Medidas Paliativas
Dr.
João Mariano Sepúlveda
Cardio
Geriatra
@no_formol
Em Gerontologia,
chega sempre o momento que não temos mais nada a fazer a não ser esperar,
remover ao máximo todos os medicamentos que já não atuam, e mesmo que atuem não
importam mais, pois o paciente já não tem expectativa de melhora! Investir em
desimpedir as vias aéreas, e digestivas para mantê-las pérvias, sedar a dor
caso haja, dar conforto pleno, manter a higiene, livrar o paciente de
assaduras, constipações e/ou incontinências, ou ao menos tentar reduzi-las. Com
adequação das terapias, tentar atingir a melhor qualidade de vida, com
interseções sociais e espirituais! Quando pertinente fazer terapias de suporte
ao paciente e a seus familiares!
Medidas
paliativas, não tem nada a haver com medidas desesperadas, existem locais
especializados, onde os pacientes se internam e tem alta diversas vezes antes
de perecer pela patologia terminal que o acomete, na maioria das vezes
portadores de cânceres em avançado estágio, doenças cardíacas, renais, AIDS, e
as terminais mais comuns, como Alzheimer, Parkinson, e a senilidade propriamente
dita!
Devemos ter em
mente alguns conceitos quando trabalhamos com doentes terminais, processo que afirma
a vida, encarando a morte como seqüência desta. Esses cuidados não podem ser
responsáveis por adiar ou antecipar a morte! Apenas aliviam dores e reduzem desconfortos,
apóiam os pacientes para que vivam ativamente e o mais próximo do normal quanto
possível, até a morte! Apóiam as famílias, durante o processo e no luto
inerente a ele.
Três itens devem
ser levados em consideração, segundo o livro Humanização e Cuidados Paliativos
( Pessini & Bertachini 2004 ), como elementos centrais em cuidados paliativos.
Compaixão: não só
passar pelo processo, mas vivê-lo, fazendo pelo outro o que gostaria que
fizessem por você, independente de nossa capacitação técnica, e habilidade
profissional. Vivenciem!
Humildade:
Admitir o aprendizado continuo, aprendendo com colegas, auxiliares, familiares
e até com o próprio paciente, deixando patente a humanidade e falibilidade
diante da dificuldade enfrentada! Porem mostrando que embora naquela hora não
tenha a resposta, irá atrás e voltará ao tema assim que puder!
Honestidade:
colocar o interessado no centro das atenções e das decisões sobre seu
tratamento! Não se omitindo a perguntas sobre, “ estou morrendo?”, “ vou
conseguir me safar desta?”, coragem e habilidade para trabalhar tão sensível e
frágil paciente!
Lembrar para não
confundir compaixão com pena, um dos mais indignos sentimentos a se ter com um
ser humano. Humildade com subserviência, pois soará falso ao receptor. Finalmente,
honestidade com rudeza, ou objetividade crua, não custa se usar de extrema gentileza
ao lidarmos com pessoas já tão fragilizadas!
Qualquer pessoa
se intimida mediante a necessidade de acompanhamento de quem precisa de
cuidados paliativos, pela diversidade de quadros os padrões não são
lineares as condutas são adaptadas de
acordo com o desenvolvimento de cada paciente, e pelo maior ou menor
envolvimento dos pacientes e seus familiares, gerando um enorme painel de
individualidades terapêuticas. Novamente o bom senso deve ser o grande
conselheiro em equilíbrio com a criatividade, na maioria das vezes ajudam a
devolver um mínimo de dignidade em hora tão difícil pra todos os envolvidos!
Cuidados
paliativos passam por evitar a formação de escaras, debridar e limpar úlceras e
feridas, hidratar, nutrir, fazer traqueostomia ou colostomia, higiene ocular,
terapias ocupacionais, fisioterapias, psicoterapias, ou até uma simples analgesia
diária, ou semanal, que reduzam as dores! As vezes apenas melhorar o conforto
de um cidadão já pode ser visto como um cuidado!
O certo é que
nessas horas temas como ética, solidariedade, cumplicidade, compromisso e
participação, devem deixar a retórica, e tornar-se parte de nosso dia a dia, dignificando
o fim de vida de quem terá de partir um pouco mais cedo que nós !
JMS

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