sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Interação Medicamentosa - Risco para todos os idosos

Interação Medicamentosa - Risco para todos os idosos


 

 
 

Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
 
Nada é mais comum quando se medica um paciente idoso do que se incidir no processo de sobreposição de medicamentos! Dois em cinco casos de intoxicação medicamentosa acometem pacientes acima dos 65 anos de idade!
O idoso, como o nome já diz traz consigo fator primário de risco e que possibilita a presença de diversas patologias!
Regularmente o paciente já chega ao consultório com ao menos três a quatro diagnósticos diversos firmados, hipertensão, diabetes, dislipidemia e ainda a osteoporose ou osteoartrose! Ou ambas! Pressão alta, glicose, taxas de gorduras, reumatismo, formas populares de nomear estes males que necessitam de no mínimo o uso de quatro a cinco drogas diferentes, tornando seu usuário um potencial candidato a interação e intoxicação medicamentosa.
Farmacoterapia é a matéria que estuda a polifarmácia, os mecanismos básicos de absorção, distribuição, metabolização e excreção dos medicamentos!
No idoso deve-se levar em conta a redução metabólica e absortiva que é reflexa, aumentando a meia vida dos remédios administrados, potencializando seus efeitos! Lembrar que muitos fármacos dependem de ligações protéicas, principalmente com a albumina, constantemente diminuída no envelhecimento, logo, interferindo com a utilização do medicamento!
Exemplos clássicos ocorrem todos os dias na prática clinica: Senhora de 70 anos, com quadro de dores em joelhos, usando um antiinflamatório comum, que lhe foi ensinado por sua vizinha, a qual melhorou de um quadro quase igual!!! Este lhe causa elevação da pressão!
Acompanhada regularmente, vai a consulta com seu cardiologista, mas esquece de relatar o uso do medicamento! O medico constata um descontrole tensional, e aumenta as doses de sua medicação!! Uma semana depois ela termina o uso do medicamento antiinflamatório, melhor das dores volta a caminhar. Sua pressão se reduz abruptamente, ela sofre uma síncope, cai, fratura uma vértebra ou a bacia, fica no leito em repouso, ou se interna em um hospital para correção cirúrgica, se sujeita a infecção hospitalar, qualidade de vida, estado depressivo, fragilização.......! Poderia ter sido também um Acidente Vascular Cerebral Isquêmico, com seqüelas... É só escolher!
Segundo exemplo: senhor de 70 anos, epilético, com foco ativo, seqüela e isquemia cerebral, em terapia com anticonvulsivantes, a cada 8hs, há 5 anos, e há 4 anos sem ter convulsões!! Estabilizado!
Sente uma azia forte, vai a um clínico que com a melhor das intenções lhe receita omemprazol para o estomago, que melhora, mas reduz drasticamente o efeito de sua medicação em até 50%, logo aquele medicamento que o protegia por 8 horas, passa a protegê-lo apenas por 4 horas, dias depois o senhor tem uma convulsão cai...!
UFA! Apenas dois fármacos mal utilizados, e todo este processo!?  
Ficção? Infelizmente não! Muito mais comum do que se pensa! Incidem diariamente disfarçadas de pioras de quadros já estabelecidos, sob o manto da história clinica mal colhida em consultas céleres como exigem os sobrecarregados serviços de saúde, viram verdades e passam absolutamente despercebidas!
A redução do risco do mau uso de fármacos, se faz, primeiro  evitando a auto medicação, por mais tentador que te pareça utilizar um igualzinho a da sua vizinha ou de seu amigo! Depois reunir a maior quantidade possível de informações sobre o que vai consumir, e sobre o que esta utilizando e fornecê-la a seu medico, mesmo que isso acarrete uma longa e pertinente palestra sobre a auto medicação que se possa estar praticando. Realizar ao menos uma vez na vida o teste para se saber sobre alergia a medicamentos, como, aspirina, dipirona, antiinflamatórios, etc. Estar alerta para as novidades, se antes da ultima consulta, você não sentia essa dor de estomago, e a partir dela, passou a sentir, e se seu medico trocou seu medicamento muito provavelmente, essa troca foi a responsável. Comunique-se com ele, e informe, com certeza a correção se dará facilmente e sem maiores problemas!
Dentre os medicamentos mais insidiosos, destaco os já citados antiinflamatórios, por seus riscos de lesões gástricas e hipertensão, os antialérgicos, anti-histamínicos que interferem no ritmo cardíaco, podendo potencializar ou desencadear arritmias e as muito utilizadas estatinas de alta potência que podem levar a uma elevação das enzimas musculares, intervindo na absorção de outras medicações! Lembro ainda os antidepressivos, ansiolíticos, e medicamentos para o sistema nervoso que tem forte interação e poder de impregnação.
Para todos, sugiro a titulação progressiva das drogas, com a utilização do mínimo necessário, adaptadas para a idade e para o estado do paciente!  
JMS

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