Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br
Encontra-se em curso
uma ampla discussão se devemos esperar o surgimento da doença ou se podemos nos
antecipar, quando todos os sinais de seu inicio estão latentes, este artigo
tenta trazer a tona a pré doença!
A Era do Pré!
Nosso tema de hoje vai
tentar abordar o antes da doença, novos conceitos nem sempre totalmente
aceitos, não esperar a instalação da patologia para depois tratar, e sim
antecipar. Pré hipertensão, ou pressão normal alta! Pré diabetes ou
disglicemia! Dislipidemia incipiente ou inicio do aumento das taxas de lípides!
A pré hipertensão,
caracteriza-se por pressões e entidades clínicas onde a clínica do paciente
acima de 18 anos, é quase normal e sua pressão máxima entre 120 e 139 mmHg e a
mínima entre 80 e 89 mmHg, ou seja normal alta, ou limítrofe, caso acima de 140
e 90, teríamos uma hipertensão propriamente dita! Menor ou igual a 120 por 80 normal.
O que leva-nos a
considerar este conceito procedente é o fato de existirem provas contundentes
da existência de hipertensão e placas ateroscleróticas em crianças e adolescentes,
mostrando a precocidade destas entidades mórbidas!
Não significa que quem
tiver pré hipertensão, é pré doente e obrigatoriamente desenvolverá a doença,
mas que sua propensão é muito maior, é sabido e aceito!
O surgimento deste
nicho para se atentar esta ligado a hábitos de vida, sedentários, alimentos
aditivados em gorduras e sal, que levam a cada vez mais cedo ao desenvolvimento
patológico!
Situações que fazem o
paciente flutuar, hora para hipertensão, hora para normotensão, com intensidade
não característica da doença, devem ser valorizadas e observadas antes que
venham a causar danos.
O pré diabetes que é classificado
quando o paciente atingiu taxas de glicose no sangue em teste pós glutol, entre
140 a
200 mg/dl, mas frequetemente se aproximam delas, tornando um sofisma temporal a
fixação diagnóstica! Outros parâmetros clínicos também devem ser levados em
conta para se adjetivar o estágio pré.
Sinais clínicos como obesidade
resistente, resistência insulínica de longa data, com sobrecarga e estado pré falimentar pancreático, podem
estar associados ao quadro! O diabetes tem seu diagnóstico precoce prejudicado,
devido ao forte estigma que a doença carrega, no sentido de o paciente portador
achar que é uma doença altamente incapacitante, o que não é verdade!
A dislipidemia
incipiente, aquela limítrofe, ou insidiosa na qual horas esta fora das metas
pré estabelecidas, horas não, ou ainda quando somente o LDL colesterol esta aumentado,
ou o HDL reduzido são fatores importantes,
quando isolados ou
associados aos demais fatores descritos neste artigo que determina o tipo de
abordagem a ser proposta para cada
conjunto mórbido individual!
A correção e o tratamento destas três, pré
condições vão passar necessariamente pela modificação do estilo de vida, como
controle nutricional alimentar, referente aos itens envolvidos em cada
situação, lipídios e carbohidratos, nos diabéticos e sal nos hipertensos,
prática constante e progressiva de atividade física aeróbica e resistida. Controle
e gerenciamento de stress, que por si é agente que interfere nos três setores.
O tratamento
medicamentoso é indicado nas situações pré em que tivermos outras patologias,
associadas como por exemplo o pré hipertenso, com diabetes associada, ou acidentes vasculares cerebrais prévios, aterosclerose,
insuficiência cardíaca, o pré diabético da mesma forma deve ser tão mais valorizado
quanto maior for o risco cardiometabolico global agregado!
Principalmente agora
que um estudo chamado METEOR, comprova que a redução intensiva de lípides, pode
reduzir significativamente, a progressão da aterosclerose carotídea em 12
meses!
Enfim só o que não
devemos é nos furtar a dar importância ao pré, não do preconceito, mas da
prevenção!
JMS

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