Hormônio do Crescimento no Idoso
Dr. João Mariano Sepulveda
Cárdio Geriatra
@no_formol
O tema de hoje já é polemico e reservado no plano de discussões médicas, imaginem para leigos!
Embasado para uso em infantes com déficit de desenvolvimento e crescimento, tem-se mostrado muito eficaz e seguro, quando usado em sua indicação master!
O problema começa quando se propõe a terapêutica para adultos e mais ainda para os idosos, mas não sejamos hipócritas, pois sabemos que hoje é comum a utilização em academias e propostas antiaging, nas terapias de hormônios bio idênticos entre outros e não podemos fingir como gostam algumas decrépitas lideranças que julgam o que não dominam, hediondo, satanizando práticas sem entende-las, como que fingindo elas não ocorrerão!?
A população de idosos crescerá aproximadamente 82% nos próximos 25 anos, ou seja, praticamente dobrará até 2040! Vamos necessitar conhecer todo e qualquer arsenal disponível para mantê-la ou revitalizá-la.
Portanto proponho discutir o uso e as indicações do GH (Growth Hormone) em uso não convencional.
A idade e o envelhecimento trazem a redução de produção e de pulsos hormonais, na mulher a menopausa e no homem a andropausa, anunciam o declínio da produção dos hormônios sexuais, em ambos a somatopausa prenuncia o baixo nível de produção e absorção do hormônio do crescimento, que a partir de seu pico puberal máximo declina a taxa de 14% por cada década, apartir dos 20 anos.
Após os 60 anos seu nível esta compatível com quadros de excreção no déficit primário! Ou seja, francamente reduzido!
O quadro de insuficiência cursa com redução da massa muscular magra, aumento do tecido adiposo, perda gradativa da massa óssea, com acentuado risco de fraturas, atrofia de até 30% do cérebro, rins, fígado e pâncreas, com redução da função destes e do trato gastrintestinal, pulmões, músculos!
As alterações no sono e na pratica e intensidade física, também ajudam na redução do pulso de GH. A presença de alterações emocionais, cansaço crônico, déficit de memória e atenção e da libido, sarcopenia precoce também são relatadas na somatopausa.
Estabelecido o quadro de déficit a questão a ser respondida é a reposição do GH é benéfica a quem está em deficiência, é nula, traz para efeitos, deve ser usual?
Trabalhos sequentes tem demonstrado que o idoso em terapia de reposição do GH, melhora o humor, o estado emocional, a massa e a força muscular, a atenção e a memória, a libido, e o tônus muscular miocárdico, melhora do perfil lipídico!
Existem ainda trabalhos que preconizam uso do GH em insuficiência cardíaca refratária e não indicativa de transplante cardíacos, ou seja, aquela onde já não há muito o que fazer, onde talvez o GH, melhoraria a força contrátil muscular do coração terminal!
Os efeitos adversos cursam com o fato de ser retentor nitrogenado, portanto retém líquidos, hipertensão arterial, síndrome do túnel do carpo, artralgias, cefaléias, edemas, piora no perfil glicídico e na resistência insulínica, devem ser monitorados. Uma possível ativação da tumorigênese, daqueles previamente suscetíveis a formação de cânceres, principalmente de próstata em homens e ovarianos em mulheres e hepáticos em ambos. Não que cause o câncer, mas como que desperta aquele já existente em latência.
Possivelmente por provável redução imunológica!
Portanto a somatopausa é um quadro de déficit passível de tratamento e reposição, desde que com pacientes bem indicados e salvadas as propostas de pancéia, as que propõem juventude eterna e que coloquem em risco a integridade do usuário.
A utilização indevida deste e quaisquer outros recursos terapêuticos, sem a devida orientação médica, ou por analogia ou indicação de profissionais não habilitados, como nutricionistas, educadores físicos, curiosos etc., talvez sejam os maiores agentes ao descrédito desta terapêutica!
A utilização dos precursores orais com a arginina além de mais baratos parecem mais seguros e devem ser tentados antes da terapia de reposição em si!
O bom senso como sempre deve ser o fator determinante deste tão delicado tema! Muitos estudos estão em andamento para balizar condutas e tornar a somatopausa tão palatável a terapia quanto outros estados carenciais!
JMS
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