícil, rebelde, pode conter
outra doença em conjunto!!
JMS
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