sexta-feira, 6 de julho de 2012


Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
www.medicareclinica.com.br

Encontra-se em curso uma ampla discussão se devemos esperar o surgimento da doença ou se podemos nos antecipar, quando todos os sinais de seu inicio estão latentes, este artigo tenta trazer a tona a pré doença!


 


A Era do Pré!

Nosso tema de hoje vai tentar abordar o antes da doença, novos conceitos nem sempre totalmente aceitos, não esperar a instalação da patologia para depois tratar, e sim antecipar. Pré hipertensão, ou pressão normal alta! Pré diabetes ou disglicemia! Dislipidemia incipiente ou inicio do aumento das taxas de lípides!
A pré hipertensão, caracteriza-se por pressões e entidades clínicas onde a clínica do paciente acima de 18 anos, é quase normal e sua pressão máxima entre 120 e 139 mmHg e a mínima entre 80 e 89 mmHg, ou seja normal alta, ou limítrofe, caso acima de 140 e 90, teríamos uma hipertensão propriamente dita! Menor ou igual a 120 por 80 normal.
O que leva-nos a considerar este conceito procedente é o fato de existirem provas contundentes da existência de hipertensão e placas ateroscleróticas em crianças e adolescentes, mostrando a precocidade destas entidades mórbidas! 
Não significa que quem tiver pré hipertensão, é pré doente e obrigatoriamente desenvolverá a doença, mas que sua propensão é muito maior, é sabido e aceito!
O surgimento deste nicho para se atentar esta ligado a hábitos de vida, sedentários, alimentos aditivados em gorduras e sal, que levam a cada vez mais cedo ao desenvolvimento patológico!
Situações que fazem o paciente flutuar, hora para hipertensão, hora para normotensão, com intensidade não característica da doença, devem ser valorizadas e observadas antes que venham a causar danos.
O pré diabetes que é classificado quando o paciente atingiu taxas de glicose no sangue em teste pós glutol, entre 140 a 200 mg/dl, mas frequetemente se aproximam delas, tornando um sofisma temporal a fixação diagnóstica! Outros parâmetros clínicos também devem ser levados em conta para se adjetivar o estágio pré.
Sinais clínicos como obesidade resistente, resistência insulínica de longa data, com sobrecarga  e estado pré falimentar pancreático, podem estar associados ao quadro! O diabetes tem seu diagnóstico precoce prejudicado, devido ao forte estigma que a doença carrega, no sentido de o paciente portador achar que é uma doença altamente incapacitante, o que não é verdade! 
A dislipidemia incipiente, aquela limítrofe, ou insidiosa na qual horas esta fora das metas pré estabelecidas, horas não, ou ainda quando somente o LDL colesterol esta aumentado, ou o HDL reduzido são fatores importantes,         
quando isolados ou associados aos demais fatores descritos neste artigo que determina o tipo de abordagem a ser proposta para cada  conjunto mórbido individual!  
 A correção e o tratamento destas três, pré condições vão passar necessariamente pela modificação do estilo de vida, como controle nutricional alimentar, referente aos itens envolvidos em cada situação, lipídios e carbohidratos, nos diabéticos e sal nos hipertensos, prática constante e progressiva de atividade física aeróbica e resistida. Controle e gerenciamento de stress, que por si é agente que interfere nos três setores.
O tratamento medicamentoso é indicado nas situações pré em que tivermos outras patologias, associadas como por exemplo o pré hipertenso, com diabetes associada, ou  acidentes vasculares cerebrais prévios, aterosclerose, insuficiência cardíaca, o pré diabético da mesma forma deve ser tão mais valorizado quanto maior for o risco cardiometabolico global agregado!
Principalmente agora que um estudo chamado METEOR, comprova que a redução intensiva de lípides, pode reduzir significativamente, a progressão da aterosclerose carotídea em 12 meses!
Enfim só o que não devemos é nos furtar a dar importância ao pré, não do preconceito, mas da prevenção!

JMS

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