sexta-feira, 14 de junho de 2013

Ferritina
 

 
Dr. João Mariano Sepúlveda
Cárdio-Geriatra
@no_formol
 
O ferro é elemento vital na nutrição humana, porém um dos que mais exige equilíbrio em seu consumo e administração, se muito baixo faz extrema falta as funções básicas do organismo, se muito alto lesiona células e órgãos inteiros. A ferritina elevada tem sido achado constante em pacientes e muito tem preocupado por seu relativo desconhecimento, ao qual vamos tentar trazer algumas informações.   
O ferro mais comumente, ligado à hemoglobina, esta envolvido na nutrição celular e no transporte de oxigênio. Nas anemias a avaliação dos hemogramas, em suas hemácias, hematócritos, e hemoglobinas, são essenciais, no diagnóstico, controle, e segmento destas patologias.
Com a evolução nos métodos de pesquisa tornou-se possível dosar as proteínas de transporte do ferro, a transferrina, e a de reserva do ferro, a ferritina, e determinar a existência de patologia como a hemosiderose, doença que aumenta a absorção de ferro no intestino, o qual se deposita em demasia nos órgãos, a saber, fígado, baço, coração, pâncreas, cérebro, articulações, pele, etc, podendo levar a patologias relativas como hepatite, diabetes, artralgias, e até insuficiência cardíaca.
Níveis de ferritina sistemáticos acima de 1000ng/ml, caracterizam a hemocromatose que pode ser adquirida e que tem por principais causas as anemias diversas, aumento da ingestão de ferro, transfusões, e cirrose hepática, ou genética, que é determinada através da pesquisa dos genes H63D e C282Y, genes HFE.
O tratamento consensual é a sangria ou a quelação com deferroxamina, que é altamente tóxico, um novo quelante encontra-se em desenvolvimento.       
        A expressão de ferritina representa no indivíduo saudável a reserva, ou o estoque de ferro imediatamente utilizável pelo organismo em caso de necessidade súbita mediante a um desequilíbrio do estado de saúde hematopoiética. 
 Seu aumento é mais comum em homens, acima dos 45 anos, e mulheres pós menopausa, (a menstruação age como uma sangria fisiológica), portadores de síndrome metabólica, hipertensos, diabéticos, ou pré diabéticos, com gorduras séricas, elevadas, obesos ou com sobre peso e na maioria das vezes com acentuado deposito de gordura hepática, esteatose.
Alguns tipos de cânceres, como mama, próstata, cólon, fígado, e pulmão também elevam seus níveis. 
Níveis abaixo de 1000ng/ml, e acima da faixa de normalidade, 250 a 300ng/ml, expressam uma preocupação tanto para médicos quanto para pacientes, nessas proporções o nível é tóxico porem não caracteriza de fato a doença, a dietoterapia reduzindo o consumo de carnes vermelhas, vegetais verdes, e aumentando o consumo de cereais integrais, fibras em geral, cálcio e fosfatos, e chás os mais diversos, o estilo saudável de vida, a atividade física moderada, controle de stress, são medidas gerais de auxílio. Em casos mais resistentes a sangria esta indicada.
A compreensão do ferro como um ativo radical livre quando aumentado, leva a tentar recombiná-lo  bioquimicamente, utilizando altas doses de vitamina C, que em baixas doses, retém ferro, mas em doses altas se combina e elimina, não só o  ferro, como diversos metais, a vitamina B6 e o promissor acido ferrúlico, parece mais adequado.
Ferritna não é taxa, é marcador, por isso não deve ser tratada como se faz com a glicose e ou o colesterol, porem , seu criterioso segmento é coadjuvante importante na prevenção e preservação de saúde!
JMS
 

Um comentário:

  1. Olá, Dr. Mariano.
    Meu nome é Luíza, tenho 24 anos.
    Minha ferritina deu 1.017,9 ng/Ml e o ferro sérico 189.
    Tenho hábitos saudáveis e desconheço que possua alguma patologia.
    O que pode ser?
    Obrigada.

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