Ainda que só faltasse um dia
Dr. João
Mariano Sepúlveda
Cardio
Geriatra
@no_formol
Mesmo assim
garbosamente levantaria, comporia um preparo de lorde, casual porem elegante,
equilibrado e simples!
Podaria o bonsai,
usaria um bom perfume, equilibraria a gravata borboleta,ou o chapéu de ir a
festa, se fosse mulher.
Caso estivesse
por horas ou minutos, procuraria manter o olhar no horizonte para buscar os
caminhos a seguir, mesmo por um curto período ter norte é fundamental!
Perder o rumo não
é solução de crise, tão mais sua perpetuação!
Antes de partir
perguntaria às coisas qual delas me acompanharia, e se afinal fui dono delas ou
elas de mim, avaliaria com justeza o tempo desprendido para cuidar destas
posses, e se ele poderia ter sido direcionado em situações de real importância!
Avaliaria se me fosse dado a pensar, se não seria melhor investi-lo em seres,
não em teres.
Aceitaria os
limites de humanidade, preferindo andar a pé, para poder ver com calma em detalhes o ar, o
céu, a lua! Há a lua, quanto tempo não olhas para ela?
Superar a
humanidade é projeto desrespeitoso, admiti-la é inteligente!
Usar o tempo
concedido em nossa passagem por essa vida, talvez possa transformar um ultimo
dia em uma eternidade, bastando para
isso ter como certa a impermanência como regente de nossa existência!
O desapego como
norma é agente de importância da simplificação dos atos, atitudes e modus
vivendi, tipo valorizar apenas o essencial! O que é essencial para uma vida
profícua, de que tanto se necessita para se viver plenamente e sermos pessoas
felizes? Simplificar facilita, desapegar tira o carga e tornar a marcha mais
fácil!
Tomaria por base,
as grandes peregrinações, todos os que fazem longos percursos, longas e penosas
caminhadas, são unânimes em afirmar reduza a carga, procure o que realmente é
essencial! Porque senão você desiste logo no começo!
Muitas vezes nos
cercamos de coisas, que achamos que nos farão falta em algum momento da vida, e
vamos acumulando trastes que envelhecem, e viram entulhos, que chegam a
atrapalhar nosso ir e vir esbarrando em nossas pernas, reduzindo nossa
mobilidade!
Viver é como
peregrinar, chegar longe nesta caminhada, requer uma constante redução de
carga, posses e pertences!
As cargas físicas
talvez sejam mais fáceis de nos livrarmos, mas as emocionais e espirituais,
estas são mais complexas!
Querelas mágoas,
raivas, diferenças, INVEJA, emoções negativas que pesam toneladas na marcha de
quem, não se dá o trabalho de diariamente acertar suas contas, seja
esclarecendo vendetas, seja simplesmente “perdoando aquele que nos tem
ofendido”, acreditando naquilo que professas quase que diariamente, seja em que
linguagem for!
Remover, pois, a
carga interna é condição básica de se ter uma jornada pertinente.
Estabelecida a
carga que somos capazes de levar, é seguir,
buscando sempre os melhores caminhos, com as melhores companhias, e
mesmo quando entrarmos por um beco sem saída, ter a humildade de retornar e
retomar a marcha com dignidade, reparando sempre quem ainda segue ao seu lado,
deixando em atalhos aqueles que se
mostrarem inadequados e não confiáveis de seguir!
Deixarmos as
companhias no caminho, talvez, seja de todas, a decisão mais difícil, porem há
pessoas que nos tolhem de tal forma nossa mobilidade, que não deixam escolha,
como salvar náufragos, devemos sempre tentar, porem quando se agarram a nós e
puxam para o fundo levando ao risco de sermos nas a afogar, decidido esta!
Já que é
inexorável envelhecer e quase certo perecer, e esse quase, tentativa vã,
condicional, de engodar o fim, projetaria sem pressa o modelo de desapego progressivo
para chegar o mais longe que me fosse permitido da forma mais leve que me fosse
possível chegar.
Não deixaria
perder um minuto de minha alegria, praticaria tudo que proporcionasse prazer e
felicidade a mim e ao próximo, me tornaria uma pessoa que outros sentiriam
falta, e não alguém de quem queira distância!
Pleno de minha
impermanência, pacientemente perpetuaria minha presença pelo exemplo de boas
memórias!
Usaria as
lagrimas para me emocionar e a tristeza para me superar e buscar motivos de
realizar mais para o bem comum, de que para bem próprio. Exercer seu objetivo
social!
Enfim mesmo que
só me restasse um dia, penso que teria tempo de contemplar, admirar absorver
mais um pouco desta graça que temos e muitas vezes não reparamos, e seja quem formos,
não temos o direito de ficarmos perdendo tempo do momento único, que num mísero
instante é passado, e assim sendo só existe em nossa memória!
Logo formar e ter
boas lembranças é o moto contínuo fundamental da perpetuação nossa estada nessa
tão perene VIDA! Tão imortal sou quanto o volume de boas memórias deixei, te
faz lembrar alguém que passou por aqui há mais de dois mil anos?
JMS
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