sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Medidas Paliativas


Medidas Paliativas

Dr. João Mariano Sepúlveda
Cardio Geriatra
@no_formol
 

 

 
Em Gerontologia, chega sempre o momento que não temos mais nada a fazer a não ser esperar, remover ao máximo todos os medicamentos que já não atuam, e mesmo que atuem não importam mais, pois o paciente já não tem expectativa de melhora! Investir em desimpedir as vias aéreas, e digestivas para mantê-las pérvias, sedar a dor caso haja, dar conforto pleno, manter a higiene, livrar o paciente de assaduras, constipações e/ou incontinências, ou ao menos tentar reduzi-las. Com adequação das terapias, tentar atingir a melhor qualidade de vida, com interseções sociais e espirituais! Quando pertinente fazer terapias de suporte ao paciente e a seus familiares!
Medidas paliativas, não tem nada a haver com medidas desesperadas, existem locais especializados, onde os pacientes se internam e tem alta diversas vezes antes de perecer pela patologia terminal que o acomete, na maioria das vezes portadores de cânceres em avançado estágio, doenças cardíacas, renais, AIDS, e as terminais mais comuns, como Alzheimer, Parkinson, e a senilidade propriamente dita!
Devemos ter em mente alguns conceitos quando trabalhamos com doentes terminais, processo que afirma a vida, encarando a morte como seqüência desta. Esses cuidados não podem ser responsáveis por adiar ou antecipar a morte! Apenas aliviam dores e reduzem desconfortos, apóiam os pacientes para que vivam ativamente e o mais próximo do normal quanto possível, até a morte! Apóiam as famílias, durante o processo e no luto inerente a ele.
Três itens devem ser levados em consideração, segundo o livro Humanização e Cuidados Paliativos ( Pessini & Bertachini 2004 ), como elementos centrais em cuidados paliativos.
Compaixão: não só passar pelo processo, mas vivê-lo, fazendo pelo outro o que gostaria que fizessem por você, independente de nossa capacitação técnica, e habilidade profissional. Vivenciem!
Humildade: Admitir o aprendizado continuo, aprendendo com colegas, auxiliares, familiares e até com o próprio paciente, deixando patente a humanidade e falibilidade diante da dificuldade enfrentada! Porem mostrando que embora naquela hora não tenha a resposta, irá atrás e voltará ao tema assim que puder!
Honestidade: colocar o interessado no centro das atenções e das decisões sobre seu tratamento! Não se omitindo a perguntas sobre, “ estou morrendo?”, “ vou conseguir me safar desta?”, coragem e habilidade para trabalhar tão sensível e frágil paciente!
Lembrar para não confundir compaixão com pena, um dos mais indignos sentimentos a se ter com um ser humano. Humildade com subserviência, pois soará falso ao receptor. Finalmente, honestidade com rudeza, ou objetividade crua, não custa se usar de extrema gentileza ao lidarmos com pessoas já tão fragilizadas!
Qualquer pessoa se intimida mediante a necessidade de acompanhamento de quem precisa de cuidados paliativos, pela diversidade de quadros os padrões não são lineares  as condutas são adaptadas de acordo com o desenvolvimento de cada paciente, e pelo maior ou menor envolvimento dos pacientes e seus familiares, gerando um enorme painel de individualidades terapêuticas. Novamente o bom senso deve ser o grande conselheiro em equilíbrio com a criatividade, na maioria das vezes ajudam a devolver um mínimo de dignidade em hora tão difícil pra todos os envolvidos!
Cuidados paliativos passam por evitar a formação de escaras, debridar e limpar úlceras e feridas, hidratar, nutrir, fazer traqueostomia ou colostomia, higiene ocular, terapias ocupacionais, fisioterapias, psicoterapias, ou até uma simples analgesia diária, ou semanal, que reduzam as dores! As vezes apenas melhorar o conforto de um cidadão já pode ser visto como um cuidado!
O certo é que nessas horas temas como ética, solidariedade, cumplicidade, compromisso e participação, devem deixar a retórica, e tornar-se parte de nosso dia a dia, dignificando o fim de vida de quem terá de partir um pouco mais cedo que nós        !
JMS
 

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