quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Que tempo é esse?

Dr. João Mariano Sepúlveda
Cardio Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br 


Que tempo é esse o que vivemos, que embora nos aumente o tempo de permanência, nos reduz o tempo de convivência, nos tornando parte de uma engrenagem  dinâmica, moderna e cruel, que nos premia e nos pune simultaneamente! Que tempo é esse? Como se aproveitar das vantagens, tornando menor o ônus incluso?
Quanto mais vivemos e encurtamos os trajetos para o bem estar, mais nos deparamos com obstáculos que parecem intransponíveis!
Começa com o acesso à bens!? Quando jovens pensamos que nosso objetivo está muito distante, como de fato, diante de nossas inseguranças, somos sempre levados a crer que boa mesmo, é  a fortuna do próximo, logo projetamos uma rotina absurda e de produção duvidosa que nos conduz a um isolamento “justificado” no qual amealhamos recursos, aproveitando o frescor de nossa jovialidade! “Essa idade é para isso mesmo”!?! Reforçam alguns!
Vão-se anos e anos, e com eles parte de nossa juventude, patrimônio irrecuperável, entregue a fundo perdido e de bom grado ao projeto de acúmulo de algo!? Poder, dinheiro, conquistas ou coisas similares!
Algum tempo depois estabilizados, vêem os conflitos de “encaminhar” o problema de outros, filhos novos, pais velhos, amigos, relacionamentos rotineiros ou eventuais, como se tivéssemos este poder, ou de outra forma como se tivéssemos esta obrigação!
De repente reparamos que temos vivido pouco e toque fazermos cansativas maratonas aéreas e/ou terrestres pelo mundo afora, tentando compensar o que deixamos de realizar algum tempo atrás! Passamos por lugares sem repararmos neles, olhamos para monumentos históricos extenuados por guias neuróticos, e programas inexeqüíveis! Comemos pratos típicos, com má vontade e pressa como se fosse obrigação, muitos voltam dizendo que não viu graça nenhuma, que aquilo só pode ser invenção de mídia...! Reuniões de amigos e/ou famílias, deixam de ser prazerosas, tornando-se enfados encargos tediosos!
Perdemos o hábito salutar de enxergar pessoas! 
Lógico que a prática incorreta leva ao desencanto e a posições radicais e logo “não quero mais sair, viajar é muito chato já vi tudo o que podia”, “não vou mais a isso ou aquilo!” etc. etc...
A família por sua vez, longos anos relegada em função do labor, já não sabe como acolher aquele ser estranho que de repente quer participar, opinar sobre coisas que na maioria das vezes, nem sabia que existia, nesses conflitos eu comparo o presente/ausente, ao retirante que precisou migrar para o sul, trabalhar e voltar com um pé de meia feito e quando volta é um estranho! Isso também ocorre estando todos no mesmo quarto!
Readaptação, novos conceitos, e “olha que já não sou mais criança”, a idade, as doenças, “meu dinheiro já não cobre minhas necessidades”, e “o que eu fiz de meu tempo”? Todo o tempo que foi usado para aporte material, alem do material se esvai! Em casos mais dramáticos, sobra o dinheiro para outros usufruírem!
O que você tem feito com o seu tempo? Que equilíbrio você tem proposto a sua vida? Quanto tempo você dedica ao trabalho? Aos amigos? A família? A você? Será que eles todos estarão te esperando quando sua ficha cair? Infantil atitude egocêntrica!
Compartimentar a vida é contraproducente, alem de ser antinatural, ninguém pode viver só para dormir, nem só para o laser, nem muito menos apenas para trabalhar,  criar modus vivendi, como trechos de partituras rígidas, faz monótona a musica da sua vida! Planeje deixando espaço para o improviso!
 A pratica constante e equilibrada do estudo, laser, convivência, labor, assim como a degustação de bons alimentos e bebidas se constrói com a repetição cíclica que leva a ciência e aproxima da perfeição, ora-se todos os dias à Deus, não porque Ele seja surdo, mas para reafirmar e aperfeiçoar o pedido!
Pense bem hoje o que você faz com o seu tempo, que projeto você realizou ontem, pois agora só lhe restou o amanhã!
JMS

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